Eles não costumam entrar na onda de ficar todos os dias horas e horas em frente ao computador só pra ver o "tempo passar"; gostam sim de mídias sociais, mas preferem usar essas ferramentas como elemento interativo, que promova amizade, aproximação e troca de experiências; não são ?nerds? e nem ?CDFs? e se o fossem não haveria crise interior alguma, gostam de ouvir e serem ouvidos e têm certa noção de que nem tudo é possível ter... Também não se dobram às tentações da alienação, do álcool e drogas muito menos do pouco caso com o futuro e a vida em sociedade. Amanhã se comemora o Dia Mundial da Juventude.
Muitos destes jovens, fundamentalmente, investem algumas horas da agenda semanal para realizar trabalho voluntário e de convivência com crianças e idosos, se deslocando em grupo para creches e asilos; outros se reúnem com frequência para bater papo ou simplesmente cultivar o encontro e a amizade, sem disputar quem bebe mais e, inclusive, até para conviver coletivamente sem a companhia de bebida alcóolica. Acreditem, esses não competem, muito menos para ver quem bebe mais!
São pessoas comuns, mas objetivamente mais "ligadas" em algum vetor do contexto social essencialmente coletivo, diferentemente de milhares dos seus é verdade. Não julgue: eles não são santos, nem pertencem a uma confraria. Cometem seus ?pecados?, fazem até alguma ?birra? quando os pais dão bronca ou dizem "não".
São psicologicamente, emocionalmente ou socialmente incompletos. Como os jovens, oras! Mas e dai? Isso apenas ratifica que são especiais, "diferentes" sim, joias em lapidação pertencentes a uma sociedade exacerbadamente individualista. Têm fraquezas e defeitos, claro, mas não estão o tempo todo olhando para o próprio umbigo ou o espelho. Eles formam uma moçada que tem orgulho próprio. E, por isso, estão à frente na jornada da vida de milhões de desavisados, alienados, subjugados, desantenados.
Eles são jovens de senso social, coletivo! E, segundo psicólogos, o elo psicossocial em comum a esses grupos pode ser a sensação de pertencimento. Compartilhar gostos, comportamentos, acolhimento, ternura, amizade, conhecimento, brincadeiras, ou qualquer outra forma de "vida sadia" pode significar ? também - para o coração dessa juventude - que quer ser ouvida e participar - que "precisamos nos sentir como pertencentes a tal lugar, a um agrupamento social e, ainda, sentir que esse lugar de alguma forma nos pertence".
Assim, acreditam que podem formar elos, ser aceitos socialmente. A percepção é a de que esses jovens acreditam que podem interferir em algo. E, acima disso, olhando pra eles, a sensação é de que vale a pena adentrar nas rotinas e nos rumos de algum lugar ou feito. E aqui, pouco importa se são poucos. Não estou tratando de empirismo, nem de estratificação. Estou falando da necessidade de pertencimento, a busca deles por aceitação em grupo, seja qual for - religioso, político, social. Isso, talvez, explique, porque eles se agrupam entre iguais. Nós, aqui, é que podemos estar completamente errados em considera-los "diferentes"...
O autor é jornalista do Jornal da Cidade, da TV Câmara Bauru e compositor