Regional

JC nos Bairros: como nasce uma praça

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

Ricardo Ursulino
5% da área dos terrenos loteados devem ser destinados às áreas verdes; Semma é responsável pela criação e revitalização desses espaços 

Elas ainda são endereços certos para os moradores dos bairros quando o assunto é lazer. Mas você sabe como nasce uma praça?

Sempre que um loteamento é feito, 35% da área são destinadas para o município, segundo explica a titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Lázara Gazzetta. Destes, 20% têm como destino a  construção de vias (ruas e avenidas); 10% vão para a área institucional (escola, creches, centros de lazer e esporte etc) e 5% da área   do terreno têm como destino as praças e áreas verdes.

“Isso é lei. Quando um loteamento é novo, a praça é criada de imediato. Mas, muitas vezes, o que acontece é que esses locais não são urbanizados. São criados, mas não recebem a infraestrutura necessária”, aponta Gazzetta. É o que vemos em muitos bairros da cidade: terrenos previstos para a área de lazer que se transformam em depósito de lixo, entulho...

“Atualmente estamos trabalhando com a urbanização de praças em cima das reuniões do Orçamento Participativo, realizadas no começo do ano para atender as demandas da população. Tudo o que hoje a Semma vem fazendo, tanto no planejamento de 2015, quanto no de 2016, está pautado sobre essas demandas da população”, explica.

A Semma tem equipe própria de arquitetos para fazer as remodelações. E, embora a pasta seja a responsável pela criação e revitalização das áreas verdes, ela não trabalha sozinha. De acordo com Lázara, há sempre demandas da Câmara ou do próprio Gabinete.

Alex Mita
Etapas da revitalização que deu vida à praça do Núcleo Octávio Rasi

A ajuda também vem na hora de “erguer” a obra. Com uma equipe reduzida de dois pedreiros, a Semma conta com a ajuda de outras secretarias municipais para revitalizar e construir os espaços de lazer. Cada secretaria ajuda de acordo com suas peculiaridades. A Secretaria de Obras na iluminação, por exemplo; a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) na pintura, a Semma com o plantio de mudas, paisagismo e implantação de academias e playgraunds. A Semel entra quando há colocação de quadras e campinhos de areia... “As atribuições são da Semma, mas não fazemos nada sozinhos”, grifa.

Nomes

Praças também recebem nomes, o que é definido após o prefeito encaminhar o decreto de criação para a Câmara e os vereadores definirem o nome que batizará o local.

Condomínios

Quando um loteamento é feito para a construção de um condomínio, também há uma obrigatoriedade legal que pede a construção de uma área verde, segundo explica a titular da Semma. 

“O projeto de todas as construções feitas em Bauru precisam passar pela  Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) e, mesmo que seja particular, é necessário passar também pela Semma para avaliar se a construção não prejudicará nenhuma Área de Preservação Permanente (APP).

A Semma também avalia o projeto de arborização urbana do condomínio e define a quantidade de área verde que a obra terá de preservar”. No caso de condomínios verticais, é necessário fazer a arborização no seu entorno.

Estrutura

A infraestrutura instalada em uma praça depende do que se pretende e até mesmo do tamanho do terreno. Entretanto, normalmente são instalados bancos, bebedouros (principalmente se o local receber playground, equipamentos de ginástica e área esportiva), iluminação, academia (instaladas normalmente num raio de três quilômetros de distância uma da outra), paisagismos e árvores. Grandes espaços ainda recebem pista de caminhada. Já os bosques precisam também de cercamento.   

Alex Mita
Praça do Rasi virou a principal atração do bairro

‘Agora tem vida’

Recém-remodelada, a Praça do Rasi virou a principal atração do bairro. “Eu que o diga. Estou aqui há 30 anos e nunca vi os moradores tão animados com alguma coisa. A praça era um terreno com entulho. Nada mais. Agora tem vida. E tomara que a população cuide”, comenta o aposentado Antônio Augusto Rocha, que, agora, todas as tardes leva a neta Gabriela Botura Rocha, 4 anos, para brincar no espaço.

Semma pretende revitalizar ao menos 6 praças até o fim de 2016

Núcleo Octávio Rasi e Parque das Nações são exemplos de bairros cujas praças foram revitalizadas recentemente

Vida nova 

Éder Azevedo
Moradora do Parque das Nações, Cláudia Abreu comemora a revitalização da Praça Rotariano Antônio Carlos Martins ao lado das filhas Elisa e Hadassa

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) prevê projetos de revitalização para, no mínimo, seis praças até o fim de 2016. No Octávio Rasi foi entregue a revitalização da praça do núcleo no início do mês. No Jardim Godoy, uma nova praça está para ser entregue. Na região sul da cidade, a Secretaria de Obras deu início à limpeza e terraplenagem em área de futura praça.

A população grita por revitalização de praças. E tal necessidade é evidente. De acordo com a titular da Semma, Lázara Gazzetta, a demanda vem da cidade toda. Contudo, há lugares que precisam de mais atenção. É o caso dos bairros mais afastados do Centro da cidade, como o Núcleo Octávio Rasi, revitalizada e entregue recentemente.

Alex Mita
Titular da Semma, Lázara Gazzetta: “Bairros mais afastados do Centro são os que mais precisam de revitalização nas praças”

Basta andar pelos bairros para notar o papel fundamental que as praças ainda desempenham no lazer da população, principalmente da mais carente. Crianças brincando no playground ou correndo para lá e para cá, adultos fazendo uso das academias ao ar livre, gente de todas as idades passeando com seus mascotes e mães com bebês são apenas alguns exemplos do público que ainda habita esses espaços, principalmente de manhã e à tarde.

