Tribuna do Leitor

Carta à população


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Nós, trabalhadores da Previdência Social, entramos em greve em 07/07/2015, após serem esgotadas todas as tentativas de negociações com o governo no atendimento das nossas reivindicações. E não foram poucas as tentativas de negociação. Não custa lembrar que os diálogos realizados anteriormente em mesas de negociação formadas por representantes da nossa categoria e do governo foram infrutíferos e em nada avançaram para o atendimento dos anseios da categoria. Reivindicações justas que proclamam pela defesa de direitos dos trabalhadores do INSS, bem como por melhorias nas condições de atendimento à população.

Não custa lembrar que os inúmeros grupos de trabalhos, propostos pelo Governo, para a discussão das reivindicações, hoje, trazidas pela greve, tiveram algum tipo de avanço. Tudo ficou apenas no diálogo. Chegamos no nosso limite. E se chegamos é porque foram anos e anos de total descaso com as condições de trabalho e com os direitos dos milhares de trabalhadores do INSS, bem como com a política pública de previdência social. As reivindicações deflagradas nesta greve são lutas históricas da categoria, que atravessaram e atravessam gestões, se agravando com o passar dos anos.

Hoje, o INSS tem um quadro aproximado em 37 mil servidores. Dos quais, 10 mil em condição de aposentadoria. E mais um déficit de cinco mil servidores. Tivemos, neste ano de 2015, a autorização para realização de concurso público com 950 vagas, ou seja, muito aquém da nossa real necessidade. O risco que corremos é de assistirmos a paralisação na prestação de serviços públicos essenciais à população por falta de servidores públicos. Além do mais, a proposta apresentada pelo governo de reajuste salarial foi de 21% divididos em quatro anos: 2016, 2017, 2018 e 2019.

Percentuais que divididos em 4 anos não cobrem sequer a inflação estimada para este ano que é de 9,12%. E muitos menos repõem as perdas salariais que tivemos nos últimos três anos.

Na última reunião, realizada em 20/07/2015, já com a greve instalada, o governo, representado pelo Ministério do Planejamento, não apresentou contraposta alguma, pelo contrário bateu o martelo na proposta dos 21%, apresentando apenas algumas melhorias nos benefícios sociais como: reajuste no auxílio creche recebido temporariamente apenas por uma pequena parte da categoria; reajuste no vale refeição que pelo valor oferecido ganharíamos pouco mais da metade do que ganha uma servidor do judiciário federal; e por fim 22,08% de reajuste na contrapartida do Plano de Sáude, indíce esse que segundo o governo é retroativo a 2013, mas só em 2015 foi autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) o reajuste de até 13,55% nos planos de saúde.

No entanto, tais melhorias sociais propostas, e o percentual de reajuste salarial que dá continuidade a política de desvalorização do nosso salário, não atendem em nada as nossas reivindicações, face às péssimas condições de trabalho que suportamos, e a complexidade, e a importância do serviço que realizamos junto à população.

Nessa mesma linha de falta de diálogo, por parte do governo, em reunião realizada no dia 21/07/2015, entre o Ministério da Previdência Social e representantes sindicais da nossa categoria, para negociação de pautas específicas como: concurso público, jornada de trabalho de 30 horas para todos os servidores, incorporação das gratificações, entre outras, tudo que ouvimos foi o seguinte: só haverá negociação se for aceita a proposta de reajuste salarial em 21% divididos em quatro anos! Percentual este que motivou justamente a greve! Ressaltando que a reposição das perdas inflacionárias dos últimos quatro anos por nós solicitada é de 27,3%.

A reivindicação da jornada de 30 horas para todos os servidores é a defesa de um direito histórico, conquistado em 1986 pelos trabalhadores do INSS, e retirados na penúltima gestão de governo. Já a incorporação das gratificações no salário é defendida, pois, hoje, elas representam aproximadamente 70% da remuneração recebida, e ainda são vinculadas a metas cada vez mais inatingíveis, e, diga-se de passagem, da boa vontade de uma e/ou gestão de governo em mantê-las. Salientamos ainda que, a dificuldade em cumprir as metas, que geram nossa gratificação, ocorre pelo déficit de servidores no Instituto, bem com as precárias condições de trabalho. Então, por isto, nós trabalhadores do INSS, seguimos fortalecidos na greve. Acreditamos que, não há outro mecanismo que possa fazer com que as nossas reivindicações sejam escutadas e atendidas

Não temos opção racional senão seguir lutando, nos fortalecendo na greve. Tentamos e esgotamos todas as vias possíveis de conversa com o governo, até que a greve se instaurou. Mantemos a esperança de que a luta não será em vão e que, enfim, as nossas vozes serão ouvidas e seremos tratados com um mínimo de respeito e dignidade!

E lamentamos muito a demora do governo em atender as nossas reivindicações, pois gostaríamos de voltar com urgência a servir a população! Infelizmente enquanto isso não acontece nossos segurados podem procurar atendimento na região apenas nas Agências de Avaré, São Manuel, Lençois

Paulista, e Agudos que estão atendendo até esse dia 20/07/2015 normalmente. Reivindicamos: reposição das perdas inflacionárias dos últimos quatro anos no percentual de 27,3%; incorporação das gratificações; regulamentação das 30 horas para toda a categoria; paridade salarial entre ativos e aposentados; concursos públicos para reposição do quadro de servidores; melhores condições de trabalho para atendimento à população.

Trabalhadores da Previdência Social

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