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Manutenção define rotina do carro

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A condução econômica é a prática de conduzir o veículo economizando combustível e os componentes mecânicos, de modo a aumentar sua vida útil.

O instrutor teórico técnico credenciado e que também ministra aulas de  direção defensiva Alexandre Borges, salienta que a base desse “modo de dirigir” é constituída de três pontos. “Manutenção do veículo sempre em dia, combustível de qualidade e condutor”.

A questão, argumenta Borges, é que essa “técnica não é ensinada na autoescola, até porque o objetivo delas é, em geral, habilitar e não ensinar como economizar combustível”. Por esta razão, ele reforça os hábitos mais frequentes ao dirigir que geram desperdício de combustível.

“Repicar o acelerador nas saídas ou nas trocas ou redução de marchas, rotações excessivas, baixas rotações com aceleração máxima, segurar o veículo na rampa com a embreagem e outras manias. Na última, além de maior consumo, o hábito desgasta a embreagem”, cita.

Alexandre considera que a manutenção dos vícios tem raiz cultural. “É necessária a mudança de comportamento, pois estamos habituados a conduzir da maneira que aprendemos com terceiros, familiares ou na autoescola. Para conduzir economicamente é necessário se policiar, deixar as velhas manias e aprimorar a técnica”, opina.

Para ele, uma boa maneira de economizar combustível é antecipar os movimentos. Exemplo: “Se estou iniciando em uma quadra, mas de longe percebo que o próximo sinal está fechado ou fechando, é desperdício ir acelerando até o semáforo. Então, já vou desacelerando o veículo, ou seja, vou tirando o pé e deixando o carro chegar no local somente no embalo, mas engrenado”. Ou seja, quando o carro segue no embalo engrenado e com o pé fora do acelerador, não há consumo de combustível.

O instrutor lembra que a “indústria automobilística tem desenvolvido tecnologias visando economia de combustível. “Exemplo disso é o desenvolvimento de motores de três cilindros e também o sistema de start/stop, que desliga o motor automaticamente em uma breve parada e o religa ao acelerar”, comenta.


O vício nas trocas de marcha

Nas ruas, a ideia de “condução econômica” dos veículos continua gerando divergências muito em função da falta de conhecimento sobre o funcionamento de um automóvel. A pressa ao volante ainda é amiga dos vícios mais comuns. E vícios geram desgastes desnecessários de componentes e maior consumo.

Um levantamento entre usuários de veículos de diferentes classes sociais serve de referência para a identificação de vícios comuns. E é exatamente a discussão do problema que ajuda a corrigir o hábito. Paula Jabur comentou, por exemplo, que nunca tinha pensado na situação de “esticar o motor para trocar a marcha a partir de 2.500 rpm”. “Nunca pensei nisso... é meio automática a troca de marcha”, admitiu.

O engenheiro Coaracy Domingues contribuiu com o esclarecimento do vício. “É errado trocar de marcha logo em seguida. Devemos observar as rotações do motor. Aliás, poucos observam”, pontuou.

A advogada Jaqueline Didier logo saiu perguntando qual era o melhor procedimento ao volante para esta situação. Maurício Queiroz Costa também ficou curioso.

Com larga experiência no ramo de revendas de automóveis, Oneir Caçador destacou a importância da saída em primeira marcha para o veículo começar a ganhar torque (força). “A primeira (marcha) é apenas para o deslocamento inicial do veículo. A  partir daí, o que manda é o giro do motor”.

A abordagem com os motoristas foi suficiente para demonstrar que, mesmo sem o domínio de linguagem técnica do segmento, o motorista pode aprender o conceito. A eliminação do vício depende da compreensão básica de que o condutor deve buscar a melhor condição do motor para “ganhar embalo”.

Veja como Regina Gannam avalia: “A primeira marcha é só para sair. Em seguida, dependendo da velocidade alcançada, é que as marchas têm que ser trocadas”. Marcia Nuriah foi ‘na mosca’: “O conta giros dá essa informação no painel, caso você não ouça o motor. Mas o motor pede a hora certa de trocar a marcha”.


A banguela

Descer com o carro desengatado ainda é mania entre muitos motoristas. Alguns insistem no pior: pôr o carro no “ponto morto” em trechos urbanos.  A discussão dessa prática entre usuários foi bem mais tranquila. A maioria tem consciência de que “banguela” põe em risco a segurança do usuário e de terceiros, já que o carro desengrenado (sem a marcha acionada) roda com todos os sistemas desprotegidos.  

Paula Jabur exemplificou: “Acho perigoso rodar com o carro desengatado caso haja necessidade de frenagem súbita”. Silmara Bissoli referendou. “É muito perigoso e pode sair caro demais”.

Thiago Fernandes Prado argumentou que “além de não economizar, a banguela ainda pode causar danos ao motor”. A cantora Paula Velozo complementou: “A ‘banguela’ desestabiliza o carro”.

A maior parte dos pontos de vista resume a opinião do especialista Marcos Camerini: “Carro em ponto morto, só parado!”.

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