| Aceituno Jr. |
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| Aberta pela imagem de São Cristóvão, a carreata percorreu ruas e avenidas de Bauru para abençoar e propor harmonia |
Eram tantos que nem os organizadores e nem a Polícia Militar puderam contabilizar o número de veículos que participaram ontem da carreata em homenagem a São Cristóvão, o protetor dos motoristas e condutores. Com saída às 7h30 do Sindicato dos Motoristas de Bauru (Sindbru) na quadra 40 da avenida Nações Unidas, a fila chegou até o Zoológico e foi aumentando ao longo do trajeto pelas ruas da cidade, rumo à igreja matriz dedicada ao santo, na quadra 15 da avenida Nossa Senhora de Fátima.
Antes da missa, o pároco, padre Luiz Antônio Lopes Ricci, abençoou centenas de automóveis, motocicletas, ônibus e caminhões. “É uma manifestação de fé, em que muitas pessoas vêm agradecer graças recebidas, como sair vivo e recuperar a saúde após um acidente ou ter se livrado de um perigo iminente, e, ao mesmo tempo, pedir proteção e paz no trânsito”, disse o sacerdote.
De acordo com ele, cada um deve dar uma contribuição positiva para a melhoria do trânsito, que, só no ano passado, vitimou mais de 52 mil pessoas no Brasil. “São mortes que poderiam ser evitadas se houvesse mais responsabilidade pessoal e atenção das autoridades, sobretudo, na conservação e melhoria das estradas”.
E o problema não fica restrito às rodovias. Em Bauru, foram registrados 33 óbitos em acidentes no perímetro urbano ao longo de 2014. Segundo dados da Emdurb, neste ano, até junho, a cidade contabilizou 2.718 acidentes envolvendo 866 vítimas, sendo dez fatais e 77 com ferimentos graves.
Diante desse cenário, não basta contar com proteção divina. “Celebrar o padroeiro dos motoristas implica assumir o compromisso de imitar suas virtudes no cotidiano. Cordialidade, paciência, responsabilidade para com a vida, prudência e tolerância são virtudes indispensáveis na condução de um veículo, sobretudo, em tempos de impaciência, violência e aumento considerável no número de veículos nas ruas”, destaca padre Ricci.
Cuidado e fé
Participante ativa na comunidade de São Cristóvão em Bauru, desde que era uma capelinha, a professora aposentada Therezinha Faria dos Reis, de 77 anos, dirige desde os 20 e, sempre que sai de casa, pede a proteção do santo. “Mas não é porque ele nos protege que podemos sair como loucos no trânsito, tenho que ter responsabilidade. A proteção é para que alguém, num momento de deslize ou imprudência, não nos atinja. Tenho que fazer minha parte”, reconhece, lembrando que nunca se envolveu em uma “batida”, só encostou de leve uma vez.
Colaborando diretamente com a festa há mais de 20 anos, Therezinha destacou a participação inédita dos jovens da paróquia na carreata. “Este ano, ainda mais comemorando os 50 anos da festa, a gente decidiu fazer a animação no carro de som, chamando o pessoal para participar da carreata, missa e quermesse. É também uma forma de incentivar os jovens a levantar a bandeira da paz no trânsito e levar essa mensagem para a população”, diz Guilherme José Vasconcelos Silva, de 20 anos, que coordena o Grupo Juventude São Cristóvão.
Seu tio, Moacir José Vasconcelos, participa da paróquia há 43 anos e, há pelo menos uma década, tem a missão de entrar com a imagem do padroeiro na igreja na hora da missa. “A emoção é muito forte. Peço por todos os familiares no trânsito e motoristas em geral. Peço a São Cristóvão que a gente faça sempre o melhor quando estiver dirigindo”.
Fé no volante
Segundo a tradição da Igreja Católica, São Cristóvão ajudava as pessoas, o que incluiu o Menino Jesus, a fazer a travessia de uma margem a outra de um rio agitado, pois era um homem de alta estatura. Hoje, ele é chamado para ajudar os motoristas a atravessar em segurança ruas e estradas. “São Cristóvão é santo por ter vivido a proposta cristã concretamente por meio de atitudes e serviços generosos aos semelhantes. Conduzir um veículo com atitudes cristãs é o diferencial numa pessoa de fé”, defende o padre Luiz Antônio Lopes Ricci.
No que diz respeito aos falecidos no trânsito, é importante confortar e ajudar os familiares a lidarem com o luto pelo olhar da fé. “A vida segue e São Cristóvão diz que prosseguir é preciso, considerando que a vida é uma travessia, infelizmente abreviada para muitos. Se São Cristóvão carregou a Cristo, nós somos constantemente carregados por Cristo, especialmente nos momentos de perda e dor”.
Ao entrar no veículo (Oração criada pelo padre Ricci para os motoristas, a pedido do JC)
“Senhor, Deus da Vida, dá-me as virtudes da responsabilidade e paciência na condução deste veículo. Esteja aqui ao meu lado, como companheiro de estrada. Conduza-me sempre no caminho do amor e da paz. Livra-me dos perigos e me ajude na travessia da vida pela intercessão de São Cristóvão, Amém.”
