Quando a reportagem chegou, César Aparecido Alves, que é zelador de um edifício no Jardim Brasil, havia acabado de fazer a poda de gramas, árvores e deixar limpos os jardins. Todas as áreas verdes ficaram sem margem para acúmulo de água em caso de chuva ou mesmo na rega das plantas.
Há dois anos trabalhando no edifício Anavilhanas, ele aprendeu bem a lição e passou a ser orientador de moradores para que evitem o acúmulo de plantas e cuidem das sacadas.
César comenta ainda que, por estar em um prédio onde há muitos moradores jovens, em função da proximidade com uma universidade, ele não encontra resistência nos apartamentos para eventuais fiscalizações. “Os jovens demonstrar ser bastante conscientes. Colaboram muito, graças a Deus. Estudam e são bem informados. Aqui não temos problemas, ao contrário, todos ajudam muito”, destaca.
Ele está nesse tipo de trabalho há 14 anos, mas também relembra que, em emprego anterior, encontrou resistência. “Havia moradores que, além de não fazerem a limpeza do local, não deixavam ninguém entrar para limpar” relata.
Imóveis fechados
Além dessa ação com síndicos, zeladores e empresas que fazem a terceirização dos serviços de limpeza, a regional Secovi-SP em Bauru vem alertando as imobiliárias para que orientem seus profissionais, no caso os corretores, para fiscalizar, durante visitas, os imóveis fechados à venda ou para locação. Sempre uma colaboração a mais que, neste momento, não deve ser dispensada.
A ação dos agentes públicos
Paralelamente à ação da população, os condomínios recebem também a visita dos agentes públicos de saúde. A Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde informa que as visitas nos condomínios verticais são feitas pelos agentes tanto na rotina casa a casa (no caso, “apê a apê”), quanto nos bairros que estão com transmissão elevada de dengue.
A visita é feita segundo as normas e recomendações técnicas para vigilância e controle do Aedes aegypti, decretadas pela Superintendência do Controle de Endemias (Sucen), em vigor desde 2008. O trabalho começa a partir da área coletiva do prédio. Na sequência, o subsolo e a cobertura.
O agente então inicia a vistoria nos apartamentos à partir do andar mais alto previsto para o trabalho (primeiro andar ou andar superior a este, de acordo com as características do prédio),onde são eliminados criadouros, tudo aquilo que pode acumular água.
Existindo caso confirmado de dengue na área, os agentes aplicam larvicida nos criadouros que não puderem ser eliminados. Na sequência, é a equipe de nebulização que faz o mesmo itinerário.
A única ação que não é feita é a aplicação de inseticida nos apartamentos. Nas demais, a rotina é a mesma das ações em casas térreas.
Indo além da dengue...
Como se já não fosse o suficiente os surtos de dengue, gripes e resfriados também têm sido causa de preocupações nos edifícios. E como viver tranquilamente, sem medo de contrair um vírus ao tocar em corrimões, botões de elevadores, maçanetas de portas onde a circulação é constante? Nos casos de condomínios verticais, onde a circulação é grande, e também em empresas com alto número de funcionários, cuidar da limpeza é crucial.
Para Amilton Saraiva, especialista em condomínios e que atua em uma empresa fundada em 1994 especializada em gestão de serviços, é preciso ir além das limpezas comuns ou sazonais. “É recomendável a contratação de serviços profissionais em que as pessoas tenham conhecimento sobre a melhor forma de higienização e qual a frequência ideal para cada tipo de serviço”.
Para ele, o mais indicado “é a contratação de empresas especializadas, confiáveis e que possuem funcionários treinados especificamente para esse tipo de trabalho”. Auxiliares de limpeza e de serviços gerais precisam sempre receber treinamento e se reciclarem nas técnicas de higienizar ambientes. “Esses profissionais devem receber treinamento com instruções teóricas e práticas”, lembra ele, que ressalta também a necessidade da existência de encarregados que fiscalizam se o trabalho está se “desenvolvendo de acordo com as instruções”.
Isso porque higiene não é um assunto que possa ser negligenciado. Em cada condomínio, não adianta apenas os condôminos cuidarem de seus apartamentos, se as áreas comuns e sociais não estiverem limpas e bem apresentáveis.
Diariamente
Entre as medidas mais recomendadas, estão as que envolvem os locais de presença de crianças: salões de festas, parquinhos e playgrounds. Estes precisam ser bem limpos, higienizados sempre e, muitas vezes, são locais negligenciados. Abrem-se somente as janelas de salões, para arejar o local quando vai haver festa. Naquele momento, o ar preso e viciado pode estar cheio de vírus e bactérias.
Por isso, entre as recomendações para quem faz a higiene desses locais, está a lógica: não basta manter a boa aparência, é preciso ir além. Quer um exemplo de medida simples, mas eficaz? É preciso recolher o lixo pelo menos uma vez ao dia. Os cestos e latas devem ser higienizados constantemente. Igualzinho se toma banho e se escova os dentes sempre. Essas são medidas que não podem ser postergadas. Têm que ser um exercício diário.
A saúde pública agradece. E o risco de epidemias diminui muito.