Com o viaduto em funcionamento, o trânsito da Praça Espanha ficou ainda mais sobrecarregado. O local, que já registrava a passagem de 900 veículos por hora nos momentos de pico, apenas no sentido Pedro de Toledo-Falcão, agora tem o agravante de ser o ponto de acesso ao novo viaduto tanto de quem vem da própria Pedro de Toledo (pelo viaduto Nove de Julho/Mauá) como de quem vem das vilas Falcão e Independência pela avenida Alfredo Maia, precisando “cortar” o trânsito de quem está vindo do Centro para a Praça Espanha.
O sapateiro José Carlos Fabiano, 73 anos, nasceu e morou boa parte da vida na Vila Falcão. Mesmo morando há 30 anos no Núcleo Geisel, mantém sua sapataria na Praça Espanha. “Eu vi quando começaram a fazer o Viaduto Mauá. Antes, ali era uma horta que pertencia ao meu avô. Depois, começaram a fazer este outro, que demorou todos esses anos para terminar. Passei por lá a pé no dia que abriu. Ficou bom, mas a gente imaginou que a ligação da Nuno de Assis com essa região fosse ser maior, passando por baixo dos viadutos e chegando até na Comendador Martha”, reitera, mencionando um antigo projeto de interligar a Nuno com a região sul, passando pelas entradas da zona oeste.
Hércules Moreno, 57 anos, é morador da Vila Alto Paraíso e passa com frequência na Praça Espanha. Para ele, sem a instalação de um semáforo será impossível organizar o fluxo de veículos. “No horário de pico está formando uma fila grande na rotatória, com os motoristas que tentam entrar no viaduto e não conseguem atravessar. Vai precisar de um semáforo”, acredita.
Outra reclamação é com relação ao trevo que foi criado logo após o Viaduto Nove de Julho. Quem vem no sentido Centro-Falcão agora tem uma bifurcação antes de chegar à Praça Espanha, com o lado esquerdo dando acesso à rua Campos Sales, e o lado direito sendo de acesso ao novo viaduto.
No entanto, o trevo possui um poste que pode ocasionar acidentes. O 2º tenente reformado da Polícia Militar Wladimir Macedo também passa com frequência neste trecho e relata o problema. “Esse poste se tornou perigoso, porque quem vem da Pedro de Toledo já chega nesse trevo, que tem o poste bem no começo. Precisam sinalizar melhor, colocar uma placa ali informando que para a esquerda é a entrada da Falcão e para a direita o acesso ao novo viaduto”, aponta.
Semáforo
O gerente de planejamento e sistema viário da Emdurb, Aníbal dos Santos Ramalho, cita que a aferição do volume de tráfego já está em andamento, para indicar a necessidade ou não de se instalar um semáforo na rotatória. “No sentido Centro-Falcão já temos um fluxo alto, de 900 veículos por hora. Agora, para colocar um dispositivo, vamos precisar aferir o trânsito de quem vem da Alfredo Maia e vai para o viaduto. Se for acima de 75 veículos por hora, já nos permite colocar um semáforo, algo que demoraria pelo menos um mês, pois tem que solicitar ponto de energia junto à CPFL também”, detalha.
Ramalho explica que seriam três pontos de semáforo (veja o info abaixo). Com tempo maior de sinal verde para o fluxo que vem da avenida Pedro de Toledo para a Falcão ou vai entrar para o viaduto – seriam dois pontos distintos, mas que seriam fechados e liberados simultaneamente. O outro ponto é justamente para quem vem pela rotatória da Praça Espanha para entrar no acesso do viaduto, que abriria justamente quando os outros dois fecharem.
Quando o novo viaduto já estiver com mão dupla, não haverá necessidade de um novo ponto de semáforo, comenta Ramalho. A sinalização com ‘Pare’ seria suficiente, segundo o gerente da Emdurb. “Como já vai ter a interrupção do trânsito de quem vem no sentido Centro-Falcão, quando o sinal estiver vermelho ali, dá para regular a saída do viaduto apenas com um Pare, porque já vai ter segurado o trânsito antes da rotatória”, completa.
Nesta semana, a Emdurb reforçou a sinalização de solo próximo ao acesso do novo viaduto. Entretanto, a colocação de uma placa na bifurcação indicando com clareza os acessos para a Falcão e o viaduto também deve ser providenciada. “É algo que vamos colocar também, para que o motorista não se confunda”, pontua Ramalho.
Iluminação
O Viaduto Falcão-Bela Vista foi entregue sem iluminação. O serviço será executado pela empresa RT Energia, ao custo de R$ 805 mil. Inicialmente, serão colocados os suportes e lâmpadas provisórias, a vapor de sódio. Posteriormente, elas serão trocadas por lâmpadas de LED, que duram até 25 anos e consomem menos energia, conforme consta no contrato entre a empresa e a prefeitura.
Outra melhoria que a Secretaria de Obras vai fazer são as juntas de dilatação. Uma empresa será contratada para isso, em licitação que vai ser aberta em breve, e o custo estimado é de R$ 170 mil, custo que será bancado com sobras do repasse federal para a conclusão do viaduto.
Os próximos
O secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, diz que a curto prazo não há previsão de novos viadutos na cidade, mas que a médio e longo prazo novas intervenções serão necessárias. Os viadutos sobre a linha férrea, na avenida Comendador Martha e na ligação do Distrito Industrial I com o Mary Dota, por ora não devem sair do papel. Há ainda um pedido junto ao governo estadual para a construção de um viaduto na avenida Elias Miguel Maluf, na região da Vila Dutra.
