Revolucionários, há cerca de 3 décadas os implantes dentários se disseminaram pelo mundo, tendo os cirurgiões brasileiros como pioneiros e líderes na técnica que chega até a substituir todos os dentes de uma pessoa. Contudo, se nos últimos anos é mais fácil - especialmente para os mais idosos - dar adeus às famosas dentaduras, também há implicações para as quais o paciente ou implantado pode não estar atento, mas deveria.
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Um exemplo? Quando alguém recebe implantes dentários pensa estar recuperando seus dentes - ou o equivalente a eles - para sempre. Isso porque a colocação de um implante é praticamente uma forma de intervenção definitiva para superar a falta de dentes (um ou até todos), para assegurar a estética do rosto e, acima de tudo, para preservar a saúde com a funcionalidade da mastigação. Afinal, o implante consiste num pequeno parafuso em titânio que vai substituir a raiz do dente, sendo este utilizado para fixar uma coroa (dente) ou ainda uma prótese (a antiga dentadura que agora fica fixa).
Eventualmente o paciente pode precisar de manutenção, reposição de alguma peça ou elemento e até da substituição da prótese.
Nessa hora, nem sempre quem fez o implante é quem deve e vai prestar o novo atendimento. Além disso, há também algumas possibilidades agravantes. Uma delas é a qualidade do material usado nas próteses.
Pesquisa
Em fevereiro deste ano, a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratório (Abimo) divulgou uma pesquisa em que constatou que 30% dos componentes usados em próteses para implantes são piratas. Ou não têm garantia ou são de procedência e qualidade duvidosas.
Isso não quer dizer que 1/3 dos implantes sejam piratas. O que se quer dizer com a conclusão da pesquisa é que alguns dos componentes usados nos implantes são piratas.
“Até porque, mesmo as marcas com menor qualificação atendem às necessidades do implantado”, explica o professor, pesquisador e patologista Alberto Consolaro, ele próprio um estudioso da chamada peri-implantite, que é uma inflamação do implante, um termo relativamente para uma patologia (doença) também nova.
E se, então, o problema maior não reside no componente, onde está o x da questão? Para responder a essas e outras dúvidas, o Jornal da Cidade foi conversar com profissionais da cidade e desmistifica o pensamento de que essa técnica é direcionada apenas a pessoas idosas.
Consciência profissional
Somente com a avaliação específica, o profissional vai aferir a real possibilidade da colocação do implante dentário, como isso será feito e, acima de tudo, a escolha do material. Por isso, o cirurgião-dentista Paulo Martins Ferreira - outro especialista no assunto - enfatiza que o mais importante “é que o profissional tenha consciência profissional”, que seja capacitado para o trabalho.
Segundo ele, somente por meio da consulta com um implantologista tudo isso será definido. Em Bauru, cidade considerada referência internacional em Odontologia, existem mais de 1.100 profissionais registrados no Conselho Regional de Odontologia (CRO), mas o número de especialistas em implantes não chega a três dezenas.
Para ele, o que existe na praça sendo oferecido “a um preço que nem sempre é compensatório” são equipamentos análogos. “Parece igual, mas não é. Semelhante não é igual, nunca”, frisa.
Técnica chamada de ‘carga imediata’ visa extração de dentes sem trauma
| Éder Azevedo |
| Francischone Jr. ressalta a importância do implantologista |
Da segunda geração da clínica familiar Francischone, Carlos Eduardo Francischone Júnior é especialista em implantologia. Além de ser estudioso no assunto, ele bebe na fonte do próprio pai, trilha a mesma carreira, de quem há 35 anos idealizou a primeira clínica na cidade destinada às cirurgias de reposição dentária.
Passando por todas as evoluções que a implantologia teve nos últimos anos, hoje Carlos Eduardo Francischone Júnior domina o tema e é expert na técnica de extração de dentes sem trauma seguida da instalação imediata do implante. Técnica hoje em dia utilizada em muitos dos casos clínicos, a chamada carga imediata.
Ele também concorda que o paciente precisa se cercar de um profissional qualificado. “As pessoas interessadas em se submeter ao tratamento com implantes odontológicos devem dar preferência à escolha de um cirurgião-dentista especialista, o implantologista”. Só um profissional com formação específica vai poder sugerir a cada pessoa as melhores técnicas para cada caso e quais alternativas de material adequado a seu tratamento.
JC - É possível fazer o implante e ainda ter inflamações na gengiva?
Carlos Eduardo Francischone Júnior - Os implantes por si só não têm como propriedade eliminar focos de infecções bucais e, ainda por se tratar de um “parafuso”, o controle da higiene bucal é fundamental para que bactérias não colonizem as “roscas” do implante levando a uma peri-implantite (inflamação dos tecidos gengivais que envolvem o implante). Se isso ocorrer, pode levar ao fracasso do implante. É errado um pessoa que possui implantes dentários pensar que se livrou dos procedimentos de higiene bucal. A higiene e o controle da placa bacteriana devem continuar com o mesmo rigor que se tem para com os dentes naturais.
JC - Os cuidados devem ser melhores do que com os dentes?
Francischone Júnior - Após instalada a prótese sobre os implantes, os cuidados com a higiene bucal devem ser os mesmos que realizamos para com a higienização dos dentes (utilizando-se de fio dental, escova, creme dental. Ainda, pode-se utilizar de recursos específicos que hoje temos disponíveis no mercado para higienização de próteses fixas sobre dentes ou sobre implantes como: escovas interdentais, fios dentais com guias para facilitar a passagem do fio de um lado para outro da prótese e ainda equipamentos de jato de água. Esses cuidados são fundamentais para manter a gengiva ao redor do implante sempre saudável, garantindo, desta forma, a longevidade do trabalho executado.
JC -Qual é a taxa de sucesso de um implante?
Francischone Júnior - Na literatura mundial, a taxa de sucesso dos implantes dentais está em torno de 98%. Este índice pode chegar a 100% quando a pessoa escolhe uma equipe de profissionais que se mantenha atualizada, que tenha vasta experiência na área e, utiliza-se de protocolos de tratamentos rígidos e materiais de última geração. Estas taxas de sucesso para a área da saúde são consideradas altíssimas, o que nos da a segurança de estarmos trabalhando com uma técnica com bastante previsibilidade consagrada, sendo hoje uma realidade segura e acessível ao bolso da população brasileira dentro das opções para reabilitação do desdentado, quer seja de um único dente podendo atingir todos os dentes, para pessoas jovens ou da melhor idade.
JC - O que muda na vida do paciente?
Francischone Júnior - O que temos visto nos nossos pacientes nestes últimos 25 anos de trabalho com os implantes dentários são uma melhora significativa da qualidade de vida proporcionados pela segurança e conforto conseguidos pelas próteses fixas sobre os implantes (especialmente em pessoas que utilizaram dentadura por muitos anos), o retorno da autoestima e sua reintegração ao convívio familiar e social
