| Éder Azevedo |
| Reforma da antiga Estação Paulista está parada após empresa constatar que o madeiramento não poderia ser aproveitado |
O Museu Histórico Municipal só não está funcionando “a todo o vapor” por conta da paralisação na reforma da antiga Estação Paulista, destinada para abrigá-lo. O motivo, segundo a prefeitura, é uma divergência técnica no contrato entre o município e a empreiteira que venceu a licitação. Quando a parceria foi firmada, a prefeitura pediu para manter 90% do madeiramento do telhado, mas a empresa constatou que nada poderia ser reaproveitado.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Cultura, Elson Reis, o acervo para pesquisa está à disposição do público em uma das casas da antiga Estação Paulista, na quadra 3 da rua Rio Branco, Centro, de segunda a sexta. Todavia, a parte expositiva da instituição depende da conclusão de uma obra que começou em 2014 e com previsão de término dentro de seis meses, fato que não ocorreu.
Reis acrescenta ainda que, a partir de agora, ou a prefeitura assume a composição do telhado ou faz um aditivo no contrato junto à empreiteira. “O valor do contrato gira em torno de R$ 700 mil, sendo R$ 200 mil oriundos de emenda parlamentar e o restante, bancado pelo próprio município. Como a quantia foi empenhada, a prefeitura terá de buscar mais recursos para terminar o telhado e dar continuidade aos outros itens da reforma, que já foram licitados”.
O secretário afirma que se reunirá com o titular de Obras, Sidnei Rodrigues, e o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), ainda nesta semana, para decidir o que será feito. Reis reforça ainda que o museu não está parado, já que o setor de pesquisa e as exposições itinerantes não deixaram de funcionar. Além do Museu Histórico Municipal, o complexo da Estação Paulista abriga o acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS) de Bauru. Mesmo que ainda não haja uma sala de projeção dentro da sede, a maioria das atividades é feita fora de lá, como ocorre com o projeto Cinema Itinerante, onde há exibições de filmes nas praças da cidade.
Mais vida
A paralisação da obra preocupa os moradores da região central, como é o caso de Francisco Lemos de Almeida, 50 anos, que vive na rua Rio Branco, quase ao lado da antiga Estação Paulista, “desde que se conhece por gente”. Para ele, o término da obra e a instalação efetiva de um museu dariam mais vida ao Centro da cidade. “Precisamos trazer as pessoas de volta ao Centro”, desabafa.
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Inclusive, Almeida revive uma parte da infância enquanto passa rapidamente pela antiga Estação Paulista apontando os problemas à reportagem do JC. “Quando eu tinha 15 anos, dava para comer neste chão”, suspira. Pena que a realidade agora é outra. Embora uma parte do espaço, cujo acesso se dá pela rua Rio Branco, esteja “nos trinques”, outros locais do complexo, como aquele com acesso pela rua Agenor Meira, parecem estar abandonados.
“Está ficando é só noia na região central”, critica. Tanto que o morador conta que, principalmente aos finais de semana e à noite, algumas pessoas utilizam o espaço para usar drogas, fazer sexo ou, até mesmo, fugir da polícia após cometer roubo ou furto na região. “Como é aberto pelas ruas Agenor Meira, 13 de Maio e Virgílio Malta, as pessoas invadem mesmo”, complementa.
Da mesma forma que o vizinho, a aposentada Maria Luiza Bergamo Olivato, 68 anos, não se sente segura nem dentro de casa. “Quando começa a anoitecer, não saio nem na porta. Nos últimos dias, jogaram até camisinha dentro da minha casa. Se funcionasse alguma coisa na Estação Paulista, teria menos violência, já que a fiscalização seria reforçada por lá”, defende a idosa.
Maria Fumaça
Os moradores também sentem falta dos passeios de Maria Fumaça, que ocorriam aos domingos na antiga Estação Paulista junto a uma feira do artesanato. “Antes, funcionava uma feira de artesanato dentro da Estação e hoje não tem mais. Se tivesse a feirinha, o local ganharia vida e os órgãos públicos prestariam mais atenção, já que o fluxo de pessoas seria maior”, opina o desempregado Francisco Lemos de Almeida.
Questionado sobre o assunto, o titular da Secretaria Municipal de Cultura, Elson Reis, reforça que as feiras de artesanato não deixaram de existir, só migraram para a Casa Ponce Paz, que fica na quadra 9 da rua Antônio Alves, também no Centro, por conta da reforma. “O pátio onde ficava a feira passou a servir como pátio de obra, mas, assim que a obra for entregue, o evento retornará ao local de origem”, promete Reis.
Já em relação ao passeio de Maria Fumaça, o responsável pela pasta esclarece que depende da manutenção das linhas por parte da América Latina Logística (ALL). “A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem de fazer uma vistoria para liberar o passeio, mas, do jeito que as linhas estão, o órgão regulador não libera. Nós já cobramos a ALL diversas vezes, mas a concessionária não cumpre a obrigação”, denuncia.
Em nota, a assessoria de imprensa da ALL informa apenas que, para colocar em funcionamento o trem turístico ou comemorativo, são necessários projetos e aprovação da ANTT. “No caso específico de Bauru, não há esta aprovação por parte da ANTT, que é o órgão regulador. A Maria Fumaça circulava com autorizações esporádicas para eventos especiais”, conclui a assessoria do órgão.
Cultura quer realizar ‘interligação inédita’
O titular da Secretaria Municipal de Cultura, Elson Reis, afirma que a ideia é interligar o Museu Ferroviário Regional de Bauru ao Museu Histórico Municipal por meio de um passeio de Maria Fumaça, fato que, segundo ele, seria inédito no País. “Por outro lado, nós estamos neste impasse financeiro e dependendo da manutenção das linhas por parte da ALL”, reforça. Ele explica ainda que a antiga Estação Paulista foi tombada e concedida ao município pela Secretaria de Patrimônio da União.
Já o diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural de Bauru, Ronaldo Gifalli, que administra os quatro museus municipais (veja quadro ao lado), explica que o Museu Histórico Municipal já percorreu diversos locais alugados, a maioria deles no Centro, mas, a partir de 2010, teria sido transferido para uma das casas da antiga Estação Paulista e ainda aguarda a conclusão da reforma. “Os objetos estão guardados no pátio, mas nós sempre fazemos algumas exposições em uma sala da casa que abriga o acervo para pesquisa”.
Gifalli acrescenta ainda que o MIS funciona no complexo desde 2005, mas em um prédio de dois andares, que abriga o acervo. Ele reforça que existe um projeto aprovado para a instalação do Memorial da Indústria em um barracão, que fica fora do pátio. Para tanto, os responsáveis ainda estão captando recursos. Portanto, a ideia de dar mais vida à região central da cidade existe, mas não há um prazo efetivo para sair do papel.
Segurança
Segundo o 1.º tenente Bruno de Oliveira, que é comandante da 1.ª Companhia da PM de Bauru, responsável pelo Centro e zona sul, a antiga Estação Paulista é uma área de difícil acesso aos policiais por conta do relevo, que inviabiliza a passagem de veículos motorizados. Mesmo assim, o tenente reforça que a polícia realiza diversas operações neste trecho, principalmente quando o assunto é tráfico de drogas.
Diante das reclamações, Oliveira diz que a fiscalização já foi reforçada, inclusive, com motocicletas, já que o acesso fica mais fácil sobre duas rodas. “Como a gente não tem como ser onipresente, peço que a população denuncie”, acrescenta. Para entrar em contato com o policiamento da região central, basta ligar para (14) 3232-1516 ou ir até a base, na praça Machado de Mello, s/n, no Centro.
