Regional

Coxinha reforça renda de cozinheira

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A aposentada Isaura Cardoso de Oliveira, 71 anos, é a precursora da coxinha de mandioca com carne moída do Distrito de Santo Antônio da Estiva no município de Pirajuí. Há mais de 50 anos ela pegou a receita pela televisão, quando as imagens eram ainda em preto e branco e nunca mais largou. Começou fazendo coxinha para a família, mas quando a quermesse do santo padroeiro, Santo Antônio precisou de uma “ajudinha”, ela se dispôs a fazer. Este ano, a festa realizada no dia 12, 13 e 14 exigiu mais de mil coxinhas por dia.

O petisco além de reforçar o orçamento da aposentada é também uma terapia para a mão que ela quebrou há tempos atrás. “Eu movimento a mão e o médico aconselhou que eu não pare de fazer coxinha. Quando as encomendas são grandes, eu chamo minha sobrinha, Aparecida Gomes para ajudar. Nas quermesses, conta com outras moradoras para modelar os petiscos.”

Dona Isaura, como é conhecida, participa de todo o processo da confecção da coxinha. “Eu planto e colho a mandioca. Lavo, cozinho e passo na máquina de moer carne. Misturo com margarina, sal e um pouco de farinha de trigo. Para a massa ficar macia, bato ela várias vezes na vasilha. Se não bater, ela abre em contato com o óleo quente.”

O recheio é feito de carne fresca, moída e temperada com cheiro verde da horta. “Bato a cebola, alho, pimenta no liquidificador. Quando a carne está praticamente pronta, coloco o cheiro verde picadinho. A carne tem que ficar sequinha. Depois de modelada a coxinha ganha uma camada de fubá. Não uso farinha de rosca.”

Para fritar a coxinha é necessário que o óleo esteja no ponto certo, ensina a aposentada. “Jogue um pedacinho da massa no óleo e, se ele fritar, está no ponto. Como a massa é cozida e o recheio também, a fritura é para deixá-la com casquinha crocante.”

A aposentada comercializa as coxinhas em bandejas contendo uma dúzia. “Vendo sem fritar. A pessoa encomenda e eu faço. O comprador vem buscar. Só na festa da quermesse é que fritamos as coxinhas para vender e a pessoa comer na hora”, conta.


Fez escola

A aposentada fez escola com sua participação na quermesse. “Muita gente que ajuda na confecção da coxinha aprendeu e hoje faz para vender. Minha sobrinha também faz de mandioca com carne e de massa de farinha de trigo com frango. Eu não faço outra massa porque não sei.”  Ela lembra que o marido, também aposentado Josias Gomes de Oliveira, entra para a cozinha quando as encomendas dobram. “Ele ajuda a modelar. Para nós é um passatempo e ajuda no orçamento. Muitas vezes compramos nossos remédios, presentes para os filhos e netos com o lucro da coxinha.”

 

  • Serviço

Isaura Oliveira. Rua 15 de novembro, 270, Santo Antônio da Estiva. Fone: (14) 3584-4732

Coxinhas mais famosas

A capital do Estado é famosa por proporcionar uma gastronomia variada e farta para contemplar todos os gostos e bolsos. Em São Paulo o “Bar Mineiro” é famoso por vender coxinha dourada e sequinha. O “Veloso Bar” tem uma coxinha das mais famosas com massa fininha e recheio generoso. O “Frangó” tem recheio com “pitada” de catupiri. Há ainda uma dezena de estabelecimentos que vendem coxinha em São Paulo.


Escritor popularizou coxinha de Araraquara

As famosas coxinhas do distrito de Bueno de Andrada no município de Araraquara ficaram famosas após crônica do escritor Ignácio de Loyola Brandão no jornal “O Estado de S.Paulo”.

O local é ponto de encontro de motociclistas e destaca-se por ser comida de “boteco”. Tem até fila para tomar a cerveja de preferência e comprar as coxinhas.

O estabelecimento fica na frente da antiga estação ferroviária e no local tem playground para a criançada, mesas e banheiros limpos. Os sabores são os mais variados, da famosa coxinha dourada, com frango e coloral, até bacalhau, camarão e uma deliciosa (e ultra calórica) quatro queijos.

Em um dos trechos da crônica, Loyola resume bem como é o local: “Brasil que pensávamos estar perdido e está ali, preservado. Uma venda. Bar e Mercearia do Freitas. Solitária. Homens tomando cerveja na manhã de domingo. O garoto compra uma garrafa de pinga: ‘Marca aí pro pai.’ Uma senhora anota num pedaço de papel cheio de outras contas. Nem é caderneta. É papel de pão. Confiança dos dois, do freguês e do dono. Brasil que pensávamos desaparecido. Há poesia, não nostalgia.”

 

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