Tribuna do Leitor

A origem dos problemas

Gabriel Bocorny Guidotti
| Tempo de leitura: 2 min

O jornal noticia: homem assalta e mata trabalhador em parada de ônibus. Motivo banal, o objetivo era roubar o celular da vítima. Uma vida perdida, uma família entristecida. O público lê a matéria com imenso pesar. O próximo pode ser qualquer um de nós, infelizmente. Destarte, os efeitos de um latrocínio nós já conhecemos. E as causas? O assaltante cresceu sem pai e mãe. O assaltante nunca frequentou a escola. Sua única noção de mundo era a arte do crime.


Causas e efeitos. Se deixarmos uma colher cair, ela atingirá o chão. É o que preconiza a Lei da Gravidade. Mas não queremos que a colher se choque com o chão. Queremo-la em cima da mesa, perto do garfo, da faca e pronta para ser inserida num contexto alimentar. A comparação é piegas, mas tem valor. Todos os dias, jovens são forjados na escola da marginalidade – incapazes de discernir o certo do errado. O fazem por sobrevivência e estilo de vida. Desconhecem outra forma de existência. A colher caiu, de fato.


Ao observar o discurso dos políticos, é impossível não pensar nas desigualdades de nosso país. Eles falam dos problemas com a naturalidade dos números, isto é, ofertam dados, positivos ou negativos, mas desconhecem a real situação das pessoas. O exército de seguranças deles os protege da realidade que deveriam modificar. Sobra para nós, reles mortais, a difícil tarefa de resistir aos contrastes de nossa sociedade. Estamos pagando um preço alto.


Entretanto, a esperança permanece o senso que nos move. Viver conformado com um futuro ruim é estigma de covardes. Creio que, a despeito das imensas dificuldades, cada pessoa deve fazer o melhor com as ferramentas que têm. E nisso se incluem as pequenas atitudes. Boas ações, como doar livros a uma comunidade carente ou prestar trabalho voluntário. Se o exemplo não parte dos gerentes do país, então que parta da filantropia em ajudar o próximo. Ao fazer isso, você vai estar salvando vidas.

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