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Amigos se reencontram após 37 anos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo
Matando a saudade: Reinaldo e Manoel passaram o dia juntos e colocaram o papo em dia 

Portadores de hanseníase e privados do convívio familiar quando ainda eram jovens, Reinaldo Matos Carvalho, 66 anos, e Manoel Soares de Almeida, 65, apoiaram-se um no outro para superar as dificuldades da doença, durante os oito anos em que permaneceram internados no Hospital Colônia Souza Araújo, em Rio Branco, no Acre. 

Quando receberam alta, em 1978 (um com 28 e outro com 29 anos), os amigos tomaram rumos distintos. Perderam contato e, mais uma vez, tiveram que lidar com a dor da separação. Depois de 37 anos, o destino foi generoso e concedeu um reencontro inesperado, que aconteceu anteontem em Bauru. 

A comunidade do Instituto Lauro de Souza Lima foi palco da emocionante história. “Nem sabia se ele estava vivo. Pensei que nunca mais fosse vê-lo”, disse Reinando, que não conseguia esconder a emoção ao reencontrar o amigo. 

Ele, que mora atualmente em São Bernardo do Campo e faz parte do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), veio a Bauru para participar de homenagem na Câmara Municipal, que aconteceu na segunda-feira.  

Reencontro 

 

Proprietário de uma casa na comunidade do Lauro de Souza Lima, Elias de Souza Freitas tem amizade em comum com Reinaldo e Manoel há anos. O que ele não sabia é que, ao recebê-los em sua residência, seria o responsável pelo reencontro. “Não conhecia a história deles. Foi muito emocionante”, disse. 

Anteontem pela manhã, enquanto Reinaldo papeava com Elias, a surpresa: Manoel entra pela porta. “Não acreditava no que estava acontecendo. Como nos velhos tempos, demos um abraço bem apertado. Não teve como segurar o choro”, contou Manoel. 

Quando recebeu alta em 1978, ele veio a Bauru para cirurgias de enxerto no rosto e resolveu ficar. Hoje, vive com a esposa na Vila Falcão. Natural de Brasiléia (Acre), Manoel não tem notícias da família há mais de 50 anos. “Por falta de dinheiro, nunca mais consegui voltar lá”.

Ao contrário do amigo, Reinaldo – casado, pai de três filhos e avô de uma menina de 7 meses – disse manter contato com seus antigos familiares (irmãos e sobrinhos) de Manaus, sua terra natal. 

‘Imensurável’ 

 

“É uma felicidade imensurável ver meu amigo de novo. Na época de colônia no Acre, os pacientes eram nossa família. A hanseníase era considerada incurável e vivíamos afastados da sociedade, como prisioneiros. Juntos, nós superamos um momento muito delicado em nossas vidas”, disse Reinaldo, contendo as lágrimas.   

Com muita conversa para colocar em dia, os dois trocaram telefones e prometeram manter contato, apesar da distância. Para comemorar o reencontro depois de 37 anos, nada melhor do que uma festa. “Faremos um churrasco, com certeza”, brincou Manoel. 

 

Hanseníase

A hanseníase, que ficou conhecida como lepra, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae. Foi descoberta em 1873. Hoje, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente. O Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru, foi, por muitos anos, referência no tratamento da doença. Hoje, a unidade é voltada mais para área de pesquisa. No local, está instalada uma comunidade, onde mora Elias de Souza Freitas. A casa dele foi o palco do reencontro entre Reinaldo e Manoel. 

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