Aceituno Jr. |
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Dois acidentes foram registrados e a Polícia Rodoviária teve que empenhar todo seu efetivo de viaturas para desviar e organizar o tráfego no quilômetro 336 da Rondon |
O engenheiro de uma empresa que realizava manutenção no viaduto da Marechal Rondon (SP-300), em Bauru, recebeu voz de prisão da Polícia Rodoviária no início da noite dessa quarta-feira (1), acusado de periclitação da vida, após acidentes serem causados por conta das obras. O policiamento afirma que o horário limite para executar reparos é 17h, o que não teria sido respeitado pelo funcionário.
G.D. (apenas as iniciais foram divulgadas pela polícia), 24 anos, chegou a ser detido, porém, o crime, segundo a Polícia Civil, não ficou configurado, uma vez que não houve dolo (intenção de colocar pessoas em risco) por parte do funcionário. Uma ocorrência não criminal foi registrada e o engenheiro liberado por volta das 21h30.
O homem era o responsável por uma obra de manutenção realizada na pista direita do dispositivo localizado no quilômetro 336 da Rondon, no sentido Capital-Interior, que fica sobre a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225).
Enquanto a obra ocorria, duas colisões traseiras, leves, entre carros foram registradas no trecho de mais de dois quilômetros que estava sinalizado apenas com cones antes do viaduto.
Horário limite
O problema é que, conforme explica o tenente da Polícia Rodoviária Gabriel Eleutério Garcia, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) autoriza obras em rodovias somente até as 17h.
“Houve um erro de planejamento e eles não comunicaram a polícia sobre o atraso. Segundo eles, as obras iriam até as 20h. Só ficamos sabendo disso quando fomos acionados por conta dos acidentes”, comenta o tenente. “O fluxo aumenta muito nesta rodovia à noite por causa das universidades e da volta do trabalho. Isso não poderia ter ocorrido. Obras à noite precisam de iluminação especial e de apoio da polícia”, pontua.
Desvios e transtornos
A Polícia Rodoviária empenhou todo seu efetivo de viaturas para desviar e organizar o tráfego no local, segundo o tenente.
Por volta das 18h40, quando o segundo acidente foi registrado, entre um Ford/Fiesta e um Renault/Clio, ambos com placas de Bauru, a Polícia Rodoviária interditou o acesso à Rondon por meio da vicinal existente no sentido Capita-Interior.
Antes, a entrada para a alça de acesso à Rondon no quilômetro 336, para quem segue pela Comandante João Ribeiro de Barros, sentido Ipaussu-Pederneiras, também já havia sido interditada.
“Nos boletins de ocorrência dos acidentes de trânsito vamos acrescentar essa informação sobre a obra. Também documentaremos o ocorrido para a Artesp, que regula as concessionárias. Uma tragédia poderia ter ocorrido aqui”, reforça o tenente Eleutério.
O engenheiro recebeu a voz de prisão no local e foi conduzido até a Central de Polícia Judiciária (CPJ). A ocorrência não criminal foi conduzida pelo delegado plantonista Milton Bassoto Júnior.
Posicionamento
De acordo com a Polícia Rodoviária, a Via Rondon seria a concessionária responsável pelo trecho e pela terceirização da empresa que realizava a manutenção no local.
Ao JC, a Via Rondon informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que sua responsabilidade sobre o trecho tem início no quilômetro 336 mais 500 metros. A concessionário afirmou ainda que não registrou nenhuma confusão ou acidente na Central de Controle de Operações (CCO) em sua área de abrangência até as 20h, porém, promete se manifestar mais breve possível.
A responsabilidade sobre o quilômetro 336, exato, seria da concessionária Rodovias do Tietê. O site disponibiliza dois telefones fixos, que não foram atendidos na noite dessa quarta (1). O serviço ao usuário informou que tais números eram os únicos canais de contato para a imprensa.
