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Férias

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 3 min

Andar de carro nos impede de atentarmos às pequenas coisas. Passo o ano inteiro pelo mesmo trajeto, a caminho do trabalho, que nem percebo detalhes, que são importantes. Tirei férias no mês de janeiro e desta vez não viajei. Comecei a caminhar, diariamente, desde o Natal, entre o condomínio e a cabeceira da pista do aeroporto, na avenida Getúlio Vargas. Mesmo com redução do número de veículos circulantes, que "sufoco" atravessar essa avenida! Não tem faixa de segurança perto do condomínio.

Vejo diariamente muitas pessoas descerem dos ônibus intermunicipais para chegar ao trabalho e perigosamente atravessar essa avenida. Por confluir trânsito da avenida (por sinal, com pista simples) que leva aos vários condomínios, com o trânsito que vem da av. Nossa Senhora de Fátima e da cidade, essa rotatória tem que ser transposta com "agressividade" tanto pelos motoristas que fazem esse contra-fluxo como pelos pedestres (esses sem a armadura metálica dos automóveis).

Sem semáforo ou faixa de segurança, o que nos sobra fazer, principalmente entre os horários de 7h45 a 8h20 e de 17h30 a 18h30? Caminhava nesses horários, quando dei conta do risco desses pedestres, somados ainda ao despreparo de educação de muitos motoristas. Durante o ano, vejo crianças sendo levadas pelas mães, que atravessam essa avenida para levar seus filhos na escola da avenida Nossa Senhora de Fátima. São várias casas e apartamentos nessas ruas.

Elas vêm de ruas sem asfalto, parecendo que estão fazendo provas de resistência, e ainda correm esse perigo, pois não existe um local seguro para atravessarem. Quando chove, o volume de terra que desce, escoa para dentro dos bueiros, dificultando ainda mais o andar. Isso tanto na ida quanto na volta da escola. Outro perigo é o descaso com a limpeza das calçadas. Encontrei muitas garrafas quebradas e seus cacos, que obrigam a mudar o caminho, para não ter surpresas. Daí percebemos que essas mães precisam ver também o caminho que seus filhos incautos percorrerão, para não pararem no pronto-socorro (que de pronto só tem no nome) para suturar pezinhos cortados. Em dezembro, um gato foi atropelado.

Acompanhei todo o seu processo de decomposição e seus restos mortais serem cobertos pela terra movida pelas chuvas, e que estão ainda presentes no mesmo local. Há quanto tempo não se faz a limpeza pública, cuja taxa já vem nos carnês do IPTU?

Garrafas de vidro, plásticas, embalagens e outros lixos que a própria população não se preocupa com seu descarte jazem dentro de bueiros, agravando os imensos problemas da poluição. Calçadas mal conservadas, terrenos baldios cheios de mato e lixo agravam mais o quadro. Tudo poderia ser minimizado se os funcionários da prefeitura percorressem (de vez em quando) esses locais, e o que é mais importante: a população tivesse educação para compreender o papel de cada um dentro do contexto global da boa convivência.


Será que temos consciência do que é viver em comunidade? Ainda nos agride saber que verbas para educação são cortadas, para remendar os rombos dos escândalos que diariamente são anunciados. Que futuro nos aguarda, ou de nossos filhos, netos? Que a lei do Gerson (coitado desse campeão mundial que ficou estigmatizado por uma propaganda infeliz de cigarro) é a que vale? Será? Até quando?

O autor é professor e membro do Lions Clube de Bauru Centro

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