Tribuna do Leitor

As bombas de Hiroshima e Nagasaki e minha espiritualidade

Jeferson Rodolfo Cristianini - pastor da PIB
| Tempo de leitura: 3 min

Toda guerra e todo conflito são desumanos, mas algumas guerras chegam às raias do absurdo. As bombas de Hiroshima e Nagasaki são duas das maiores declarações da desumanidade do ser humano. Completamos 70 anos dessa tragédia. Tragédia pela violência e o desejo de destruir o semelhante a qualquer custo. Na realidade, o desejo não era somente matar o inimigo, mas exterminá-lo da face da terra. Os conflitos das nações foram capazes de ceifar vidas e deformar corpos que ainda sofrem com a radiação.


A bomba não destruiu apenas as cidades e circunvizinhança, destruiu vidas, sonhos, projetos e o desejo de viver de algumas pessoas. As guerras são sempre assim, toma rumos incontroláveis por conta da maldade no coração humano. O coração humano, como sede das emoções e desejos, é corrompido e sempre tende a alimentar e suscitar pequenos conflitos, que geram pequenas batalhas e às vezes descamba para guerras. E sempre que uma guerra é declarada vidas sofrerão impactos sem fim. Após o start da guerra é difícil ter a real noção do grau da destruição. O que se sabe é que a destruição será grande. Nossos sentimentos às vítimas e familiares de Nagasaki e Hiroshima.


A história de Hiroshima e Nagasaki nos leva a várias reflexões, inclusive espiritual. Nossa sociedade vive em guerra. Cada dia é uma batalha nessa selva que chamamos de vida social, e às vezes somos vítimas de guerras que não são nossas, e somos vítimas de algumas determinadas violências que desafia nossa visão romântica pela vida. Jesus, nosso Mestre Eterno, disse mesmo que “o ladrão veio matar, roubar e destruir”. A função do inimigo de nossas almas é nos levar para a rota de colisão, para os desajustes, para os conflitos, pois essas situações vão matando nossa esperança e aos poucos vão roubando nosso amor.


Após matar e roubar os sonhos, o inimigo de forma suja destrói e a devastação é triste e nojenta. É fácil ver o inimigo de nossas almas provocando guerras sem fim. São muitas bombas. São bombas atômicas. São bombas que matam, roubam e destroem. Enquanto vemos as várias bombas das guerras cotidianas caem e promove destruição as palavras de Jesus ecoam nos relembrando, que nos “últimos dias o amor se esfriaria”. Enquanto a violência tenta triunfar, o amor se esfria no coração humano. O coração gélido gosta de guerra, gosta de bomba. Há pessoas terroristas ao nosso redor que explodem bombas ao nosso redor. Há aqueles que maquinam o mal e lançam suas bombas dando risadas. Mas, Jesus nos ensina que se o “ladrão veio roubar, matar e destruir”, Ele veio “para que tenham vida e a tenham em abundância”.


Jesus promove a vida. Ele é a Vida. Autor da Vida. O Autor da Vida nos chama para vivermos em amor e não em guerra, nos chama para vivermos no Seu reinado de paz.


Jesus convoca seus discípulos a demonstrarem amor em todas as circunstâncias, pede para orarmos pelos inimigos, pede para abençoarmos aqueles que nos perseguem, pede para sermos agentes da paz. Ele nos convoca a sermos semeadores do amor, pois Deus, o Pai, é amor, e promotores da paz. Em um tempo de reflexão sobre a guerra das “famosas” bombas de Hiroshima e Nagasaki, Jesus nos convoca a divulgarmos os valores do Seu reino. A mensagem que Ele deixou como primeira mensagem após Sua ressurreição foi “paz seja convosco!”.


Em um tempo de bombas é bom viver e divulgar a paz. Que a paz de Jesus blinde nossos corações em uma sociedade minada e cheia de pessoas querendo soltar bombas de todas as espécies. Nagasaki e Hiroshima revelam o que há de pior no ser humano e o quanto o mesmo está longe de Deus, mas as manifestações de paz e de amor explicitam que fomos criando a imagem e a semelhança de Deus. Hiroshima e Nagasaki podem não ser tão longe quanto imaginamos, por isso, viva o amor e pregue a paz.

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