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Com mais chuvas, Ipês antecipam floração em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.
Ipê roxo encantou quem passou pela alameda Octávio Pinheiro Brisolla, na Vila Universitária

A beleza e encantamento provocados pela floração dos ipês chegaram mais cedo em Bauru, neste ano. Possivelmente devido ao volume atípico de chuvas registrado em julho, as árvores começaram a florir com cerca de um mês de antecedência, dando à paisagem de ruas e avenidas o colorido tão característico da espécie.

Um dos belos exemplares está na quadra 9 da Octávio Pinheiro Brisolla, na Vila Universitária. Segundo o diretor do Jardim Botânico de Bauru, Luiz Carlos de Almeida Neto, trata-se de um ipê roxo.

É uma transformação de “encher os olhos” e que tem a função de atrair insetos e aves polinizadores para a geração de novas plantas, conforme explica Dorival José Coral, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade do Sagrado Coração (USC) e curador do herbário da universidade.

“Nesta época do ano, é como se o ipê fosse avisado de que está chegando a primavera e o verão. Ele ‘entende’ que precisa produzir as flores, depois os frutos, até liberar as sementes para que elas germinem e perpetuem a espécie”, comenta, destacando que todo o processo é concluído com a chegada do verão, estação chuvosa e mais propícia para o nascimento de novas mudas.

Coral explica que o que faz o  ipê florescer nesta época do ano é a variação de temperatura característica do inverno. Em Bauru, por exemplo, os termômetros têm oscilado de 11 a 15 graus à noite, até 27 e 29 durante o dia.

‘Choque térmico

E é este “choque térmico” que “avisa” as árvores de que está na hora de começar a florir. “Há uma combinação de fatores. Elas precisam da luz do dia, desta variação brusca característica do inverno e também dependem do regime hídrico”, observa.

O que surpreendeu, neste ano, contudo, foi o mês de julho atípico, com acumulado de quase 90 milímetros de chuvas, marca que foi alcançada pela última vez, no mesmo período, somente em 2010. “Mas, com certeza, os ipês vão continuar florindo. É um período que pode durar de dois a três meses, porque cada espécie tem um momento”, completa.

Em geral, segundo o professor, os ipês brancos são os primeiros a florescer, depois vêm os amarelos e, por último, os roxos e rosas. As flores do ipê amarelo têm uma durabilidade maior, sendo que os frutos e a quantidade de sementes também são maiores.

Além de ser menor e mais delicada, a flor do ipê branco tem menor durabilidade, ficando nos galhos por cerca de três dias. No meio termo entre o branco e o amarelo, está o ipê roxo e o rosa. “Mas é preciso destacar que temos uma série de espécies exóticas que foram trazidas para a nossa região e que podem se comportar de maneira diferente”, acrescenta.

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