| Malavolta Jr. |
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| Silvio Motta Maximino, professor de filosofia e antropologia, destaca a necessidade de uma educação política mais eficaz |
O professor de filosofia e antropologia Silvio Motta Maximino, que leciona na Universidade Sagrado Coração (USC), aponta um perfil ideológico difuso na juventude atual.
“É um perfil bastante complexo. Há uma diversidade incomensurável entre seus integrantes que não permite rotulá-los. O novo militante não segue nenhuma cartilha ideológica, para desespero de progressistas e liberais. Esse novo militante abomina partidos e acredita que será protagonista de mudanças, a partir do seu grito nas ruas. Falando nisso, em que gaveta de Brasília foram parar os “cinco pactos nacionais” tão alardeados pelo Executivo Federal como resposta às manifestações cívicas de 2013? Alguém ainda se lembra deles?”, questiona.
Maximino também vê problemas na nova geração. “O lado negativo dessa nova militância é que ela se nega a reconhecer que não vivemos em uma democracia direta. Todas as democracias modernas são representativas, onde o partido político representa um papel essencial no processo político de conquista de direitos. Infelizmente tanto a direita quanto a esquerda decepcionaram profundamente o cidadão, gerando essa crise institucional dos partidos brasileiros em geral”, aponta.
“Então temos uma situação paradoxal: estamos no Brasil de hoje, sobrevivendo de espasmos esporádicos de cidadania. Ainda não conseguimos visualizar um projeto político coeso, de médio e longo prazo. Não vemos ainda uma massa crítica de cidadãos plenamente conscientes do poder que a democracia coloca em suas mãos”, afirma.
O professor de filosofia e antropologia considera os políticos brasileiros, em geral, conservador e ‘medroso’, e que o perfil individualista do eleitorado favorece a proliferação de políticos corruptos, inclusive quando faz o chamado ‘voto de protesto’.
Como forma de mudar o quadro, ele lembra a necessidade da educação.
“Ela é o melhor instrumento para educar o novo cidadão para a vida política. Desde a formação dos grêmios estudantis até a atuação dinâmica dos professores em projetos que envolvam o conhecimento e acompanhamento da atuação de uma câmara de vereadores, por exemplo”.
Silvio Maximino é membro da Batra, entidade que também promove debates a respeito da representatividade política.
| Samantha Ciuffa |
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Iuly Garcia, 21 anos (PMDB)
Maior partido brasileiro em número de deputados federais e prefeitos, o PMDB é também a sigla que detém o poder em Bauru. Além do próprio prefeito Rodrigo Agostinho, os peemedebistas contam com a maior bancada na Câmara Municipal, com quatro vereadores (Faria Neto, Markinho da Diversidade, Telma Gobbi e Artemio Caetano Filho, além do licenciado Renato Purini, que é o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico).
Desde o último fim de semana, quando houve convenção municipal, quem responde pela Juventude do PMDB local é a estudante Iuly Garcia, de 21 anos. Para ela, uma das marcas do partido é a diversidade. “O PMDB se caracteriza por sempre ter dado espaço a pessoas de diversas correntes ideológicas, isso desde o tempo que o partido era a oposição e resistência à ditadura militar. Então essa é uma marca importante do PMDB, e que pode atrair ainda mais jovens, pois essa diversidade permite que pessoas de diferentes ideologias participem”, afirma Iuly, que cursa Direito. “Uma das propostas é se aproximar mais das escolas, com projetos na área jurídica, pedagógica. É necessário mostrar ao jovem que é importante participar da vida política”, diz.
| Samantha Ciuffa |
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Alexandre Criscione, 31 anos (PT)
O Partido dos Trabalhadores (PT) cresceu nas décadas de 1980 e 1990 como o maior oposicionista aos governos que passaram pelo Palácio do Planalto, mas desde 2002 são os petistas que detêm o cargo máximo da política nacional, primeiro com Lula (até 2010) e com Dilma Rousseff. Na última eleição, em 2014, o PT venceu por margem pequena o PSDB, e o segundo mandato de Dilma tem sido marcado, até agora, por índice elevado de rejeição, momento em que o partido tenta se reorganizar visando às eleições do ano que vem, nos municípios.
Em Bauru, a Juventude do PT também passa por processo de reformulação após mudanças no comando da macrorregião. Quem terá a missão de reestruturar a Juventude é Alexandre Criscione, 31 anos, que milita há muitos anos no partido. “A juventude que viveu os anos 90, no governo do FHC, sabe da evolução que o País passou nessa última década, mas a geração um pouco mais nova, de até 28 anos, já cresceu nos governos do Lula, quando muitas demandas foram sendo atendidas, principalmente na educação, com mais acesso à universidade, apesar de ainda ter pontos a avançar. Talvez tenha faltado dialogar mais com esses jovens. O PT tem uma história de luta na esquerda, e é com essa força que pretendemos trazer mais jovens ao partido.”
| Samantha Ciuffa |
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Vinícius Bessa, 21 anos (PSDB)
Partido que há 20 anos ocupa o poder no Estado de São Paulo, o PSDB é a principal legenda de oposição em âmbito federal. Em Bauru, os tucanos possuem como maior nome o deputado estadual Pedro Tobias, em seu quinto mandato, e nas últimas eleições - exceto em 2012, quando não lançou candidato próprio - o PSDB chegou a concorrer com força para assumir a prefeitura.
Na Juventude, Vinícius Bessa, 21 anos, acredita que o conceito de esquerda e direita é algo superado. “Essa separação em esquerda e direita é algo ultrapassado. Estamos em uma nova era onde o jovem procura entender a política, e quer ser protagonista. Os líderes que estão em atividade hoje tiveram formação política nas décadas de 70, 80 e 90, e aos poucos a nova geração vai buscar seu espaço, ainda que em alguns casos haja resistência dos mais velhos”, aponta. “O jovem entra em um partido por conta de uma ideologia, mas os próprios partidos precisam se modernizar, é uma realidade para todos, pois os partidos estão desgastados pelo conjunto da situação do País, então o jovem nega a política partidária por não acreditar nela”, avalia.



