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Cadê o amar?

Wellington Martins
| Tempo de leitura: 2 min

Notícias novas! Para saciar a sede de espetáculo do consumidor médio, adestrado, ávido por novidades ? mesmo que odiosas: "PM do Rio afasta 14 policiais do Bope suspeitos de ocultar o cadáver de Amarildo". Qual Amarildo mesmo? Ah, sim, aquele coitado (que foi) sumido em 2013. Já acharam? Não. Tampouco réus confessos...

Mas há policiais suspeitos! E são os de farda preta ainda, o orgulhinho cego dos militaristas mais pueris. Não um nem dois, mas quatorze "policiais de elite" afastados de uma só vez; todos Faca na Caveira ? como se polícia fosse para ostentar a morte e não para preservar a vida!

A hashtag #CadêoAmarildo tomou as redes sociais em 2013, num gesto de amor e aliança. Já hoje, é mais a família dele mesmo quem ainda se pergunta.

2013, aliás, foi um ano agitado, passional; todo mundo na rua, até a nova classe média brasileira ficou politizada de repente... Lembra? Mas euforia é coisa muito líquida! E na luta política só fica quem tem valores sólidos ? ou quem já não tem mais valor nenhum.

Assim, a classe média de 2013 voltou para casa (este ano alguns até arriscaram bater panelas em nome de impeachment, veja só onde estamos!). Já a classe baixa continua na rua, claro ? muitos, na verdade, moram na rua... E o Amarildo, servente de pedreiro, porém, nunca mais conseguiu voltar para casa; deixou seis filhos sem pai...

Enfim, agora, quem ainda ousa sentir e ousa se compadecer com a dor alheia ainda pode perguntar "cadê o Amarildo?". E diante da violência gritante ? ora vinda de criminosos comuns, ora vinda de criminosos bem treinados (fardados) ? quem percebe o veneno odioso que há nesse tipo de caso certamente ainda se pergunta: cadê o amar?


O autor é graduado em filosofia
e mestrando em comunicação

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