Parece que a história prega mesmo algumas peças nos homens. No ano de 1980, ao participar de um Congresso de Assistentes Sociais em São Paulo, tive a "felicidade" de conhecer aquele que seria a figura mais popular do Brasil, do ponto de vista político e social. Naquela oportunidade, ao dividirem em salas temáticas os participantes do Congresso, alguém levantou a lebre: "Teremos aqui hoje um sindicalista que poderá mudar a história desse País". E ali naquele momento vimos surgir a um homem que trazia na bagagem uma pasta, um chinelo no pé, uma bermuda e, principalmente, uma proposta ideológica em favor das classes operárias e da população exposta à vulnerabilidade. Com ele estavam os "acadêmicos de esquerda", "líderes sindicais" e demais simpatizantes.
Quando ele entrou no auditório composto na sua grande maioria de mulheres (profissão bastante feminina), foram muitos aplausos, choros e ovações. Ao pedir a palavra, apresentou uma proposta inovadora de vanguarda para o País. Junto, propôs um novo partido que se apresentava como a solução dos problemas graves que estávamos enfrentando, principalmente para a população de baixa renda. O público foi ao delírio e a grande maioria naquele auditório acreditou na construção de um Brasil melhor. Não dá para lembrar-se de tudo o que aconteceu naquele dia, afinal lá se foram muitos anos. O que sabemos é que acreditamos naquele momento que entraríamos para a história mundial como o País que venceria suas dificuldades através de um ex-sindicalista.
De lá para cá, foram muitos os caminhos políticos, entrou partido, saiu partido e, finalmente, ele entrou no poder e nós emocionados, na sua grande maioria, fizemos parte dos eleitores que dissemos "sim" nas urnas. Mas o que foi que aconteceu? Aonde foram parar todas aquelas propostas inovadoras? A tão falada distribuição de renda, a divisão justa das terras a quem queria plantar, a opção pelos pobres, a expulsão da já falada corrupção, o retorno da democracia participativa e humanitária? Não estou aqui falando de política (mesmo porque não tenho conhecimento para isso). Estou falando de sonhos, ideais, construção de cidadania, de valores éticos e morais e, principalmente, de melhoria para o nosso povo tão sofrido.
Parafraseando Frei Beto, os governos atuais facilitaram os bens pessoais e não os bens sociais. Voltando aos sonhos, parece que viraram mesmo um pesadelo, porque não adianta se ancorar em bolsas, em benefícios pessoais sem que se pense na solução dos nossos grandes problemas econômicos e políticos que ainda hoje permeiam nossa sociedade. E hoje, para uma simples cidadã comum, fica a pergunta: Para onde irão nossos sonhos?
A autora é assistente social e pedagoga