Cultura

Evento valoriza obras da modernidade

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Maria Teresa Pinho e Adalberto da Silva Retto Junior: visita a 16 construções bauruenses sábadoA

O Santuário Nossa Senhora de Fátima, o Automóvel Clube, o prédio da Prefeitura na Praça das Cerejeiras, a construção que abrigou por décadas o Bauru Tênis Clube e a sede do Sesc de Bauru estão entre as construções mais marcantes da cidade. Além da beleza e importância histórica e cultural, essas obras têm em comum as características arquitetônicas do modernismo. 

 Cada uma foi projetada por um arquiteto e, com outras construções, integra o percurso que será realizado amanhã.

A visita a 16 construções bauruenses faz parte do evento “Vilanova Artigas e o processo de modernização do interior”, organizado pela Faac (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação) da Unesp de Bauru, de hoje, 28 de agosto, a 2 de setembro.

Este encontro inédito no interior foi motivado pelas comemorações do centenário do arquiteto Vilanova Artigas (1915 – 1985), ícone da escola paulista de arquitetura e um dos maiores representantes do modernismo no país. 

João Batista Vilanova Artigas nasceu em Curitiba e desenvolveu grande parte da sua obra na capital paulista, mas também teve uma produção no interior, como o projeto da rodoviária de Jaú.

O evento, aberto, tem início hoje, dia 28, a partir das 18h, no Sesc Bauru, com a cerimônia de abertura e a exibição do filme “Vilanova Artigas: o arquiteto e a luz”. 

Haverá também debate com participação especial dos diretores Pedro Gorski e Laura Artigas, neta do modernista. 

Além da visita às obras da arquitetura moderna na cidade, neste sábado, dia 29, a programação conta com o lançamento do livro “Vilanova Artigas - Habitação e Cidade na Modernização Brasileira”, no dia 2 de setembro, também no Sesc, seguido de debate com os autores, Luiz Recaman e Leandro Medrano. 

Modernidade...

 

A visita às obras modernistas dos arquitetos João Cacciola (1907 – 1980) e Fernando Pinho (1921 – 2000), que viveram em Bauru, Zenon Lotufo, Eduardo e Ícaro de Castro Mello, contratados para determinados projetos na cidade, irá proporcionar a valorização do urbanismo local.

“Os percursos servem para que a população crie vínculos com as obras, o que é importante porque elas contam a história da cidade. E a população pode ajudar a preservar o aspecto cultural e histórico”, acredita Adalberto da Silva Retto Junior, professor da Unesp e um dos organizadores deste evento com o professor Arlindo Rebechi Junior, também da Unesp, e as arquitetas Renata Cacciola de Almeida, sobrinha de João Cacciola, e Maria Teresa Pinho Meca, filha de Fernando Pinho. 

... e atualidade

 

“A arquitetura é a manifestação da identidade social, temporal e econômica, da cultura e da história de determinada população”, destaca Maria Teresa sobre a relevância de conhecer e visitar obras modernas do itinerário bauruense. “É a soma de costumes no uso do tempo e do espaço”

De acordo com ela, seu pai aliava a técnica à preocupação urbanística e social para que a arquitetura interferisse no cenário urbano da melhor forma possível e fosse democrática, marca do modernismo.

“É importante despertar esse olhar para que vivenciem e observem o espaço em que vivem, valorizem o que é bom e tenham referências positivas para melhorar o que temos”.

Também para Renata, Fernando Pinho é uma grande influência modernista. 

“Meu tio-avô, João Cacciola, é um arquiteto de transição, com obras ecléticas, art decor e depois modernistas. Rever essas obras agrega cultura e conhecimento”, afirma a arquiteta motivada por ele na escolha da profissão.

“Possuía olhos apurados às linhas, ao desenho, à visibilidade da ideia, às obras de arte, principalmente as modernas. Aprendi olhar a arquitetura através dele, e também a construir espaços imaginários e reais”, comenta Maria Lucia Cacciola, filha do arquiteto.

 

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