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Escola tem mortandade de pombos e caso será apurado

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Pelo menos 12 sacos de lixo - de 40 litros - com pombos mortos foram recolhidos na Escola Estadual Carlos Chagas, Vila São Paulo, em Bauru. O local enfrenta uma infestação das aves. Para apurar o que teria motivado a mortandade, a prefeitura comunicará a Delegacia de Crimes Ambientais, que investigará o caso.  Na tarde desta quarta-feira, a administração municipal enviou um técnico ao local. 

 

O profissional (que pediu para ter a identidade preservada) informou que enviaria o relato da situação às autoridades, ainda ontem. O conteúdo do material, porém, não foi divulgado. A Secretaria de Educação do Estado, por meio de assessoria de comunicação, confirma ter recolhido 17 sacos plásticos, entre aves mortas e sujeira. No entanto, nega que os animais tenham sido envenenados (veja mais ao lado).

 

Os pombos foram encontrados dentro das tubulações e calhas da escola. A situação inusitada e, principalmente, o mau cheiro, suspenderam as aulas do período noturno de terça-feira. 

 

O Jornal da Cidade esteve no local anteontem à tarde e acompanhou, do lado de fora, o trabalho de retirada dos animais feito por funcionários da Emdurb, após inspeção realizada no prédio por fiscais da Vigilância Ambiental. 

 

Enquanto a equipe de reportagem permaneceu em frente à instituição, foi possível observar grande quantidade de pombos sobrevoando o local. De acordo com relatos de um funcionário, que não quis se identificar, a direção do colégio teria optado por espalhar veneno em pontos estratégicos do imóvel, para controlar a infestação. No retorno às aulas, após recesso do feriado de Corpus Christi, alunos e funcionários teriam sido surpreendidos pelo forte odor. “Acredito que os pombos tenham morrido na caixa d’ água”, disse. 

 

O funcionário disse ainda que, na terça-feira, foi realizada limpeza em calhas e tubulações da escola - de ensino médio (noturno) e fundamental -, com cerca de 1.400 alunos. “Jogaram água com cloro e, de repente, começaram a descer pombos mortos pela calha, durante o recreio”, relatou. 

 

Recolha 

 

Na quarta-feira à tarde, após cerca de duas de inspeção no interior da escola, fiscais da Vigilância Ambiental constataram a grande quantidade de pombos mortos e acionaram uma equipe da Emdurb. Os animais foram levados para o aterro sanitário e colocados na câmara fria, onde são depositados os lixos infectantes, conforme informou a autarquia, por meio de assessoria de comunicação. 

 

Em seguida, a empresa Sterlix Ambiental Tratamento de Resíduos recolheu os pássaros e os levou até a Unidade de Tratamento de Resíduos de Saúde, em Piratininga. 

 

Zoólogo

 

A grande quantidade de pombos mortos no mesmo local, em um curto período de tempo, causou estranhamento ao zoólogo e professor da Unesp de São José do Rio Preto, Arif Cais. Em entrevista ao JC, ele afirmou que o fato pode ser considerado como “indicador de envenenamento”. 

 

“É muito difícil haver mortandade de pombos sem uso de veneno. Tinha que pegar uma ave dessa e mandar para o Centro de Atenção Toxicológica de Botucatu (Ceatox) para fazer uma análise. Se for confirmado, trata-se de crime ambiental, passivo de cadeia”, apontou. 

 

O que diz a lei

 

A Lei 9.605, de fevereiro de 1998, mais conhecida como Lei de Crimes Ambientais, discorre sobre as situações e punições se comprovado que houve a morte propositaldos pombos. 

 

Em seu artigo 29, afirma que “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida” é cabível de “detenção de seis meses a um ano, e multa”.

 

Secretaria: gradil pode ter sido causa das mortes

 

Por meio de assessoria de comunicação, a Secretaria de Educação do Estado informou que os funcionários sentiram forte cheiro semelhante a animais mortos e, ao limpar as calhas e tubulações, encontraram os pombos sem vida. 

 

O órgão, contudo, associa as mortes à estrutura do gradil (grade usada para cercar o local), que não teria sido instalado nas calhas. Assim, a pasta aponta que os pombos entraram no local, mas não conseguiram sair. 

 

Informou ainda que enviou uma equipe do núcleo de obras da Diretoria de Ensino para averiguar as supostas falhas na estrutura e providenciar o conserto se for necessário. 

 

Segundo a pasta, o caso é inédito em escolas do Estado e, apesar dos transtornos, as aulas não foram suspensas na quarta-feira e nem alunos ou funcionários teriam apresentado problemas de saúde. 

 

Sobre a caixa d’ água, a pasta garantiu estar totalmente vedada. 

 

Riscos à saúde

 

Em relação à infestação de pombos na escola, o zoólogo Arif Cais enumera diversas doenças provocadas pela ave, desde asma a uma série de viroses. “Os pombos têm, nas fezes, salmonela, que produz uma infecção gastrointestinal muito grave”. 

 

Cais explica que os pombos são aves exóticas e vieram da Europa para o Brasil no início do ano 1500, trazidos por padres portugueses.  A espécie, segundo o especialista, habita em construções e o que o faz os pombos permanecerem por bastante tempo em um único ambiente é o fato da população alimentá-los. “O fator principal para afastar os pombos é a educação. Em escolas, deve-se ensinar as crianças a não jogarem alimento no chão. Outras medidas preventivas podem dar certo como eliminar a área de pouso do animal. Matar, nunca”, defende. 

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