Polícia

Pedra atirada de viaduto perfura teto de veículo e acerta passageira

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto
Cleusa Madruga mostra estragos causados no carro após ser atingido por pedra jogada de viaduto

Ainda muito abalada, Cleusa Maria Silva Madruga, 64 anos, conta que, por pouco, não ficou gravemente ferida ao ser atingida na cabeça por uma pedra jogada do viaduto da Vila São Paulo, em Bauru, na noite da última quarta-feira (15). A dona de casa seguia de carro pela rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Arealva, até o aeroporto Moussa Tobias. O objeto perfurou o teto do veículo.

A Polícia Civil ainda não descarta a possibilidade de que a manobra seja uma modalidade inédita de assalto por aqui. Contudo, para a Polícia Militar Rodoviária, que realizou um plano de ação durante 30 dias no local, há fortes indícios de vandalismo (leia mais abaixo).

Cleusa narra que, por volta das 22h40 dessa quarta, ela trafegava pela via em um Peugeot 206, com placas de Bauru. O marido da dona de casa, Orlando Domiciano da Silva, 71 anos, conduzia o veículo. Ela, portanto, estava no banco da frente e a neta, Janis Joplin, 21 anos, no assento de trás. Quando os três passaram sob o viaduto da Vila São Paulo, localizado no quilômetro 346 mais 950 metros, uma pedra atingiu o teto do carro.

“Eu senti o impacto e o carro desestabilizou. Na hora, meu marido pensou que um pneu havia furado e queria parar o veículo. Eu não permiti e argumentei que o impacto veio de cima”, descreve a mulher. Cleusa acrescenta ainda que os três seguiram até o aeroporto para buscar uma amiga e, no local, acionaram a Polícia Militar (PM). “Só não paramos, porque a rodovia estava pouco iluminada e praticamente vazia. Ficamos com medo de ser assaltados”, justifica.

Estragos

A dona de casa afirma que vai procurar um advogado, porque acredita que tem de ser ressarcida pelos estragos do veículo. Conforme o JC apurou, a mulher deu queixa à polícia. O registro foi feito como lesão corporal e dano. O coordenador em exercício da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Ismael Cavallieri, garante que a polícia investigará o caso. Por enquanto, o delegado não descarta a possibilidade de que seja uma nova modalidade de assalto.

“Já vi casos como este na Capital, mas, em Bauru, se confirmado, seria inédito”, argumenta. Diante disso, o delegado recomenda que os condutores não parem os veículos. Todavia, a polícia também trabalha com a hipótese de vandalismo. De qualquer forma, Cavallieri pontua que os motoristas têm de fazer como Cleusa e denunciar quando algo do tipo ocorrer para que a Polícia Civil possa dar início às investigações.

Esse tipo de ocorrência não é tão incomum. Prova disso é uma reportagem veiculada pelo JC no último 7 de junho. Na ocasião, o taxista Nelson Sabino Filho relatou que, em um período de 20 dias, cinco carros, incluindo o dele, foram alvejados com pedras enquanto trafegavam pela Bauru-Arealva, mais especificamente sob o viaduto da Vila São Paulo. Em todos os casos, assim como ocorreu com a dona de casa Cleusa Maria Silva Madruga, os motoristas seguiam até o aeroporto Moussa Tobias ou retornavam do local.

Após monitoramento, polícia diz que há fortes indícios de vandalismo

Quioshi Goto
Com plano de ação nas mãos, o tenente Gabriel Eleuterio Garcia afirma que, na região, entre 18h e 19h30, há uma grande quantidade de jovens ociosos

O 1.º tenente da 1.ª Companhia de Policiamento Rodoviário de Bauru, Gabriel Eleuterio Garcia afirma que logo depois da última reportagem publicada pelo JC, a corporação deu início a um plano de ação de 30 dias para coibir situações como essa. Inclusive, com o procedimento, que acabará hoje, os policiais chegaram à conclusão de que haja fortes indícios de vandalismo. “Na região, entre 18h e 19h30, há uma grande quantidade de jovens ociosos”.

Os rapazes ficam sentados na rampa que dá acesso à passarela do viaduto. Segundo o tenente, existe um estabelecimento comercial nas proximidades, que garante o acesso livre à Internet por meio de wi-fi, o que estimula ainda mais a presença de pessoas por ali. Durante a ação, que ocorria todos os dias, entre 17h e 19h30, às vezes, com o auxílio do policiamento urbano, os militares abordaram e qualificaram até 100 pessoas, mas não flagraram ninguém atirando pedras.

O procedimento até garantiu outros flagrantes, como no último dia 28 de junho, quando os militares encontraram um adolescente de 17 anos e um jovem de 19 pichando o viaduto da Vila São Paulo. Conforme o JC noticiou na ocasião, da palavra “visados”, só deu tempo de escrever a letra “v”. Os jovens foram encaminhados até a CPJ e, como um deles era adolescente, o Conselho Tutelar foi acionado.

Serviço

A Polícia Militar Rodoviária estuda a possibilidade de elaborar outro plano de ação para coibir a “chuva” de pedras, inclusive em outro horário. Contudo, existem mais demandas para atender, como as fiscalizações de embriaguez ao volante. Diante disso, a polícia conta com a ajuda da população. Portanto, se alguém flagrar pessoas atirando pedras na região do viaduto da Vila São Paulo ou em qualquer outro local, basta ligar para o 190.

 

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