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Postura sofre com descuido diário

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Experimente observar uma fila, seja de caixa eletrônico, banco ou até um ponto de ônibus. Conte nos dedos de uma única mão quem estiver com uma boa postura. E mais: alguém está olhando para a frente? Difícil, né? A maioria das pessoas está focada no celular. 

 

Em tempos de smartphones (cuidado que o pescoço curvado, o que pode render dores nas costas), horas no trânsito ou à frente do computador, quem não apresenta um problema, por menor que seja, na coluna, ou nos músculos?

 

Fisioterapeutas dão o caminho para reprogramar o corpo para viver em pé e descansar deitado sem problemas. O que parece óbvio, porque o ser humano foi feito para isso, esse é o desenvolvimento natural de nossa compleição física. 

 

“Assim sendo, sintomas como dor, cansaço persistente na região do pescoço e dorso, na região da cintura e pernas devem ser investigados, pois denotam sinais de compressão articular e sobrecarga muscular. E claro a postura, precisa ser vista”, lembra Silvana Mara Saraiva, fisioterapeuta com larga experiência na área de RPG (Reeducação Postural Global). Formada pela  Philippe Souchard desde 1997, atuando nessa área desde então em Lençóis Paulista.

 

Sinais evidentes

 

“Em alguns casos os problemas posturais são visíveis a olho nu, e em outros devem ser investigados por profissionais como o médico ortopedista e o fisioterapeuta. Em linhas gerais, Silvana lembra que são muito importantes a assimetria dos ombros e tórax  no comprimento das pernas, verificados quando a bolsa não para no ombro e uma barra da calça se desgasta porque encosta mais no chão”.

 

Outra boa dica é verificar os sapatos. Quando o solado se desgasta mais em um dos pés, ou na lateral ou no meio, o salto entorta, há indícios de alterações importantes nos pés, joelhos e bacia comprometendo assim também a coluna.

 

Diagnóstico

 

O médico e o fisioterapeuta são os profissionais habilitados para avaliar os desvios da coluna. O primeiro dispõe das ferramentas para avaliar a gravidade do problema com uso de RX, tomografia e ressonância magnética e pode indicar até cirurgia e medicações quando necessário. “Já o fisioterapeuta dispõe de conhecimento das técnicas para o tratamento, caso a caso, como a RPG, quiropraxia, Pilates, entre outros”, lembra Silvana.

 

Prevenção

 

 Um dos aspectos mais importantes é a prevenção. Silvana Saraiva ensina:

 

Ergonomia - É  importante ter um mobiliário adequado para aquelas pessoas que trabalham ou estudam e ficam longas horas sentados como cadeiras que deem um bom apoio lombar e dorsal (ergonômicas e que tenham uma altura adequada de tal forma que a pessoa possa se manter bem apoiada no assento da cadeira e os pés fiquem bem apoiados no chão

 

Pegar peso - evitar carregar objetos pesados, especialmente os acima da sua capacidade. Em média, o ideal é que se pegue abaixo de 10% do peso corporal de cada indivíduo para ter uma postura saudável. 

 

Movimentos bruscos - Evitar movimentação repentina e fora do usual durante a realização de atividades da vida diária. Exemplo: subir uma escada para alcançar objeto, entrar embaixo de móveis, virar rápido demais. Sem o devido preparo físico pode resultar em lesões graves e até quedas.

 

O site do Ministério da Saúde traz várias ilustrações mostrando como devem ser os movimentos e a postura ao caminhar, deitar-se, pegar algo do chão, levantar-se, dirigir, realizar atividades domésticas. Acesse: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/159corrija_postura 

 

Jornalista conta sua experiência

 

Elaine de Sousa, jornalista há mais de 15 anos, atualmente e respondendo pela assessoria de imprensa da Famesp (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar), atendendo as contas de oito serviços de saúde do Estado: Hospital Estadual, Hospital de Base, Hospital Manoel de Abreu, Maternidade Santa Isabel e AMEs de Bauru, Itapetininga, Tupã e Ourinhos, tem motivos para ficar estressada, só pelo trabalho em si. Mas também é ela própria buscadora de soluções. Aqui ela conta sua experiência para sair do que chama “automático” e criar mais consciência corporal.

 

Equilíbrio entre alma e físico é vital

 

Existem cientistas e psicoterapeutas que, estudam a influência da postura nas emoções e a influência das emoções na postura, concluindo que ambas estão intimamente relacionadas. Assim, deduz-se que desarranjos posturais podem gerar distúrbios fisiológicos. É nessa linha que atua em Bauru o Grupo “A Alma e o Corpo em Movimento” coordenado pela psicoterapeuta Geni Concuruto Reche. Resumidamente chamado Grupo de Movimento, a iniciativa surgiu a partir do desenvolvimento das psicoterapias corporais. “Um trabalho que visa o desencouraçamento das pessoas e a serviço da espontaneidade perdida nos momentos e atitudes do ser humano” explica Geni. Destinado a quem se interessa pelo autoconhecimento e quer ter mais consciência corporal.

 

Através de exercícios simples a pessoa volta a ter identificação com seu corpo, com suas possibilidades de vibração e busca de prazer. “Colocar o corpo em movimento, propiciando aumento  da flexibilidade e de autoexpressão dos sentimentos resulta em aumento de vitalidade e graciosidade que somadas com a autopercepção culmina na aquisição de autoconhecimento profundo e a sensação de estar em posse de si mesmo”, lembra Geni. Resultado: uma postura mais leve e direta para quem pratica os exercícios “corporais específicos da Análise Bioenergética, Biodinâmica e Biossíntese (correntes da Psicologia Corporal), além de meditação, técnicas de relaxamento, dança, levando cada indivíduo a fazer  contato consigo”.

 

Depoimento

 

“O nome do grupo já diz muito. Busco exatamente o equilíbrio entre alma e corpo. Muitas vezes, tomados pelas obrigações do cotidiano, percebemos que nem mesmo a nossa respiração é notada como se deve. É como se tudo estivesse no ‘automático’. Aí, somos surpreendidos quando alguém aponta e explica que essa ou aquela postura está errada e traz danos à nossa saúde. A vida segue cada vez mais corrida e nos cobra cada vez mais. Então, a gente acaba se intelectualizando, carregando diversos certificados embaixo do braço, mas se dá conta de que pouco conhece sobre o nosso próprio corpo, seus limites e principalmente suas potencialidades. Essa foi uma das razões que me levou até o prédio onde semanalmente a Geni partilha seus conhecimentos. Acometida há anos por um sofrimento psíquico causado por conflitos no ambiente de um antigo trabalho, eu já fazia acompanhamento com psiquiatra e psicóloga. Mas o grupo vai além. Em conjunto, encontramos respostas muito interessantes. É claro que a busca de cada um é naturalmente individual. Mas no grupo a gente aprende com a busca do outro também. É uma troca e um partilhar constantes”.

 

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