Tribuna do Leitor

Chega da mediocridade do futebol!


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Sim, amigos, eu sei que dói. Dói aceitar que o seu time do coração já não joga com a mesma raça de antes, que os estádios estão vazios e o preço dos ingressos se equiparam àquele rodízio de carne que você tanto queria ir. Eu sei, amigo, eu também estou desse lado. Eu, assim como você, dedico certo tempo do dia pra ir a sites de esportes ler sobre o meu time e alimentar minhas esperanças de sucesso nessa temporada (esse ano vai!). Enfim, também imagino que você conheça a rotina de ir ao estádio assistir a seu time (mesmo que faça certo tempo) e a sensação de ouvir a torcida. É revigorante, não é? Se você é apaixonado como eu, sabe do que eu estou falando.

Mas, ultimamente, tem sido difícil, admito. Você se lembra da última vez, por exemplo, que ficou verdadeiramente empolgado com um jogo da seleção da CBF? (Só de escrever essa sigla já me dá coceira). Tirando Neymar (que não é unanimidade) e Jefferson (joga a série B no Fogão por amor), o que eu vejo em campo são outros 9 jogadores de chuteira colorida. Lembra-se do tempo de Ronaldo? Rivaldo? Zico? Sócrates? Garrincha? Pois bem, você vê alguma similaridade das seleções desses monstros com a atual? Pois é, e naquela época eles bebiam cachaça e fumavam.

Dizer então de um clube como o Corinthians, que perde em casa para o Guaraní-PAR de forma apática (aquelas que dá vontade de pedir o dinheiro de volta) e frustra a todos que só queriam ter uma esperança? O problema não é perder, é passar raiva com um time sem raça nenhuma. O problema é não ter a garra que, por exemplo, o River Plate teve ao derrotar o Cruzeiro por 3×0 em pleno Mineirão lotado. Você acredita que seu time seria capaz de fazer o que os argentinos fizeram? Duvido.

Continuamos insistindo em jogadores como Alexandre Pato, que ganham 800 mil reais/mês e que fazem biquinho quando vão para a reserva, jogadores como Leandro Damião, que não conseguem justificar o alto investimento feito, e em comentaristas como Caio Ribeiro, que sempre veem o lado bom de tudo. Chega! Chega de Gabigols sendo exaltados porque eram astros da base. Quer ser exaltado? Ganhe alguma coisa carregando seu time formado por jogadores dispostos a grandeza, até lá você não será nada!

Não é possível que eu seja o único cansado dessa enxurrada de bobeira que cerca o futebol brasileiro. Houve um certo tempo em que o futebol respirava sem aparelhos, acredite. Tempos de craques que resolviam dentro de campo, que revidavam sem chorar, tempos de capitães que não choravam pra bater o pênalti e eu te pergunto: onde foi parar esse futebol?

Sufocado por dirigentes gananciosos, arenas sem personalidade e jogadores mimados, a essência do futebol brasileiro desaparece aos poucos, deixando nós, apaixonados, cada vez mais órfãos e com saudade de tempos que parecem não voltar tão cedo. As perspectivas não são animadoras, as situações são adversas mas, se sobra algo para comemorar, pelo menos ainda temos a camisa que entra em campo todo domingo. Graças a Deus, sem você eu morreria. Ódio ao futebol moderno, vida longa às chuteiras pretas.

Marcos Cassiano

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