| Fotos: Éder Azevedo |
| Final feliz O público foi estimado em 60 mil pessoas ao longo de todo o evento, de acordo com a Polícia Militar. A conta abrange o percurso da Praça da Paz até o Vitória Régia, pela avenida Nações Unidas, e o show de encerramento à noite, com a cantora Wanessa, no principal cartão postal da cidade. Ela, que já se declarou simpatizante da causa dos homoafetivos, interagiu com os fãs. |
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| A partir da esquerda: Markinho da Diversidade, prefeito Rodrigo Agostinho e Darlene Tendolo na abertura da Parada |
A 8ª Parada da Diversidade de Bauru, realizada na tarde e noite desse domingo (30), teve festa, mas também reflexão sobre o momento atual das minorias no Brasil.
Organizada há oito anos seguidos, a Parada encerra a Semana Municipal de Combate ao Preconceito, que luta contra a discriminação de todas as minorias, como os LGBT (Lésbicas, Gays, Transexuais e Transgêneros), e o preconceito racial, de gênero e condição socioeconômica.
O presidente da Associação Bauru pela Diversidade (ABD), Rick Ferreira, destacou a continuidade das lutas. “Bauru é a única cidade no Brasil a ter uma semana de combate ao preconceito e discriminação, e uma lei que garante o direito do uso do nome social aos transgêneros, e conseguimos fazer o maior movimento do tipo no interior, o que é muito importante pois quando isso começou, Bauru se mostrava bastante conservadora”, afirma. “O principal para nós não é o número de participantes, ou de fazer um carnaval fora de época, mas sim chamar a atenção para a necessidade de conscientização, e de que a luta tem de ser nos 365 dias do ano”, frisa.
Na abertura do evento, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) ressaltou ao amadurecimento da Parada. “Não é só a Parada, mas sim toda a Semana de Combate ao Preconceito, que é um momento de reflexão. Nos primeiros anos vinha muita gente pela curiosidade, mas hoje é um evento que está consolidado e que permite essas discussões”, aponta. Sobre um conservadorismo crescente no País, Rodrigo acredita que a crise política e econômica acabou abrindo espaço para essas posturas. “Alguns setores mais conservadores acabam ganhando força. Mas de uma maneira geral, a sociedade está mudando, e houve avanços em discussões sobre meio ambiente, direitos humanos, liberdade sexual. São pautas que estão inseridas na sociedade, e que precisam avançar, pois ainda há gente contra”, acrescenta.
O vereador Markinho da Diversidade (PMDB), que milita pela causa LGBT, era o único parlamentar presente no trio elétrico. Para ele, a criminalização da homofobia é o tema mais importante a ser colocado em pauta em âmbito nacional. “Nós temos que tomar cuidado com esse momento do País, que vê o crescimento de setores conservadores, com uma bancada conservadora e até militar. Os direitos das pessoas precisam ser assegurados, e que a diversidade como um todo seja preservada. A criminalização da homofobia é o principal tema nacional hoje, pois a homofobia só é punida administrativamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, e precisa ser criminalizada no Brasil todo. Lutamos para que uma lei nacional seja aprovada, e o crime de homofobia seja como um crime de racismo, pois a cada 26 horas uma pessoas é assassinada por conta da sua orientação sexual”, discorreu.
De longe
Kamilly Victória, 24 anos, e Lucas Bertão, 18, vieram de Birigui (180 quilômetros de Bauru) para prestigiar a Parada. “Todos os anos eu faço uma fantasia para chamar a atenção, e dessa vez a ideia era simbolizar a paz. É algo bem espontâneo, temos um grupo de balé na minha cidade e nos apresentamos em várias cidades da região. Esse é o terceiro ano que eu venho, e o importante é que diminua o preconceito”, disse Kamilly. Lucas veio pela primeira vez, mas gostou da Parada. “Estou conhecendo neste ano a Parada de Bauru, vim a convite da Kamilly”, citou.
Na parte final do percurso, já em frente ao Vitória Régia, um grupo de pessoas “distribuía” abraços. Eram membros da Escola de Missões Urbanas de Bauru, coordenado por Elaine Mattos. “A gente vem todo ano, desde a primeira edição. É um trabalho contra a exclusão. Cada um do grupo tem sua religião, todos são cristãos, e o objetivo é mostrar que Cristo aceita todas as pessoas como elas são”, relatou Elaine. Vendo a movimentação da marginal da Nações Unidas, Piyoi Shinohara, de 70 anos, demonstrou curiosidade.
A secretária de Bem Estar Social (Sebes), Darnele Tendolo, reiterou que a prefeitura promove diversas ações de combate ao preconceito ao longo de todo o ano, inclusive nos Centros de Referência em Assistência Social (Cras).
| Éder Azevedo |
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| Rubya Bittencourt é a madrinha desde a primeira edição da Parada |
Madrinha
No trio elétrico principal, o DJ Willian Lucena comandava o som, enquanto o DJ Paulo Pringles era o responsável pelo segundo trio elétrico. Na metade do trajeto, a madrinha da Parada, Rubya Bittencourt, usou o microfone e agradeceu a presença de todos. “É gratificante ser madrinha porque Bauru é minha cidade, e em 1995 eu que abri a primeira boate voltada ao público LGBT. Quando teve a primeira Parada, o Markinho (da Diversidade) me convidou para ser madrinha, por essa história. A principal mensagem da Parada é o respeito às diferenças, e que não seja só aqui no dia do evento, mas amanhã, depois, o ano todo”, reiterou em entrevista ao JC. “Criminalizar a homofobia infelizmente será necessário para tentar dar direitos iguais. Ninguém quer privilégios, mas sim respeito e igualdade”, salientou.
| Éder Azevedo |
| Parada da Diversidade animou as ruas de Bauru nas intermediações do Parque Vitória Régia |
| Fotos: Samantha Ciuffa |
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Lixo zero
O evento contou com a campanha “Lixo Zero na Parada”, promovida pela ABD, em parceria com a Semma e Emdurb. Foram instalados tambores para a coleta de lixo por toda a área e os funcionários da limpeza já estão realizando o serviço no decorrer da marcha.
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