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45 barracos geram nova comunidade no Fortunato Rocha Lima

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Gisele, com a filha Giovana, de 2 anos, conta a dificuldade para conseguir atendimento médico

Em 1996, ainda no governo Tidei de Lima, o bairro Fortunato Rocha Lima foi contemplado com programa de desfavelamento. No entanto, após quase duas décadas da regularização das moradias, uma nova comunidade “nasceu” na área e vem mobilizando o poder público, que, agora, busca destinação para as famílias.


Foram instalados 45 barracos em um terreno pertencente à prefeitura, de cerca de 5 mil metros quadrados, beirando a rua Benedito Daniel. Conhecido como Piquete ou Bairro 13, o local abriga pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade. Sem endereço fixo, não conseguem nem atendimento em núcleos de saúde nas imediações, conforme relataram alguns moradores.


Nesta época de frio, a comunidade tem sido atendida por voluntários, que levam alimento e roupas. Nessa quarta-feira (9), a reportagem do Jornal da Cidade percorreu a área e constatou que muitos dos que vivem ali eram moradores de rua. Alguns pagam aluguel , enquanto outros se instalaram na área para fugir do compromisso mensal da locação de imóveis.


É o caso do carroceiro Tadeu Aparecido Santos Junior, de 35 anos. Há oito meses, ele construiu uma casa de madeira no terreno, onde vive com a mulher e seus cinco filhos. “Morava com meus pais e minha esposa com os dela. Pagávamos aluguel e já estava ficando difícil honrar com as despesas”, pontuou.


A família enfrenta dificuldades, conforme contou a esposa de Tadeu, Gisele da Silva Ramos, 28 anos, enquanto segurava a filha Giovana no colo, de 2 anos. Após mudar-se para a nova residência, a dona de casa tem encontrado dificuldade para conseguir atendimento no Núcleo de Saúde do Parque Jaraguá.


“Disseram que eu não tenho endereço fixo e que não atendem essa região do Piquete. Me mandaram para a unidade básica de saúde no bairro Nova Esperança, que fica longe daqui. Meu filho estava recebendo tratamento dentário e eu passaria por consultas de rotina”, lamentou.


A cabeleireira Kátia Gomes, 43 anos, está há apenas 15 dias na comunidade. Ela garante que tem água e luz, mas não soube informar como é feito o abastecimento. Para morar ali, contudo, Kátia terá que desembolsar R$ 100,00 por mês de aluguel. “Eu morava em uma residência aqui no bairro, mas pagava mais que o dobro do que pago hoje”.


Na rua


Desempregada, Edna Lemos de Toledo, 26 anos, encontrou em Piquete um lar que nunca teve. Há dois anos, ela deixou as ruas para viver em um barraco instalado no local. Porém, também paga R$ 100,00 por mês de aluguel. “É difícil. Já me tomaram três filhos e o mais velho, de 8 anos, mora com uma tia”, conta, aflita.


Do lado de fora do barraco, Lidiane Cristina Morato Fabrício, 27 anos, se apresentou como amiga de Edna. Ela, que também está à procura de emprego, optou por morar na comunidade para cuidar da amiga. “Ela está muito doente. Vai acabar morrendo”.

Mapeamento


Titular da Secretaria de Bem Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo informou que a pasta realizou mapeamento na comunidade e, agora, procura uma destinação para as famílias. “Já enviamos todos os dados para a coordenação do Programa Minha Casa Minha Vida do governo federal, solicitando demanda dirigida para essas pessoas”. 


Darlene disse ainda que todos os moradores do Piquete estão cadastrados no Centro de Referência e Assistência Social (Cras) do Núcleo Nove de Julho, onde recebem atendimento. “A comunidade vai se criando, como nesse caso, em local precário. Diante da situação, a gente vai tentando dar um destino adequado a eles”, finalizou a titular da Sebes.

Não abrangidos


Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a área citada pela reportagem não é abrangida pelo raio de atendimento da Unidade de Saúde da Família (USF) do Fortunato Rocha Lima, conforme as regras do serviço regido pelo Ministério da Saúde. “Entretanto, o setor responsável pelas USFs informa que cerca de 21 pessoas foram atendidas por apresentarem problemas agudos de saúde nesta USF. Os demais são direcionados para as Unidades Básicas de Saúde mais próximas, neste caso a UBS Nova Esperança”.

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