Tribuna do Leitor

País desgovernado

Vinícius Bessa
| Tempo de leitura: 2 min

Nunca antes na história deste País um presidente da República foi tão rejeitado pelo povo. A aversão ao governo de Dilma tornou-se ampla e irrestrita. Abrange todos os extratos sociais, todas as idades, as regiões do País e as áreas de atuação. É mais que rejeição ou aversão: é repulsa. Segundo pesquisa CNI/Ibope, 68% dos brasileiros consideram o governo Dilma péssimo ou ruim. É a pior avaliação de um presidente da República desde o início da série histórica do instituto, inaugurada em março de 1986, no governo de José Sarney. Além disso, 83% desaprovam a maneira de governar da presidente e 78% não confiam nela. Todos os indicadores pioraram em relação à pesquisa anterior, feita em março. Na ponta oposta, a avaliação positiva da presidente caiu abaixo de um dígito: agora apenas 9% a aprovam.


A repulsa a Dilma só encontra comparação com a ojeriza que a população nutria por Sarney, que chegou a 7% de aprovação e 64% de desaprovação, em julho de 1989. Mas há duas diferenças abissais: o ex-presidente só atingiu a ribanceira onde Dilma está quando terminava seu governo, após seguidos fracassos. E, diferentemente da petista, ele não fora eleito pelo povo! Em todas as áreas de atuação, o governo de Dilma é rejeitado, num patamar superior a 60%. Em temas como taxa de juros, impostos, combate à inflação e ao desemprego, a ojeriza é quase absoluta, próximo ou acima de 90%. Parece tão ruim que é difícil acreditar que pode piorar. Mas pode.


O fundo do poço não chegou, como anteveem analistas. O desemprego vai subir mais, beirando os 10%. A atividade econômica desacelerará mais, fechando o ano na pior recessão desde o governo Collor. Nos EUA, Dilma, alheia, passeou num veículo sem motorista. Depois de sair do automóvel, disse: “Acabei de descer do futuro”. O veículo do Google tem tecnologia de ponta que o livra de colisões. Não é o caso do Brasil da presidente: desgovernado, o País ruma contra o muro ou a caminho do precipício. Tem gente precisando, urgentemente, tomar um carro e ir embora de vez.

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