Araras e cabides expostos em praça pública para que moradores de rua e quem mais precisar tenham a oportunidade de escolher roupas e calçados, gratuitamente. Esta é a ideia do The Street Store, iniciativa voluntária e sem fins lucrativos que será realizada pela primeira vez em Bauru, em agosto, na Praça dos Expedicionários, na Bela Vista.
A ideia é garantir que a população carente tenha o direito de escolher o que vestir, algo que normalmente não faz parte do cotidiano dessa parcela da população. Em Bauru, a dona de casa Eliana Bulbov e a filha Stephanie Silva são as organizadoras da ação beneficente.
“Minha filha gosta do trabalho voluntário, inclusive ajuda na Casa da Criança, e viu a história do projeto na internet. Resolvi ajudá-la exatamente porque a inciativa se difere das demais no momento em que oportuniza a escolha. Receber doações é comum, mas as pessoas acabam ganhando peças que não servem. Com o The Street Store, não. Eles terão a oportunidade de escolher a peça de acordo com o tamanho, cor, gosto...”, grifa Eliana.
Moradoras do Jardim Bela Vista, bairro onde será realizado o “bazar de rua”, Eliana e a filha estão em fase de arrecadação. Podem ser doados, principalmente, roupas e calçados femininos, masculinos, de adulto, criança, bebê. Também são aceitos acessórios como: cintos, lenços, bonés, chapéus, cangas, bolsas, mochilas, carteiras...
“Tudo o que recebermos será repassado aos moradores de rua. Nossa ideia é fazer a feira no começo de agosto, e o que sobrar ficará para a próxima edição”, garante Eliana.
Inspiração
O The Street Store teria surgido em 2014 na Cidade do Cabo, África do Sul, e se espalhou para centenas de cidades de países como Estados Unidos, Canadá, México, Argentina, Costa Rica, Bélgica, Colômbia, Gana, Índia, Reino Unido e Senegal, Honduras, entre outros. No Brasil, o The Street Store já foi feito em capitais como São Paulo e Fortaleza e em Belo Horizonte.
Saiba mais em: https://thestreetstore.org
Serviço
As peças podem ser entregues no número 6-35 da rua Consolação. As voluntárias também podem buscar as roupas nos endereços mencionados pelos doadores. Mais informações pelos telefones (14) 3241-0049 e 98228-8905.
Iniciativas semelhantes são feitas há alguns anos em Bauru com sucesso
Em Bauru, existem iniciativas parecidas com o The Street Store. Entre elas destaca-se o “Cabide Solidário do Agasalho”. Realizado pela segunda vez no Terminal Rodoviário, a ação segue até o fim do mês de agosto.
O projeto é desenvolvido pelo vereador Markinho da Diversidade e pelo presidente da Associação Bauru Pela Diversidade (ABD), Rick Ferreira, em parceria com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e Emdurb. A população também pode participar fazendo suas doações. Para isso, basta se dirigir ao Terminal Rodoviário e pendurar as peças que desejam doar diretamente nos cabides.
Em 2013, o Jack Music Pub criou um “varal solidário” para moradores de rua em um poste que fica em frente à casa noturna, na avenida Duque de Caxias, 8-56. Os proprietários da casa e a população abastecem o “varal”, que fica à disposição dos que passam pelo local.
Casa da Sopa
A Casa da Sopa também distribui roupas para a população em moldes parecidos. A próxima edição da Campanha do Agasalho da Casa da Sopa será na próxima quarta-feira, na quadra 4 da Alameda Três Lagoas, na Vila Dutra. “Colocamos tudo sobre uma lona e as pessoas escolhem o que querem levar. Fazemos dessa forma há 20 anos”, comenta a coordenadora da entidade, Rose Lopes.
Além de roupas e calçados, a Casa da Sopa recebe móveis e eletrodomésticos que são doados para famílias carentes, asilos, comunidades terapêuticas ou são vendidos no bazar da pechincha, para a arrecadação de fundos. No entanto, Rose está decepcionada com as doações recebidas, muitas vezes vindas de pessoas abastadas. São móveis e eletrodomésticos quebrados, sem utilidade alguma.
“A entidade, que é pobre e vive da colaboração alheia, em muitas ocasiões gasta o dinheiro ganho com muito trabalho com festas e a venda de artesanato para buscar móveis e colocar nas casas humildes. Pobre não tem dinheiro para consertar e a Casa da Sopa da Vila Dutra também não. As pessoas devem doar o que usariam, mas estão usando a gente como depósito de lixo”, desabafa.