Tribuna do Leitor

Pai e a eterna solidão


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O martírio de um pai é quando, já no fim de sua existência, tem de enfrentar sozinho a solidão. Tem filho, mas é como não tivesse. Ignora por ser velho e, por isso, não é possível sua convivência. O filho abandona o pai e procura outros conselheiros no mundo. O filho já se esqueceu de que um dia o pai foi seu herói e amigo na sua infância. Agora vê o pai idoso como empecilho atrapalhar os seus planos.

O pai chora sentindo a ingratidão penetrar como uma faca que perfura o coração ao ser abandonado pelo filho amado. Nos fios de cabelo branco está o sinal do sofrimento, um esforço para dar o melhor ao filho, o amor!

Sentado na cadeira, o pensamento recorda com saudade a infância do filho e o tratava com amor e carinho. Como tudo passa, o pai envelhece. O filho não aceita conselhos e ainda o repreende quando o pai corrige as suas atitudes. Retruca sem vacilar e diz saber o que fazer!

Passaram-se os anos, no entanto o pai ainda é fiel na sua bondade para com o filho, apesar da sua ingratidão! O coração do pai que ama espera ainda ser compreendido e ter o filho um companheiro e amigo. Nem mesmo a ingratidão por deixar o Pai num canto qualquer, simplesmente por ser um velho! Mesmo ainda quando o filho ignorou seus sábios conselhos e ainda o considerou um débil, o coração do pai sofre pelo filho tão perto, mas distante de coração, seus olhos cheio de lágrimas por não poder passar a sabedoria e o amor. Mas que o filho não sabe é que ainda vai precisar dos conselhos do pai para superar as dificuldades no futuro.

O pai sabe do seu dever com Deus, a sua vivência e a sabedoria estão na missão de pai e no seu silêncio conduzirá o filho ao bom caminho. Assim, o pai se recorda da infância do filho, afetivo, carinhoso, um coração sem maldade e sem malícia, transborda o coração de alegria.

O filho ingênuo é sempre presente no coração do pai, mesmo estando ausente pelas atitudes que contrariam a sua vontade. O pai, já velho, carece do amor do filho, espera o filho o acolher com amor, respeito e dedicação àquele que gerou a vida, colocou de pé e ensinou a caminhar neste mundo.

Só que hoje o filho não reconhece mais o pai, aquele amigo de outrora, o seu melhor professor diplomado na faculdade da vida. Mas ele, no silêncio do coração, guarda para sempre o amor ao filho e espera o filho voltar, no dia em que, também, ele for pai.

José Carlos Bertolucci

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