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Verdureiro é condenado a 26 anos

Ana Borges
| Tempo de leitura: 4 min

Ternura FM/Divulgação

Mário Roberto Mateus  em seu julgamento entre os policiais

O verdureiro Mário Roberto Mateus, de 60 anos, foi condenado a cumprir mais de 26 anos de prisão em regime fechado ontem no processo que responde por tentativa de homicídio duplamente qualificado e estupro de vulnerável, ocorridos em 2013, contra a adolescente Lindiane Barbosa, 13 anos, em Ibitinga (100 quilômetros de Bauru). O acusado ainda irá responder ao processo de homicídio, que aconteceu em 2014, no qual matou a adolescente a facadas, quando ela não quis reatar o relacionamento que os dois supostamente teriam. 

 

“Eu mantinha um relacionamento com o Véio (apelido de Mário) há três anos e estou separada dele há um mês e ele não aceita o fim do nosso namoro.” Esse foi o relato da

Ternura FM/Divulgação 

O acusado chegou de cadeira de rodas e preferiu permanecer calado

adolescente na época, em 2013, quando procurou a Delegacia de Ibitinga pela primeira vez, ao ser agredida pelo acusado com duas facadas. Meses depois, já em 2014, Lindiane foi assassinada após se negar a continuar a manter relações sexuais com Mário.

 

O caso ganhou repercussão nacional e causou grande comoção na cidade com pouco mais de 60 mil habitantes. No velório da vítima, amigos e familiares pediam justiça com cartazes e camisetas.

 

Na manhã de ontem, por volta de 9h30, o Tribunal do Júri estava lotado para dar início ao julgamento do autor, que foi a júri popular, o primeiro realizado no Fórum de Ibitinga este ano.

 

O acusado chegou ao Fórum de Ibitinga em uma cadeira de rodas, empurrada por um agente penitenciário. Ele foi baleado em uma das pernas, após reagir à prisão no ano passado. Durante toda a sessão, Mário preferiu se manter calado a maior parte do tempo. Disse apenas que nunca manteve relações sexuais com a menina.

 

Porém, o promotor de Justiça alegou que existem diversas provas que confirmam o estupro, inclusive uma outra adolescente, amiga da vítima, teria ido a um motel junto com os dois. Enquanto Mário e Lindiane mantinham relações sexuais, ela teria ficado o tempo todo brincando em uma piscina dentro do quarto.

 

Segundo o promotor de Justiça Sílvio Brandini Barbagalo, mesmo sendo uma relação consentida, tratava-se de uma menina que começou a ter relações sexuais com Mário aos 10 anos de idade em troca de dinheiro e presentes. De acordo com a legislação brasileira, qualquer relação de conotação sexual com menores de 14 anos, mesmo consentida, é considerado crime de estupro de vulnerável.

 

 “Uma menina da idade dela não tem discernimento para iniciar a vida sexual ou responder pelo seus atos.”, explicou.

 

Por volta de 16h, saiu a sentença final. O acusado foi condenado a cumprir 10 anos e 8 meses pela tentativa de homicídio duplamente qualificado em outubro de 2013, em que feriu a vítima com duas facadas. Também recebeu condenação de 15 anos e 6 meses pelo crime de estupro. 

 

No total, 26 anos e 2 meses a cumprir em regime fechado. O acusado também vai responder pelo crime de homicídio, que ainda tramita na Justiça. Ele é acusado de matar a Lindiane com 10 facadas nas costas. A defesa do réu disse que irá recorrer em relação à pena aplicada. 

 

Relembre o caso

 

Lindiane Aparecida Barbosa foi esfaqueada por Mário Roberto Mateus após se negar a manter relações sexuais com ele em 2014. O verdureiro disse que tinha um “envolvimento amoroso” com a menor desde quando ela tinha 10 anos, mas não aceitava o fim do relacionamento. 

 

Após ser ferida com dez facadas nas costas, a adolescente chegou a ser socorrida e levada  para o Pronto-Socorro de Ibitinga. Devido à gravidade dos ferimentos, ela foi transferida para um hospital em Araraquara, onde permaneceu internada por 15 dias, mas não resistiu e morreu no dia 26 de março de 2014. Depois de um tempo da primeira agressão a facadas causada em outubro, os dois teriam voltado a se encontrar. Mário pagava quantias aproximadas de R$ 300 por semana para manter relações sexuais com a garota, desde seus 10 ano. A família da jovem disse à polícia que esse pagamento não ocorria. Uma pessoa ligada aos parentes da vítima contou que  eles não suspeitavam do relacionamento, mas depois perceberam porque a adolescente começou a receber presentes do homem, que era vizinho da família.  

 

 

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