O trecho paulista da hidrovia Tietê-Paraná, uma importante via de escoamento de grãos, celulose e outros granéis, deverá ser reaberto em meados do segundo semestre, após ser fechado em 2014 devido à crise hídrica no Sudeste, disse nessa quarta-feira (27) o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Mario Povia.
Segundo ele, a reabertura será possível devido a obras de intervenção a serem realizadas pelo governo paulista, como a instalação de ensecadeiras para elevar o nível de água na hidrovia. “Isso vai melhorar a condição de navegação no trecho paulista e viabilizar a movimentação de celulose, grãos e combustíveis”, disse Povia, durante evento da Frente Parlamentar em Defesa dos Portos, Hidrovias e Navegação do Brasil, em Brasília.
Segundo o diretor da Antaq, o plano de intervenções já obteve o aval do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que regula o uso da água para geração de energia elétrica, e já foi avaliado pela Agência Nacional de Águas (Ana). A hidrovia está fechada desde maio de 2014.
As chuvas de verão no início deste ano, usualmente a época mais chuvosa do Sudeste do Brasil, não foram suficientes para elevar o nível da água para o trânsito de barcaças.
O governo de São Paulo havia dito em comunicado em setembro do ano passado que a hidrovia seria reaberta em janeiro.
A hidrovia transporta 8 milhões de toneladas de carga por ano, incluindo 2,5 milhões de toneladas de soja, milho e outros subprodutos de soja, principalmente do Mato Grosso e Goiás, rumo a indústrias e portos.
Prejuízos
No final de abril, em encontro em Barra Bonita, sindicatos e empresas ligadas ao setor contabilizaram que o prejuízo chega a R$ 200 milhões de perdas direta e indireta e pelo menos 1.000 demissões desde a suspensão da navegação, a partir de maio do ano passado.
A suspensão no transporte de carga de longo percurso ocorreu porque as usinas de Três Irmãos e Ilha Solteira passaram a gerar mais energia, reduzindo o nível de seus lagos, que são interligado com o Canal de Pereira Barreto.
Na região de Bauru de Botucatu, a medida provocou de imediato a paralisação dos entrepostos de Pederneiras e Anhembi.