Foto Blly Mao/Divulgação |
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Ricardo Takashima Kakuta é o promotor responsável pelo procedimento de investigação |
O Ministério Público (MP) em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) investiga denúncias de falsificação e uso de documento falso envolvendo financeira e advogado da cidade. Nessa terça-feira (8), com apoio da Polícia Civil, o órgão apreendeu documentos na sede da empresa. Pelo menos seis clientes da financeira já procuraram a Promotoria e, em dois casos, a fraude foi confirmada. Contudo, segundo o MP, o número de vítimas pode ser bem maior.
De acordo com o promotor responsável pelo procedimento de investigação criminal, Ricardo Takashima Kakuta, todas as pessoas que procuraram o MP contaram que tinham contratos de empréstimo com a financeira e que, ao procurá-la para contrair um novo financiamento, foram surpreendidas com a informação de que não poderiam contratar o serviço porque haviam ajuizado ações contra a empresa.
Segundo Kakuta, os clientes desconheciam as ações e dizem que tiveram os nomes usados indevidamente por advogado vinculado à financeira. “Em dois casos, as pessoas afirmaram que não tinham assinado procuração para autorizar o advogado a ajuizar ações”, revela. “Nesses dois casos, nós pedimos exame pericial ao Instituto de Criminalística e foi constatado que as assinaturas foram falsificadas”.
Com autorização da Justiça, ontem, MP e Polícia Civil cumpriram mandado de busca na empresa e apreenderam vários documentos, que serão analisados para a identificação de outras eventuais vítimas. O promotor antecipa que detectou a existência de inúmeras ações da mesma natureza, distribuídas no município pelo mesmo advogado, com peças iniciais “padronizadas”, o que reforça a suspeita de falsificação.
Honorários
De acordo com o promotor, nas ações que motivaram a investigação, o advogado pleiteia junto a instituições financeiras a exibição de documentos referentes aos empréstimos feitos por seus supostos clientes. “Sabendo que a pessoa tem um contrato de empréstimo junto ao banco, ele ajuíza as ações perante a financeira para que o banco ou a financeira sejam obrigados a exibir os contratos de financiamento e boletos de quitação”, explica.
O objetivo dos pedidos, ainda segundo Kakuta, seria o recebimento de honorários em caso de vitória judicial. “Um dos argumentos é de que essas pessoas teriam interesse de quitar o financiamento e que, portanto, buscavam os boletos para poder efetuar o pagamento total do contrato, já que, via extrajudicial, não estavam conseguindo”, declara.
Ação criminal
O promotor Ricardo Takashima Kakuta revela que, a partir da análise dos documentos apreendidos, representantes e funcionários da financeira, o advogado e eventuais novas vítimas serão chamadas para prestar depoimento.
Se os crimes de falsificação e uso de documento falso forem comprovados, segundo ele, os envolvidos serão denunciados à Justiça e poderão responder a ação criminal. Pelo fato de se tratar de procedimento de investigação, os nomes do advogado e da financeira não foram revelados.
