Comida japonesa, chinesa, italiana, brasileira... De cada nacionalidade um pouco. Nas mãos de Maria Cavaguti, conhecida como Cida, os ingredientes tomam formas e sabores variados, de acordo com o gosto de quem senta à mesa.
Além do talento, a relação de Cida com a cozinha teve o incentivo e as instruções do pai, “seu” Tarao, ou José Taniguchi, que gostava muito da culinária de seu país de origem e fez questão de ensinar às cinco filhas. “Ele cozinhava muito bem. Chamava as meninas e nos ensinava. Era uma tradição passar os ensinamentos culinários às gerações mais novas, principalmente às filhas”, comenta.
Porém, quando o pai faleceu, Cida sentiu o desejo de saber mais e se aperfeiçoar. Como em Bauru não havia professores da culinária nipônica, ela viajava frequentemente a São Paulo em busca de cursos. Mais do que aprender, passou a ensinar.
“Minhas amigas do Clube Cultural Nipo Brasileiro de Bauru pediram para que eu ensinasse minhas receitas e dicas. E comecei a dar aulas em casa. Fiz isso durante oito anos, mais ou menos. Parei por causa da idade”.
Cozinha voluntária
Mas o cozinhar nunca deixou as mãos habilidosas de Cida, que além de alegrar a família, ainda trabalha como cozinheira voluntária nas festas do Nipo.
“Nas festas do clube faço comidas japonesas e chinesas, como sushi, sashimi, yakisoba, rolinho primavera... Já em casa, meus filhos gostam mais da comida italiana, como as massas. E eu adoro frutos do mar. Tenho receitas para todos os gostos”, brinca a moradora do Jardim Santa Tereza.
E como toda cozinheira tem seus segredos, Cida também tem os dela. O molho de tomate, por exemplo, é feito por ela com tomates frescos. “Outro segredo é fazer tudo com amor”.
Antes da cozinha, Cida era professora de matemática, profissão que exerceu por cerca de 15 anos e que deixou para cuidar dos filhos. “Cozinhar para a família é um prazer que não posso descrever. Cozinhar entre as amigas, como voluntária no Nipo, também é uma alegria, porque passamos horas e horas juntas fortalecendo nossa amizade”, finaliza.
‘Cozinhar é aprender um pouquinho a cada dia’
Hoje Maria Ângela Rosa de Oliveira é uma cozinheira de “mão cheia”. Faz doces, salgados, trabalha fora e tem até uma microempresa de marmitas saudáveis. Mas nem sempre foi assim...
“Em casa quem cozinhava era minha mãe e eu me casei sem dominar o fogão. Na verdade, era um desastre. Salgava tudo. Comprava doce na padaria, mas queria saber fazer. Só que meu pudim era mais água do que outra coisa. Chorava quando fazia”, lembra, com bom humor.
O tempo foi passando e as tentativas trazendo experiência para Maria Ângela. “Tanto que, hoje, o pudim é meu carro-chefe dos doces”, orgulha-se a moradora da Vila Altinópolis.
O tempo também exercitou a habilidade e o talento. E Maria Ângela soube aproveitá-los com maestria. Além de trabalhar fora como empregada doméstica, há 15 anos ela faz marmitas saudáveis para clientes fixos. E há dois anos abriu sua microempresa. A menina que salgava a comida quando se casou, hoje chega a cozinhar para 400 pessoas em eventos especiais.
“Faço cerca de 200 unidades de marmita por mês, em casa mesmo. Não faço mais por falta de tempo. É algo que dá trabalho, porque você precisa saber comprar os produtos, ter tempo para isso. Minha filha faz faculdade de nutrição e me ajuda. Aprendi muito sobre comida balanceada e a função de cada alimento em nosso organismo”, comenta.