Tribuna do Leitor

Rompimento entre Cunha e o PT

Gabriel Bocorny Guidotti - bacharel em Direito e estudante de jornalismo.
| Tempo de leitura: 2 min

outrora não mais se constatou na opinião

do cidadão. O outro ente da chave

presidencial, o PMDB, decidiu que não

queria se queimar no incêndio dos

‘companheiros’. Desse modo, logo no

primeiro ano de mandato a dobradinha

começa a rachar.

A situação entre as duas legendas

mostrou-se tensa ao longo do primeiro

semestre de 2015. E tende a piorar.

Na última quarta-feira, o presidente da

Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),

anunciou a ruptura gradual de seu

relacionamento com o PT. A decisão é

política e pessoal e não representa a

posição institucional do partido – ainda.

A luta do deputado, a partir de agora,

será convencer as instâncias decisórias

da sigla para que o divórcio seja geral.

No início deste ano, em propaganda

televisiva, o PMDB já havia insinuado o

rompimento. A pretensão é lançar candidato

próprio em 2018. Nomes? Apenas

dois pretensos: o próprio Cunha e Renan

Calheiros (PMDB-AL). Finalmente, a

principal oposição ao atual governo se

assume - ofi cialmente. No momento,

entretanto, somente o presidente da

Câmara mostrou coragem para seguir

seu coração. Resta saber como será o

relacionamento entre Dilma Rousseff e o

Congresso daqui para frente. Ainda mais

tempestuoso, no mínimo.

Cunha criticou uma suposta “devassa

fi scal” advinda do Planalto e que

existe “um bando de aloprados” na

presidência trabalhando fragilizá-lo na

posição que ocupa. Segundo o deputado,

a denúncia do delator Julio Camargo, na

Lava-Jato, é uma tentativa de incriminá-

-lo. Julio, à época consultor de uma das

empresas investigadas, delatou que

entregou pessoalmente US$ 5 milhões

a Cunha para que os parlamentares

abafassem uma averiguação sobre

contratos assinados no bojo do esquema

de corrupção.

Destarte, essa discussão entre PT

e PMDB prejudica as pessoas comuns.

Muitos vetos têm interesse partidário e

não social. Há discordâncias verdadeiras

também, algo genuíno da democracia.

Enquanto isso, o país está à deriva. Não

há voz confi ável que dê esperanças de um

futuro melhor à nação. Faltam-nos líderes,

embora sobrem políticos. Os encargos

são muitos, os direitos se esfacelam,

os serviços não funcionam. Para mudar

alguma coisa, vai levar muito tempo.

Aguardemos os próximos episódios.

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