Sabemos que a cidade neste 1 de Agosto comemora os seus cento e dezenove anos da aprovação da Lei nº 428, assinada por Manuel Ferraz de Campos Sales, mudando a sede do município de Espírito Santo de Fortaleza para Bauru: Art. 1 “O Município do Espírito Santo de Fortaleza passa a denominar-se Bauru, mudando-se para esta última povoação a sua sede”. Portanto, Bauru conta com 119 anos de emancipação política e não de fundação, pois por volta de 1850 já tínhamos indícios de colonos nesta região e a primeira doação para formação do patrimônio de Bauru é de 1885. A partir de 1888 Bauru já recebia as primeiras famílias de imigrantes italianos e em 1892 de espanhóis que foram colonizando o povoado que teve um impulso com o início da construção da Estrada de Ferro em 1905, transformando-se na cidade que vivemos hoje.
Assim Bauru tem uma história escrita por pesquisadores que graças à paixão pela cidade e motivação própria reuniram documentos textuais, verbais, fotográficos e outros que tiveram acesso e com o que tinham nas mãos foram produzindo textos que contavam como ocorreu parte deste crescimento da cidade nas diversas áreas e que graças às suas publicações puderam chegar até nós, no século XXI, essa herança histórica que a população de Bauru atual, principalmente as crianças e jovens, precisam conhecer para manter não só a tradição, mas a continuidade de valores e feitos que a cidade tem e especialmente a valorização e o “amor” a Bauru, pois só se valoriza aquilo que se conhece, haja vista os problemas de pichação e destruição de monumentos pela cidade. Há muito o que conhecer. Temos alguns lugares que servem de referência, tais como: Cemitério da Saudade, Instituto Lauro de Souza Lima, Estação Ferroviária, Praça Rui Barbosa, Monumentos, Rua Batista de Carvalho etc. Nos Museus Histórico e Municipal e Núcleo de História da USC encontramos acervos deste legado.
Vamos citar alguns pesquisadores sem esquecer que hoje temos uma nova geração que continua o trabalho: Paulino Raphael, José Fernandes, Carlos Fernandes de Paiva, João Correa das Neves, Gerson Rodrigues, Luciano Dias Pires, Gabriel Ruiz Pelegrina, Irineu Azevedo Bastos, João Francisco Tidei de Lima, Celio Losnak, Nilson Ghirardello e Terezinha Zanlochi. Mas vejo que precisamos que as autoridades competentes hajam com mais atenção ao ensino e a preservação da história que também está em crise, pois se fizermos uma enquete pela cidade junto à população sobre o que se conhece sobre sua História não teremos um resultado muito positivo.
Temos que trabalhar para tirar o estigma de “povo sem memória” e descobrir maneiras de ativar a memória com vitaminas que prolonguem o efeito e que este não seja apenas no mês de aniversário da cidade.
A autora é professora