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Corpo fica "preso" no IML e mau cheiro incomoda usuários

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Reportagem do JC esteve no IML na tarde de ontem e constatou o forte odor pelo local

Um corpo que aguarda liberação para sepultamento no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru deixou a unidade tomada por um forte mau cheiro. A reportagem do Jornal da Cidade esteve no local, ontem, e apurou que o odor já vinha causando desconforto aos usuários e funcionários da unidade há ao menos uma semana.


A explicação para o problema seria um corpo que, por conta de um imbróglio, permanece na câmara fria do há 21 dias. Mesmo o cadáver estando sob refrigeração e dentro de uma gaveta, o cheiro gerado pela decomposição começou a incomodar até mesmo quem estava na recepção.

“Trouxe minha irmã para fazer um exame de corpo de delito porque ela sofreu um acidente e, assim chegamos, sentimos este cheiro insuportável. Até passei mal. Tivemos de esperar do lado de fora”, comenta a dona de casa Ana Thomaz Pereira Alves, 62 anos.

No momento em que a reportagem esteve no IML, a fila por atendimento era grande e a maioria das pessoas, assim como Ana e sua irmã, esperava em bancos dispostos na área externa do prédio. Uma pessoa que trabalha no local, que preferiu não se identificar, também reconheceu que o forte odor tem incomodado os servidores. “Não está fácil”, afirma.

O JC apurou que o corpo é de um homem de 33 anos, morador de São José do Rio Preto, que permaneceu internado no Hospital Estadual (HE) durante cerca de um mês para o tratamento de queimaduras. Morador de rua, ele teve 60% do corpo queimado acidentalmente, ao, supostamente, preparar comida em uma fogueira improvisada.

Transferido para Bauru, ele não respondeu bem ao tratamento e morreu no dia 3 de agosto, quando, então, foi encaminhado ao IML. Pessoas com vínculos com o paciente chegaram a ser localizadas em Tanabi (250 quilômetros de Bauru), mas não teriam manifestado interesse em realizar o sepultamento. A informação é de que o homem, inclusive, jamais chegou a receber visitas durante a internação.

Identificado

 

Desde então, o IML tenta encontrar um meio para liberar o corpo, já que o morador de rua estava devidamente identificado e, inclusive, com pessoas conhecidas localizadas.

“Fizemos contato com a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru), com o hospital e com a Polícia Civil para tentar encontrar uma solução, mas, até agora, nada. Ainda que o corpo esteja na câmara fria, já se passou muito tempo. Começa a ficar cheiro, porque não congela, só refrigera. Ou seja, apenas retarda o processo de decomposição”, detalha a pessoa que trabalha no IML.

A assessoria de comunicação da Emdurb informou que o enterro só não foi realizado porque o IML precisa providenciar a autorização para a liberação do corpo, documento que poderia ser confeccionado pela Polícia Civil ou pela diretoria do HE. À reportagem, a Polícia Civil informou que não é responsável por emitir este tipo de autorização, já que o corpo estava identificado e o caso é de responsabilidade da unidade de São José do Rio Preto, onde o acidente ocorreu.

“Todos os procedimentos de polícia judiciária em Bauru, como o registro do boletim de ocorrência e a requisição do exame necroscópico, foram adotados assim que a morte foi confirmada. Desde então, não havia nada que impedisse o sepultamento e caberia ao IML liberar o corpo”, argumenta o delegado coordenador da Central de Polícia Judiciária, Luiz Roberto Saud Bertozzo.

Soluções

 A Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra o HE, informou que só foi acionada ontem pelo IML de Bauru. Após receber o pedido, a diretoria do hospital se comprometeu a emitir, ainda hoje, a autorização para liberar o corpo –procedimento considerado de praxe dentro da unidade. O sepultamento deverá, finalmente, ocorrer amanhã, no Cemitério do Jardim Redentor. 


A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública, pasta que responde pelo IML, confirmou que o corpo segue na câmara fria e que solicitou à Polícia Civil autorização para o sepultamento. Contudo, não esclareceu sobre os motivos da demora para encaminhar a solicitação ao HE. O diretor do instituto em Bauru não foi localizado para falar sobre o assunto.

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