Tribuna do Leitor

Rumo a Brasília

Carlos E.S. Padilha - empresário
| Tempo de leitura: 3 min

Se virar moda o exemplo da população de Santo

Antônio da Platina, no Paraná, liderado pela

empresária Adriana de Oliveira, no caso da

tentativa de aumento dos honorários dos vereadores

e prefeito da cidade, devemos preparar caravanas e

tomar o rumo de Brasília. Não só os edis daquela

cidade não conseguiram aumentar seus honorários

como ainda tiveram seus vencimentos diminuídos,

e do prefeito também.

No momento crítico por que passa nosso país no

tocante à crise moral dos nossos governantes, a crise

econômica, fi nanceira e institucional, não podemos

deixar passar despercebida a absurda tentativa

de se concretizar o aumento de 78% dos salários do

Poder Judiciário. É bom deixar claro que os salários

e os benefícios de todos os servidores públicos, de

todas os poderes e esferas são merecidos e desejáveis,

assim como os da iniciativa privada também

merecem, entretanto, não é o que acontece.

O aumento para o Poder Judiciário neste momento

coincidiu com o fato de se ter como certo

o veto da presidenta da República para o aumento,

ou melhor, a correção das aposentadorias do INSS

acima de um salário mínimo, correção esta também

aprovada pelo Congresso Nacional.

De acordo com números do Tesouro Nacional, o

défi cit da Previdência referente aos aposentados do

setor público em 2014 foi de R$ 62 bilhões para pagamento

de apenas 1 milhão de aposentados, contra

um défi cit de R$ 50 bilhões do setor privado, este

com 24 milhões de aposentados que recebem do

INSS, numa gigantesca proporção de 1 aposentado

funcionário público para 24 aposentados do setor

privado. Um descalabro!

No caso específi co do Judiciário, de acordo com

o projeto nº 28/2015, neste momento de contenção

de despesas, ainda assim, o mesmo foi aprovado

no Congresso Nacional, e entre ativos e inativos, a

previdência terá um impacto de R$ 10,5 bilhões de

reais, que benefi ciará apenas e tão somente 117,5

mil servidores. Argumentam os ministros da área

econômica que a correção das aposentadorias dos

24 milhões de aposentados do INSS, incluído aí os

que recebem mais de um salário mínimo, terá um

impacto de R$ 10 bilhões de reais no orçamento da

Previdência.

Ou seja, em termos de benefícios e de abrangência

social, o projeto do Judiciário atingirá 117,5 mil

pessoas e o da correção das aposentadorias do INSS

benefi ciará em torno de 24 milhões de pessoas.

A desproporção, a injustiça, a indiferença e a

desigualdade com que são tratados os aposentados

do setor privado em comparação com o público é

revoltante e chocante. E sempre que o Congresso

Nacional e o Executivo têm uma oportunidade de

corrigir estas discrepâncias, não o fazem. E agora

que foi aprovada esta mísera correção, corre o risco

de ser vetada pela presidenta da República.

Mais uma vez, nada contra os funcionários públicos

do Judiciário ou qualquer outro e suas reinvindicações,

apenas precisamos nos acautelarmos e

tomar medidas imediatas para que o Brasil de amanhã

não seja a Grécia de hoje. E pelo andar da carruagem,

a presidenta Dilma vetará os dois reajustes,

dos funcionários do Judiciário e do setor privado.

Mas esperamos que a presidenta tenha prudência,

cuidado e critério para separar o joio do trigo, e vete

o projeto dos funcionários públicos, sancione o projeto

de lei que corrigirá as aposentadorias do setor

privado acima de um salário mínimo.

Do contrário, apelaremos à empresária de

Santo Antônio da Platina, aquela mesma que fez

os vereadores recuarem dos aumentos de seus

vencimentos, convocar pelo menos uns 10% de

aposentados do INSS, qualquer coisa em torno

de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentas mil)

pessoas, que ocupariam 52.173 ônibus para irmos

rumo a Brasília. E se os representantes do Judiciário

também quiserem, podem convocar uns 10%

dos funcionários que serão benefi ciados, mais ou

menos umas 11.700 (onze mil e setecentos) pessoas,

que ocupariam 254 ônibus e seguirem para

Brasília. Dá para perceber a diferença?

 

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