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Entrevista da semana: César Esteves Moron

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Éder Azevedo

César é presidente da Associação Chico Xavier, além de palestrante. “Vejo todas essas transformações sociais como a dor que é capaz de fazer a sociedade se movimentar”, diz ele

No período de realização da Feira do Livro Espírita, que acontece até o dia 3 de maio no Boulevard Shopping, você conhece um pouco do pensa o coordenador do evento: César esteves Moron, palestrante e presidente da Associação Chico Xavier.


César nasceu e cresceu em Bauru e fez carreira no Banco do Brasil, onde se aposentou em 2008. “Passamos por muitas experiências. Quando a tecnologia chegou, o que 50 pessoas faziam, três ou quatro passaram a fazer. Isso marcou uma fase. O lado humano não acompanhou a velocidade das mudanças tecnológicas”, comenta.


Engajado no espiritismo desde a adolescência, ele foi presidente do Centro Espírita Vicente de Paula quatro vezes. Sempre ativo, César projeta sonhos a serem realizados em um futuro próximo: “Quero devolver à sociedade o que eu recebi. Queremos fazer filmes espíritas em Bauru, que é uma das missões da Associação Chico Xavier. Outro sonho é montar uma entidade para acolher os dependentes químicos, em virtude do que vemos nas ruas. E não é uma questão de religião. É de solidariedade”.


Casado desde 1982 com Marilda Mangialardo Moron, ele é pai de duas meninas: Flávia e Bruna.  Leia mais, a seguir.


Jornal da Cidade – Quem foi o menino César?

César esteves Moron – Eu posso dizer que tive uma base na escola e uma formação exemplo em casa. Eu estudei sempre na rede pública. Primeiro no Grupo Escolar Rodrigues. Em seguida, fiz o ginásio no Cristino Cabral. E tudo era uma imensidão de colégio. Há pouco tempo retornei para ver a escola e tudo está diferente. Hoje há grades, alambrados. A escola tinha apenas muretinhas e todo mundo ficava junto no pátio. Tenho ótimas recordações. Éramos em seis irmãos. Sou da época em que as cartilhas eram passadas dos mais velhos para os mais novos. Mas era uma época que você recebia conteúdo, era reprovado caso não estudasse. Meu pai era marceneiro. Nada era fácil. Os meninos dormiam no mesmo quarto.  Havia duas beliches no meu. Mas foi uma época bastante boa.


JC – Você construiu sua carreira profissional no Banco do Brasil.

César – Sim. Fiz contabilidade no Liceu e faculdade de administração na Instituição Toledo de Ensino (ITE). Também fiz uma pós-graduação. Bom, foi na época da faculdade que passei no concurso do Banco do Brasil. Entrei  em 1981 como escriturário, em Ribeirão Preto. Foi na época em que a informática estava chegando. Passei por várias cidades e quando estava com 20 anos de carreira, fui nomeado de gerente de contas a gerente de agência. Minha primeira gerência foi em Pedregulho. Depois disso passei por outras cidades até me aposentar, em 2008, em Lençóis Paulista. Comecei a trabalhar aos 15 anos como empacotador e, aos 50 anos, já tinha 35 anos de contribuição.  


JC – Como foi viver a expansão tecnológica no Banco do Brasil.

César – Foi um trauma. Passamos por muitas experiências. Quando a tecnologia chegou, o que 50 pessoas faziam, três ou quatro passaram a fazer. Veio a transmissão eletrônica, algo muito bom, mas que precisou de ajustes. E, com os ajustes, sobraram pessoas e vieram as demissões incentivadas, nem sempre espontâneas. Isso marcou uma fase. O lado humano não acompanhou a velocidade das mudanças tecnológicas. 


JC – Quando se dá o seu encontro com a religião?

César – Eu venho de berço espírita, então desde criança tenho contato com o espiritismo. Uma coisa que aconteceu com meu pai marcou bastante. A família dele era católica e ele teve vidência de alguns acontecimentos e não sabia o que era. Isso chamou a minha atenção, porque muita gente não acredita. Meu pai era muito engajado. Para mim, o que foi mais importante do que o rótulo religioso é a certeza da imortalidade da alma. Isso sempre me deixou muito tranquilo. E esse meu contato com a crença de meu pai fez a grande diferença, porque passei a enxergar as pessoas de outra forma. Quando você sabe que a sua alma é imortal, você age de outra forma. Tudo não termina no túmulo. Não há aposentadoria. Quando você sabe disso, você deixa de ser mesquinho e passa a ser mais solidário com as pessoas.

