Conhecida como uma das maiores festas beneficentes da cidade, a Feira da Bondade ocorre anualmente, em setembro, e tem toda a renda revertida para a manutenção da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Neste ano, o evento será nos dias 11, 12 e 13 de setembro, no Recinto Mello Moraes.
Além de praça de alimentação e sorteios, bem como exposições, a Feira da Bondade tem como um dos atrativos o famoso ‘Brechó Chic’, que conta com o apoio do Grupo Voluntários em Ação em sua organização. A Apae já começou a recolher peças de roupa e demais objetos que serão comercializados - no ano passado foram mais de 6 mil peças, e a expectativa é de um número igual ou superior em 2015.
A presidente da Apae-Bauru, Olga Bicudo, salienta a importância do evento para a entidade. “Nossas despesas aumentam bastante no final de ano, pois além do salário, temos que pagar o 13º salário. E a nossa folha é de R$ 600 mil mensais, ou seja, em dezembro isso vai para R$ 1,2 milhão, pois são dois salários. E o que a gente arrecada na Feira da Bondade, em setembro, é fundamental para pagar essas despesas, pois não conseguiríamos isso apenas como os repasses do governo”, aponta.
De acordo com Olga, em 2014 foram arrecadados R$ 23 mil apenas com o bazar. “E é um valor que nos ajuda demais, muito mesmo. É importante frisar que todas as peças de roupa são lavadas, recebem amaciante, então se tornam roupas seminovas. Tem até gente que nos doa peças novas mesmo. O importante é que estejam em bom estado de conservação e possam ser bem aproveitadas por quem vai comprar”, acrescenta a dirigente.
Em 2015, a Feira da Bondade terá ainda um caráter especial, pois trata-se do Jubileu de Ouro da Apae, fundada em 1965, e portanto completando 50 anos de atuação em Bauru.
Doações
As pessoas que desejarem contribuir com peças de roupa, calçados, utensílios domésticos e móveis em bom estado de conservação podem levar diretamente na sede administrativa da Apae, localizada na rua Rodrigo Romeiro, 2-47, Centro. A entidade também faz a busca na residência da pessoa, caso não tenha condições de levar, com agendamento pelo telefone (14) 3104-2834 ou 3104-2831.
Eventos particulares seguem firmes
Enquanto diversos bazares beneficentes surgem e se consolidam na cidade, os brechós privados, que são bastante tradicionais em Bauru, seguem movimentados. Espalhados por bairros em praticamente todas as regiões da cidade, são uma opção acessível e com bons preços de roupas, calçados, utensílios domésticos e até móveis.
Um deles é o ‘Brechic’, que atua há 27 anos no Jardim Cruzeiro do Sul. A proprietária Darci Falcão, de 63 anos, toca sozinho o negócio, mas sempre rodeada de clientes, muitas delas amigas de longa data. “Vem mais mulher, mas tem bastante homem que vem também, principalmente para comprar roupas de uso do dia a dia, de trabalho. O perfil dos clientes também mudou nesses últimos anos, as pessoas buscam produtos mais atuais, que estejam na moda”, analisa.
Entre suas clientes, estão Irani Morimoto, Daniele Oliveira e Tereza Camargo, que escolhiam roupas no brechó. “Sempre encontro produtos de qualidade e compatível com o orçamento, dá para comprar um número maior de peças. O preço compensa”, diz Irani. “Eu venho aqui há anos. E a gente sabe que não é só o pessoal do bairro que vem no brechó, tem gente de outras regiões, até da zona sul que vem comprar”, completa Tereza.
No Jardim Bela Vista, o bazar ‘Vitória Seminovos’ é comandado pela comerciante Carmen Lúcia Pereira Romano, que divide suas atenções com outra loja que possui no bairro, e conta com o auxílio de uma funcionara. Ela também entende que a clientela tem outro perfil nos dias atuais.
“Eu comecei vendendo no Mary Dota, pois morava lá. Isso foi de 1990 até 2002, quando mudamos para o Jardim Bela Vista e trouxe a loja para cá. Vem gente do bairro, mas acho que tem até mais clientes de outras regiões da cidade”, aponta. “O brechó, por ter um preço acessível, atrai um público bem diversificado. Já teve gente que veio para o Fórum, que é aqui perto, e precisava de uma blusa e correu de última hora para cá, pois precisava para entrar em uma audiência. Então, tem de tudo”, finaliza Carmen.