Regional

CEIs investigarão irregularidades em Bocaina

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Renan Rossi

Câmara de Bocaina decidiu na segunda (25) instalar duas Comissões Especiais de Inquérito (CEIs)

Os vereadores de Bocaina (69 quilômetros de Bauru) decidiram, por unanimidade, na sessão da Câmara dessa segunda-feira (25), instaurar duas Comissões Especiais de Inquéritos (CEIs) para apurar supostas irregularidades que teriam sido cometidas pelo atual prefeito da cidade, José Carlos Soave (PSB).


A investigação, conforme o JC tem noticiado, recai sobre a compra de alimentos de um supermercado do município com dispensa ilegal de licitação, realizadas em 2013, e que teriam montante aproximado de R$ 300 mil, e sobre o contrato da prefeitura com uma empresa de gerenciamento de lixo doméstico, que mesmo depois de ter deixado de prestar a atividade de forma regular no município continuou recebendo cerca de R$ 42 mil mensais, previstos no contrato com a prefeitura.


Os casos foram desmembrados em duas CEIs por tratarem de assuntos diversos, mas a composição das comissões será a mesma e ambas terão prazo de até 120 dias, que são prorrogáveis, para apurar as suspeitas.


Simultaneamente ao trabalho do legislativo, os casos seguem investigados em ações criminais instauradas junto à delegacia Seccional de Jaú, sob a responsabilidade de Wanderley Benedito Vendramini, delegado da assistência criminal, que já apura outras denúncias contra o mesmo prefeito.


Acusações


O presidente da Câmara, Adriano Roberto Baroni (PSD), aponta que há fortes indícios em relação às irregularidades apontadas.


“A Câmara recebe boletins diários das compras, e vários itens comprados neste supermercado não correspondem com as necessidades”, comenta.


Sobre as acusações envolvendo a empresa de lixo, Baroni é ainda mais incisivo. “Depois do primeiro trimestre de 2013, o lixo começou acumular, mas a empresa continuou recebendo. O município, inclusive, tomou várias multas da  Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) por causa disso”, frisa.


A reportagem tentou contato ontem à tarde com o prefeito José Carlos Soave (PSB), mas ele não retornou às ligações até o fechamento desta edição.


O diretor de Desenvolvimento Econômico e Social do município, Wilson Aparecido Ruís, não quis se pronunciar sobre o assunto.


LEI


A aquisição de produtos sem licitação é considerada crime. Legislação prevê pena de 3 a 5 anos de prisão mais multa


Composição


A CEI é presidida pelo vereador Jonas de Souza Amaral (PT) e tem Adriano Baroni como relator e Caio Clemente de Almeida Prado (PTB) como membro.


A Lei de Licitações considera crime a aquisição de produtos com dispensa ilegal de licitação e estipula pena de 3 a 5 anos de prisão mais multa. A mesma pena recai ao proprietário da empresa beneficiada, considerado coautor. O pedido de CEI já havia sido assinado por sete dos nove vereadores da cidade nas últimas semanas.

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