Tribuna do Leitor

Quanta burocracia!


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Meu esposo, necessitando de uma cirurgia de quadril com prótese, recorreu ao Hospital Estadual de Botucatu, que atende a muitos convênios, inclusive o SUS. Nossa opção foi pelo Iamspe, em que a espera era de quatro meses, ao contrário do SUS, em que correríamos o risco de esperar por um ano. Feita a cirurgia em março, felizmente com sucesso, após três dias, o médico deu alta. Aí começou nossa odisseia por um direito: transporte do paciente para Bauru, usando ambulância.

Recebemos o aviso da alta às 14h. A assistente social nos informou que não tinha previsão de atendimento porque os funcionários da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru estavam em greve. Precisamos aguardar por sete horas.

Dali 15 dias teríamos que voltar para Botucatu para retorno médico, também de ambulância. Após idas e vindas, finalmente chegamos ao Serviço Social, onde fomos informados que, para conseguir transporte, precisaríamos de um laudo, assinado por um médico do SUS; procurar a uma assistente social; devolver o pedido à secretaria, que teria de encaminhar um perito à nossa casa para avaliar o paciente e atestar a necessidade de ambulância. Só, então, talvez, o transporte poderia ser agendado.

Ao contrário de várias cidades da região, o pedido feito pelo Hospital de Botucatu é completamente ignorado pela Secretaria de Saúde de Bauru, com raras exceções.

Diante dos empecilhos e do pouco prazo, tentei o Iamspe, mas fui informada que o convênio não cobre esse serviço e, se quisesse, deveria acionar a Defensoria Pública para obrigá-los, judicialmente, a nos atender. Mais uma vez fiquei com receio de acreditar na nossa Justiça e na eficácia de nosso serviço público. Por medo de perder o procedimento e colocar em risco a saúde de meu esposo, resolvemos pagar por um serviço particular. Ficou caro, mas, graças a Deus, conseguimos pagar, apesar da indignação por não ver o retorno dos impostos pagos corretamente todos os meses.

Sei que muitos cidadãos passam por situação parecida e ainda  piores que essa. O serviço público por vezes deixa a desejar, mas é ainda mais desgastante ver que burocracias excessivas nos impeçam de ter acesso aos nossos direitos.

Beatriz Venturini Gavaldão - professora
aposentada

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