Alex Mita |
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Segundo Francisco Monteiro, o Chicão, número de funcionários contratados diretamente pela CPFL foi diminuído pela metade |
Enxugamento do quadro de funcionários, terceirizações de atividades-fim e menor investimento em tecnologia e capacitação de seus profissionais comprometeram a eficiência da CPFL Paulista e levaram a concessionária a reduzir sua capacidade de resposta em ocorrências de queda de energia. Esta é a avaliação do Sindicato dos Eletricitários de Bauru, que afirma que todo este processo teve início com a privatização da antiga Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em 1997.
“A fornecedora de energia deixou de ser uma empresa pública, com foco no desenvolvimento, para se tornar uma empresa privada, que se volta à ótica do lucro”, pondera o presidente do sindicato, Francisco Wagner Monteiro, o Chicão. Segundo ele, nos últimos 18 anos, o número de funcionários contratados diretamente foi diminuído pela metade em todo o Estado, totalizando, atualmente, cerca de 3,5 mil empregados.
Parte do corte teria sido “amenizada” com a contratação de profissionais terceirizados para desempenhar não apenas atividades-meio, mas também atividades-fim - para Monteiro, uma estratégia da empresa para reduzir custos. “Com isso, uma queda de energia que demorava de 15 a 20 minutos para ser solucionada, hoje demora uma hora. A que levava uma hora, hoje demora 2, 3 horas. E as pessoas (consumidores) simplesmente foram se acostumando com isso”, argumenta.
Ainda de acordo com o presidente sindical, a contenção de despesas não afeta somente a folha de pagamento, mas também investimentos no sistema e em novas tecnologias. “Além disso, os funcionários, incluindo os terceirizados, passaram a ter menos horas de cursos de capacitação. São, portanto, treinados e qualificados em menor proporção. Isso também reduz a capacidade de resposta da empresa”, pondera.
Monteiro cita, ainda, o recente fechamento do centro de operação da CPFL em Bauru, que foi transferido para Campinas. “É claro que é possível operar o sistema remotamente, à distância, mas sistemas remotos também podem apresentar falhas. E os profissionais deste centro não estão mais em Bauru para tomar decisões quando isso acontece”, diz.
Após muitos consumidores, revoltados com os prejuízos, acionarem o JC, a reportagem entrou em contato com a Promotoria da Defesa dos Direitos do Consumidor. O promotor Libório Nascimento informou que não havia nada a dizer sob o assunto por enquanto.
O outro lado
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da CPFL Paulista informou que o temporal registrado na tarde de anteontem ocasionou quedas de árvores de grande porte na rede elétrica, o que dificultou o trabalho das equipes de campo da distribuidora, que atuaram com seu quadro completo. Ainda de acordo com a empresa, para restabelecer a maioria dos casos de falta de energia, as equipes precisam do apoio do Corpo do Bombeiros e do órgão público municipal para realizar a poda e retirada de árvores – atendimento que pode durar, em média, até 4 horas.
A concessionária ressaltou, ainda, que as equipes são orientadas a dar prioridade ao atendimento a hospitais, escolas e outros órgãos públicos, além de consumidores com UTI domiciliar. “Além de contar com equipes operacionais eficientes, a distribuidora conta com novas tecnologias, como o religador automatizado, que transfere blocos de carga por telecomando reduzindo o número de clientes afetados por uma interrupção no fornecimento de energia elétrica”, diz.
A nota ainda reforça que a CPFL é a segunda colocada no ranking de Duração Equivalente de Interrupção (DEC) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2014, registrando 6,93 horas de interrupção no fornecimento de energia. O número significa uma queda em relação ao índice de 2013, de 7,14 horas.
Escolas
Duas escolas estaduais foram afetadas pela falta de energia em Bauru. A Mercedes Paz Bueno, no Higienópolis, teve o fornecimento restabelecido só por volta das 9h dessa segunda-feira (11). A unidade, que atende cerca de 500 alunos no período matutino, retomou as aulas neste horário e começou a acionar os pais que haviam levado os filhos embora para retornarem.
Já na Escola Estadual Azarias Leite, no Centro, o pátio foi alagado e interditado. Com isso, as aulas de aproximadamente 400 estudantes foram só até o período do intervalo. Depois da limpeza, foram retomadas na parte da tarde.
A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação informa que todos os conteúdos que foram perdidos serão repostos.
Apagão pode ter estragado doses da vacina e serviço ficou suspenso nessa segunda
Por conta da queda de energia que atingiu boa parte de Bauru nesse domingo (10), foi necessária a suspensão dos atendimentos dos setores de aplicação de vacina para avaliar a qualidade das doses. Assim, nessa segunda, o Departamento de Saúde Coletiva suspendeu a vacinação nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) Falcão, Geisel, Mary Dota, Nova Esperança, Cardia, Núcleo Gasparini e Vila Dutra; e também nas Unidades de Saúde da Família (USF) Vila Dutra, Santa Edwirges, Nove de Julho e Pousada 2. As demais unidades mantiveram o atendimento normal.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que todos os locais voltam a funcionar normalmente nesta terça-feira (12), uma vez que chegam novas remessas da vacina.
“Enquanto isso, o DSC aguarda o resultado da análise referente ao estoque das vacinas que se encontrava acondicionado durante a queda de energia ocorrida neste domingo. O resultado deverá definir se haverá a liberação do uso das mesmas. A análise está sendo realizada pela Diretoria Regional de Saúde do Estado (DRS-6)”, aponta a assessoria de comunicação da prefeitura, em nota.
Vila Dutra
O comunicado, na tarde de ontem, complementava que a UBS da Vila Dutra continuava com o atendimento totalmente suspenso e “a retomada das atividades depende do restabelecimento do serviço de energia e fornecimento de água no local, informa ainda a Secretaria Municipal de Saúde”.
