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Entidades orientam comerciantes em Bauru

Thiago Navarro
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O foco são cursos e palestras para melhorar a gestão dos associados

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) tem aproximadamente 1 mil empresas associadas em Bauru. “Não são apenas do comércio central, mas dos shoppings, dos bairros, região sul, abrangemos a cidade toda”, cita o assessor da diretoria e advogado da entidade Elion Pontechelle Júnior.

Ele comenta que algumas medidas são importantes nesta época de desaceleração do consumo. “A CDL orienta os empresários a ter algumas ações que podem ajudar. A primeira delas é tentar compor com os inadimplentes, negociando com eles o que pode ser pago da dívida. Uma segunda medida é sempre que possível oferecer descontos e fazer promoções. E ainda, como terceira ação, baixar o estoque e trabalhar com produtos sazonais, e procurar não acumular um volume muito grande no estoque, de forma a não comprometer o capital de giro da empresa”, salienta Pontechelle.

Malavolta Jr.
Elion Pontechelle Jr., da CDL, orienta os empresários a renegociar com os inadimplentes
Douglas Reis
A Acib oferece suporte aos associados, afirma Patrícia Rossi, presidente da entidade

O advogado da CDL lembra ainda que a entidade possui um serviço de cobrança, que pode ser acionado pelas empresas associadas para negociar com inadimplentes.

Já na Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), que reúne aproximadamente 500 empresas, o foco são cursos e palestras para melhorar a gestão dos associados. “Muitas vezes, o empresário sabe vender bem o produto dele, mas tem dificuldade na parte interna, administrativa, em gerir seu negócio”, aponta Patrícia Rossi, presidente da Acib.

Com a crise, ela lembra que mais pessoas passaram a empreender, até por necessidade depois de perder um emprego formal, e que independente do tempo de atuação de um empresa, é importante apostar na gestão profissional. Patrícia Rossi explica que a Acib já reuniu os associados para saber as demandas específicas de cada um, e que empresas mais antigas e de administração familiar, antes conservadoras, estão buscando mais agressividade no mercado. “Eles mudaram a forma de encarar a crise, sem se retrair. Já as empresas mais novas, aquelas com até cinco anos de existência, algumas fecharam, mas muitas seguem se fortalecendo, e aquelas já estabelecidas, com média de sete a oito anos, não deixaram de investir em expansão”, frisa.

“A Acib promove esse trabalho de assessoria junto aos empresários para orientá-los e para que tenham uma gestão mais profissional e eficiente. Em relação a medidas, algumas empresas que já estão consolidadas apostaram no diálogo com os colaboradores e atitudes que não comprometam o quadro de funcionários, como adotar banco de horas em substituição às horas extras, devidamente acompanhado por cada sindicato das respectivas categorias”, reitera.

João Rosan
O economista Mauro Gallo ressalta que retomada do crescimento depende do ajuste fiscal promovido pelo governo

Crescimento só em 2017

O economista Mauro Gallo diz que o momento atual pode e deve ser definido como crise. “Estamos vivendo sim uma crise, e violenta pelo fato de não ser só econômica, mas política também. Há muitos desdobramentos da Operação Lava Jato, tivemos antes o mensalão, enfim, há uma instabilidade na política que se reflete na economia”, adverte.

“Se tudo funcionar bem no ajuste fiscal do governo, em 2016, pode dar uma estabilizada, e começar a retomada do crescimento, aos poucos, em 2017. Neste ano, estão falando em queda de 2% do PIB, mas eu acredito que será até mais, não será surpresa se chegar a 3% ou 4%”, menciona. A própria postura do governo no ajuste fiscal é criticada pelo economista. “Estão buscando um ajuste que preza pelo aumento da arrecadação, com mais impostos e tributos, após um período em que várias tarifas ficaram represadas, como a energia, e chegou um momento em que subiu tudo de uma vez. Apostar em mais arrecadação com aumento de impostos é um tiro no pé, pois freia a economia. O que precisava era ter corte de gastos, com ministérios, deputados, isso sim era necessário. Ajustar no gasto, não na arrecadação”, enfatiza Gallo.

Atualmente, o desemprego no Brasil subiu para 6,9%, em junho, e o ritmo vem se intensificando nos últimos meses, segundo o IBGE – há pouco mais de um ano, esse índice estava abaixo dos 5%. Para Mauro Gallo, no ritmo atual, não é difícil que em 2016 a taxa ultrapasse os dois dígitos, acima portanto dos 10%, índice considerado bastante preocupante, reitera o economista. Já o dólar comercial, que na última semana esteve cotado a R$ 3,50, em média, deve manter por mais algum tempo a projeção de alta, podendo fechar 2015 na casa dos R$ 4,00. “E, ao contrário do que as pessoas pensam, isso interfere em tudo, pois muitos insumos são importados”, resume.

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