Entretanto, o estado de abandono e a falta de manutenção acabam afastando a população desses espaços, em muitas regiões. Mas quando a tão sonhada e exigida revitalização chega, a vida volta para as praças públicas.

Foi o que aconteceu recentemente no Parque das Nações com a Praça Rotariano Antônio Carlos Martins. Revitalizado, o endereço de lazer oferece  quadra de vôlei de areia, campinho de futebol, parque infantil e uma pista de atletismo.

Adotada pelo Rotary Bauru Parque das Nações, a praça fica na quadra 7 da rua Luís Ferrari. Uma das moradoras do entorno é Cláudia Abreu. “Antes, era apenas um terreno, um buracão que servia para depósito de lixo. Agora os moradores estão animados, frequentando o lugar, principalmente as crianças. Minha filha mais velha, Elisa, de 10 anos, gosta muito de jogar vôlei na quadra de areia  e brincar nas árvores”, comenta.

A moradora acredita que a iniciativa da população é fundamental para manter a limpeza e conservação do lugar. “Por isso já entramos em contato com a Secretaria de Municipal de Esportes e Lazer (Semel) e o Rotary para, quem sabe, instalar por aqui projetos sociais esportivos e cursos”, diz, animada.

Centenária, Rui Barbosa é a mais antiga

A Praça Rui Barbosa foi inaugurada em 12 de abril de 1914 e, de lá para cá, muita coisa mudou. No início, o espaço apresentava jardins luxuosos, lagos artificiais e iluminação esplendorosa, o que deu origens à críticas, já que a cidade enfrentava problemas de infraestrutura, como falta de água, fornecimento de energia elétrica e limpeza pública.

Os mais velhos devem se lembrar dos lagos que abrigavam até jacarés. Do lugar mais luxuoso e frequentado de Bauru ao atual chão de passagem, a praça foi palco de glamour, romance, comédia, aventura e até suspense. Ao longo dos anos, a Rui Barbosa foi perdendo o glamour com o restante do Centro, e passou, inclusive, a servir como abrigo para usuários de drogas.

Com um espaço de 8.968 metros quadrados, a Rui Barbosa abriga árvores tombadas e o busto da personalidade de quem “herdou” o nome. Com o aniversário de 100 anos, a praça mais famosa de Bauru ganhou a sua mais recente revitalização. Entre as melhorias e novidades, está o piso tátil para atender as normas de acessibilidade. Próximo aos pontos de táxi serão instalados bicicletários chumbados no chão. A praça também ganhará mais verde.

Mais história

Quando a proposta para a Praça Rui Barbosa começou a ser a executada, dez anos depois do início do século 19, houve um problema de foro religioso que resultou na excomunhão de Bauru. A capela do Divino Espírito Santo ocupava parte na área a ser urbanizada que, até então, não passava de um areião.

A estrutura tornou-se um entrave para o projeto, e ficava no meio da via que, posteriormente, tornou-se o Calçadão da Batista de Carvalho. A capela, então, foi demolida para que uma igreja matriz fosse construída bem próximo. Ainda assim, a destruição resultou em problemas junto às lideranças da igreja católica que, na época, ficavam em Botucatu (Da Redação).

Cresce procura por ‘adoção’

Município tem 89 áreas verdes adotadas, entre praças e canteiros centrais, segundo levantamento da prefeitura no primeiro semestre do ano.

Adoção

A “adoção” é um processo simples. A Semma orienta que os requerentes procurem o Poupatempo com cópias dos documentos pessoais e o endereço da área que pretende adotar.

O próximo passo é o envio do processo para a Secretaria, onde um levantamento sobre a área e feito. Caso o espaço não esteja adotado, a Semma entra em contato com o requerente para a finalização da adoção.

Também é possível acessar o link da “Empresa Boa Praça”, no site da Prefeitura Municipal, ícone da Secretaria do Meio Ambiente. No endereço eletrônico é possível verificar a legislação, a documentação necessária e como proceder para adotar. O interessado ainda pode ligar na Semma para outras informações pelo telefone: (14) 3234-6849.

Malavolta Jr.
A Praça Portugal, no Jardim Estoril, foi adotada pelo Jornal da Cidade

Bauru conta com 89 áreas verdes adotadas, segundo dados levantados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), no primeiro semestre do ano. A estimativa é de que a adoção de praças e canteiros centrais tenha crescido cerca de 30%, no período de um ano.

“É possível dizer que de 2014 até hoje, a adoção de praças e outros espaços verdes cresceu algo em torno de 30%. Esse aumento se deve, principalmente, porque hoje a população é mais consciente em relação ao meio ambiente e a importância de se ter e manter um espaço verde próximo de casa”, comenta o diretor de Divisão de Praças e Áreas Verdes da Secretaria de Meio Ambiente de Bauru (Semma), Valter dos Santos Júnior.

Ainda segundo Júnior, o desejo de manter a vizinhança limpa, sem lixo, entulho e mato alto também têm contribuído com a preocupação dos bauruenses que saem de sua “zona de conforto” e ajudam a cuidar dos espaços de uso comum. Os adotantes normalmente são grupos de moradores, empresas privadas e clubes sociais.   

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