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Bruna Matos com o filho Bruno Jefferson em seu colo: “Eu sempre serei grata ao Samu pelo que eles fizeram por nós” |
Dor, susto, medo, e, por fim o choro fino e o alívio. Uma cena que a bauruense Bruna de Souza Matos, de 17 anos, faz questão de sempre lembrar por um motivo: agradecimento. A quem? Ela responde prontamente: “À equipe técnica da unidade básica do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Bauru”. Por volta das 23h30 do último sábado, Bruna recebeu a ajuda de dois funcionários da unidade para trazer ao mundo, por meio de parto normal, o pequeno Bruno Jefferson de Souza Maciel, o primeiro filho da estudante e o quinto bebê a nascer pelas “mãos do Samu” neste ano.
Dados do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde apontam que as viaturas da unidade transportaram até a maternidade, neste ano, ao menos 620 pacientes gestantes. Deste total, cinco acabaram realizando partos de urgência em casa ou na própria viatura.
O montante, contudo, ainda não atingiu um quarto do total de atendimentos realizados no ano passado todo, quando 2.579 gestantes foram transportadas, o que corresponde a uma média de sete mulheres por dia. O total de partos em 2014 também chama a atenção: 27 gestantes tiveram ajuda da equipe das viaturas para trazer os filhos ao mundo.
Os números são curiosos exatamente por mostrarem outro lado da realidade do Samu, que atende na maioria das vezes pessoas doentes, vítimas de acidentes e que, em alguns casos, morrem antes mesmo da chegada às unidades médicas.
Emoção
A emoção de cada parto é compartilhada via Internet pelas equipes, na página “Samu Bauru” no Facebook, que traz a foto dos recém-nascidos e da equipe que realizou o parto.
A última publicação feita na página, inclusive, mostra exatamente o momento em que os funcionários Maria de Fátima Alves, auxiliar de enfermagem, conhecida como Fatiminha, e o motorista Jurandir Beltardi Cano, comemoravam o nascimento do pequeno Bruno.
A emoção, contudo, não fica só entre os funcionários do Samu. “Não imaginava que teria meu primeiro filho desta forma, foi um susto, tive medo, mas, depois, foi lindo e muito emocionante. Eles foram muito atenciosos e cuidadosos comigo e com o bebê. Serei sempre grata ao Samu”, comenta Bruna Matos.
O bebê nasceu com 45 centímetros, 2,3 quilos e saudável. Após o parto, que aconteceu no quarto da casa, localizada no Terra Branca, a mãe e a criança foram levadas à Maternidade Santa Isabel, de onde tiveram alta médica na tarde de segunda-feira.
Bruna conta que chegou a ir até a maternidade na sexta à noite, mas como estava com pouca dilatação foi liberada para voltar no dia seguinte.
“Me disseram que ia demorar bastante. E demorou mesmo, mas quando senti a pontada, no sábado à noite, tudo aconteceu de uma vez, a bolsa estourou, comecei a sangrar e entrar em trabalho de parto. Foi uma correria, meu marido que ligou para o Samu”, detalha a jovem.
Mais crianças que vieram ao mundo pelas ‘mãos do Samu’ neste ano
Gabrielly Guandalim foi o primeiro bebê com nascimento divulgado neste ano. Conforme o JC noticiou na época, ela veio ao mundo às 2h25 do dia 1 de janeiro, dentro de uma unidade do Samu, na avenida Nações Norte, a caminho da Maternidade Santa Isabel.
“A vontade de Gabi em ser a primeira criança do ano era tão grande que nem esperou chegarmos à maternidade”, brincou, na ocasião, a técnica de enfermagem Michele Dantas Marques, de 34 anos, que realizou o parto.
No dia 20 de fevereiro, mais um parto normal. Ao invés de hospital, o bebê de uma adolescente de 13 anos, moradora do Ferradura Mirim, nasceu dentro da viatura do Samu na altura da quadra 36 da avenida Cruzeiro do Sul.
Após o parto, a mãe e a criança foram levadas à maternidade. O auxiliar de enfermagem que realizou o parto na ocasião, Jair Santos Vieira, 46 anos, contou ao JC que sua equipe era conhecida como “Anjos da Madrugada”.
Perfil
Diretor do DUE, o médico Luiz Antônio Bertozo Sabbag, detalha que grande parte dos partos realizados pelo Samu não correspondem às chamadas gestantes de “primeira viagem”.
“São mulheres que já tiveram um primeiro filho e, como o trabalho de parto demora mais na primeira vez, elas acabam relaxando na segunda vez, esperando mais para ir ao hospital ou para acionar o Samu”, comenta Sabbag. O primeiro trabalho de parto de mulheres, explica o médico, costuma demorar até 15 horas.
“O colo do útero ‘virgem’ tem menos dilatação. E, quando a pessoa já teve outros filhos, a dilatação ocorre mais facilmente e o parto é mais rápido”, reforça Sabbag.
Os partos feitos pelo Samu, diferentemente da maternidade, esporadicamente são acompanhados por um médico.
“Geralmente, são feitos pela unidade básica, formada por um técnico de enfermagem e um motorista. Os partos, na maioria das vezes, são simples. Basicamente, eles ajudam a tirar o bebê, cortam o cordão e ‘embalam’ a criança. Por isso, as unidades avançadas (Unidade de Suporte Avançado, a USA) são acionadas eventualmente”, detalha o diretor do DUE.
Vale lembrar que, estruturalmente, o Samu conta, atuamente hoje com sete viaturas básicas e duas USAs.
Por ano, o Samu atende até 40 mil pessoas, o que corresponde a uma média geral de até 111 pacientes por dia.
O atendimento às gestantes, portanto, não chega a 10% do total de atendimentos.