Arquivo pessoal

Com a esposa Marilda e as filhas Flávia e Bruna

JC – Hoje você é palestrante e presidente da Associação Chico Xavier. Como teve início esse sua jornada?

César – Eu comecei na mocidade. Na mocidade espírita eu já participava de concentrações de jovens na região. Eu era muito tímido. Não falava uma palavra (risos). Mas a necessidade me fez perder a timidez aos poucos, já que eu precisava falar com os demais. E comecei a participar de diretorias de entidades. Foi uma participação automática. Fui presidente do Centro Espírita Vicente de Paula quatro vezes. 


JC –  Uma experiência espiritual marcante.

César –Quando estava em Pedregulho, por exemplo, um senhor foi até mim, no banco, e pediu R$10 de doação. O banco deixava um gerente por dois anos em cada cidade. Podia ficar um pouco mais, mas não ficava menos.  Bom, eu não podia doar, por uma norma do banco. Ele me olhou e disse que tudo bem, porque eu já estava indo embora mesmo. Ele me disse que era evangélico e que, algumas vezes, parava na frente das pessoas e via algumas coisas. Eu nunca vi aquele senhor e ele falou muita coisa sobre mim. Disse que eu mudaria de cidade em, no máximo, sete dias. Não acreditei, mas dei o dinheiro a ele. Por incrível que pareça, meu chefe me ligou algumas horas depois dizendo que havia uma oportunidade de mudança de cidade, mas que eu deveria ir na próxima semana. Desliguei o telefone e fui atrás do cara. Não achei (risos). Era uma pessoa com uma faculdade mediúnica e eu achei que fosse um aproveitador.


JC – Sobre solidariedade.

César – Eu costumo dizer a seguinte frase: quem é solidário, não é solitário. Por isso eu digo que Jesus é nosso parâmetro, nosso modelo.  Eu participo de uma atividade chamada “Grupo de rua”. A cada 15 dias nós saímos em 10 ou 15 pessoas, por volta das 22h/23h e distribuímos pãozinho, chocolate quente e água. Mas o objetivo não é esse. O que queremos é fazer uma oração e conversar com o morador de rua. A maioria está abandonada, machucada e envolvida com o crack. Grande parte disso ocorre porque nós não sabemos lidar com um não da vida: um desemprego, uma desilusão amorosa... E, uma vez na rua, a droga é a fuga para esse “não”. Então trabalhamos isso. É um trabalho sem rótulo religioso. Pregamos que fora da caridade não há salvação. A vida responde com amargura porque ainda não entendemos essa mensagem.


JC – A aposentadoria trouxe novos projetos?

César – Eu tenho um sonho que também é um projeto. Quero devolver à sociedade o que eu recebi. Queremos fazer filmes espíritas em Bauru, que é uma das missões da Associação Chico Xavier. Outro sonho é montar uma entidade para acolher os dependentes químicos, em virtude do que vemos nas ruas. Queremos um projeto feito com amor, com carinho para essas pessoas “invisíveis” para a sociedade. E não é uma questão de religião. É de solidariedade.


JC – César por César.

César – Eu sou uma pessoa otimista. Vejo todas essas transformações sociais como a dor que é capaz de fazer a sociedade se movimentar.


Perfil


Nome: César esteves Moron

Idade: 57 anos

Signo: Escorpião

Local de Nascimento: Bauru

Esposa: Marilda Mangialardo Moron   

Filhos: Flávia e Bruna

Hobby: Leitura

Livro de cabeceira: “O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Filme preferido: Gosto de ficção científica e o meu preferido é “Jornada nas Estrelas”

Estilo musical predileto: MPB

Time de futebol: Santos

Para quem dá nota 10: Para o meu modelo de vida: Jesus Cristo

Para quem dá nota 0: Para o orgulho e o egoísmo, que hoje se refletem na corrupção que explode no Brasil

E-mail: https://cesarmoron@terra.com.br


 

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