Para Rodrigues, na área central da cidade a próxima área que deve demandar um viaduto é o cruzamento da Nações Unidas com a Nuno de Assis. “Não há nenhum projeto ainda, mas eu vejo que a médio e longo prazo a cidade não vai escapar disso, terá que fazer um viaduto porque aquele cruzamento vai já está ficando saturado”, menciona o titular da pasta.
Na outra ponta, Avenida Nuno de Assis passa a ter mais movimento e torna-se alternativa
As primeiras quadras da avenida Nuno de Assis sempre tiveram um tráfego reduzido de veículos, se comparada a outros setores da mesma via – do Viaduto João Simonetti (13 de maio) em diante. Porém, em poucos dias, o movimento da avenida já aumentou bastante, garantem os comerciantes que trabalham no local.
Os pintores de autos Júlio César Barroso Castro, 33 anos, e Juliano Marques de Oliveira, de 34, e a secretária Bruna Natália Carvalho de Souza, 34, trabalham na primeira empresa da avenida Nuno de Assis, no sentido de quem vem do novo viaduto. Nos últimos meses, eles chegaram a ficar praticamente ‘ilhados’, pois aquele trecho da Nuno de Assis foi fechado para a instalação dos interceptores de esgoto. Agora, além da liberação deste trecho, a entrega do viaduto deu outra dinâmica ao local. “Já deu para perceber o aumento. Nenhum de nós usa viaduto para vir de casa até aqui, mas vai ser muito útil pelo acesso que vai dar da Falcão para cá, é mais movimento e visibilidade para quem está na avenida”, afirma Júlio César.
Juliano também comemora a liberação do elevado, mas com uma ressalva. “O pessoal tem descido do viaduto em velocidade alta. A obra em si foi muito boa para a região, já deu outro movimento para a Nuno de Assis, só que precisa colocar um radar, principalmente nessa descida do viaduto para a Nuno, porque muita gente está passando acima da velocidade”, pondera.
Bruna cita um efeito colateral do movimento, mas que estaria mais associado às obras dos interceptores de esgoto: a poeira. “A gente tem sofrido com a poeira aqui, mas acho que é realmente por conta das obras para tirar o esgoto do Rio Bauru”, lembra.
Mão dupla
O gerente de planejamento e sistema viário da Emdurb, Aníbal dos Santos Ramalho, diz ser complicado viabilizar mão dupla na avenida Nuno de Assis entre o Viaduto Falcão/Bela Vista e a rua Inconfidência – mais de 800 metros. “Não é o ideal, aliás, longe disso. A ponte das ruas Inconfidência e Alto Purus sobre o rio Bauru, no cruzamento com a Nuno de Assis, já é um ponto complicado, pois é uma das principais vias de entrada e saída do Bela Vista. Então, o nosso posicionamento é evitar ao máximo ter que fazer mão dupla nesse trecho todo, na pista do Fórum para a Rodoviária. Além disso, nesse trecho tem a saída da alça do Viaduto da 13 de Maio, que tem grande fluxo e aumenta o volume de veículos na Nuno”, acrescenta.
Para Ramalho, a construção de uma ponte perto do Viaduto JK, transpondo o rio Bauru, é a saída considerada adequada. “O ideal mesmo em termos viários seria a segunda alça, mas como isso é inviável e curto e médio prazo, a alternativa que gera menos impacto na Nuno de Assis, e também a mais segura, é fazer uma ponte sobre o rio Bauru, permitindo que quem venha no sentido Mary Dota-Falcão possa entrar no sentido contrário já próximo ao viaduto”, analisa.
Ainda sem uma data exata para operar em mão dupla, já está certo que quando isso ocorrer a separação das pistas não será apenas com faixas. “Vamos colocar também tachões em toda a extensão do viaduto, para separar bem as duas faixas de rolamento. Desta forma, o risco de acidentes é bem menor, pois não há margem para ultrapassagens na pista contrária”, confirma Ramalho.
Sobre a redução de fluxo em outras vias, ele afirma que com uma semana de funcionamento ainda não é possível mensurar isso, porém acredita que com o tempo mais gente passe a usar o elevado. “Deve reduzir um pouco o movimento em ruas como XV de Novembro, Cussy Júnior e nas avenidas Rodrigues Alves e Pedro de Toledo. Mas ainda não dá para estimar”, finaliza.
Velocidade
O gerente de planejamento e sistema viário da Emdurb, Aníbal Ramalho, explica que está fora de cogitação a implantação de obstáculos de solo, as famosas ‘lombadas’, ao longo do viaduto. Entretanto, a colocação de um radar será analisada pela empresa municipal. “Não dá para já instalar um radar antes de liberar o tráfego, pois existem critérios técnicos. A gente sabe que muita gente passa acima da velocidade permitida, que é 50 km/h, uma velocidade que permite uma boa segurança sobre o viaduto e nos acessos, então colocar um radar é algo que será sim analisado”, confirma.
Boa parte dos 760 metros do viaduto são em linha reta, bem como os 400 metros que ligam o dispositivo à Praça Espanha. Entretanto, já na ligação com a Nuno de Assis, há uma curva à direita para quem vem no sentido Falcão-Bela Vista. Ramalho cita que uma possibilidade para reforçar a segurança é colocar uma faixa reflexiva ‘zebrada’ no guarda-corpo, principalmente para auxiliar no sentido noturno. “É algo que pode ser colocado, sim. Mas reitero que a 50 por hora, o risco de acidente é baixo ali. Acima disso é que complica”, completa.
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