Com enfoque principal nesses três temas, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) do Estado de São Paulo (com delegação do Paraná) continua a Ação Internacional 2015 com um evento em Registro, no Vale do Ribeira. Esta Ação se iniciou no dia 8 de março, teve continuidade com um ato de solidariedade com as 1.138 costureiras mortas (e outras 2500 mutiladas) no criminoso desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 24 de abril de 2013.
Nós, mulheres, mobilizadas por autonomia econômica, nos posicionamos contra a mercantilização da natureza, do corpo e da vida. Afirmamos nosso compromisso com a economia solidária, a agroecologia, as experiências e o conhecimento e práticas das mulheres como caminho para transformar o modelo de produção, reprodução e consumo que explora nosso trabalho e nosso corpo, além de esgotar a natureza. Nos dias 10 e 11 de julho próximo, estaremos em Registro, no Vale do Ribeira, em uma intensa programação, com oficinas, formações coletivas e um ato público de encerramento. 25% da população vive na área rural. Abriga mais de 7 mil agricultoras e agricultores familiares, 159 famílias assentadas, 33 comunidades quilombolas e 13 territórios indígenas. A região é formada por 25 municípios e abriga a maior porção da Mata Atlântica com 12 unidades de conservação, 7 parques estaduais, 3 áreas de preservação ambiental e 2 estações ecológicas.
Entre 22 de abril e 1 de junho de 1970, o Vale do Paraíba foi alvo de uma operação de guerra. 2.954 oficiais do II Exército, Marinha, Dops, paraquedistas das forças especiais, Polícia Militar e Rodoviária de São Paulo, mobilizaram-se para capturar 9 membros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Anne Vigna, Luciano Onça e Natália Viana, da Agência Pública, fizeram duas viagens para entrevistar 12 testemunhas dos bombardeios que o exército sempre negou. Testemunhas afirmaram que houve bombardeios com napalm, o que consta também de um relatório oficial da II Exército: aviões T-6 e B-26, da Força Aérea Brasileira (FAB), bombardearam o Vale do Ribeira com Napalm, entre os dias 30 de abril a 04 de maio, na região da Capelinha.
Embora sempre negadas, Yves Boulnois, adido militar francês escreveu sobre os bombardeios ao Ministério de Defesa da França. O Jornal do Brasil noticiou que aviões da FAB despejaram grandes quantidades de napalm na zona rural habitada. Alguns agricultores lembram que foram avisados pelos militares para que não se dirigissem para aquele local. As testemunhas guiaram as jornalista até o local onde as carcaças ainda estavam na floresta há 44 anos: foram recolhidas e enviadas oficialmente à Comissão da Verdade da Assembléia Legislativa de São Paulo. Veja o vídeo com testemunhas oculares http://migre.me/q0MpT.
Iolanda Toshie Ide