Tribuna do Leitor

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos avós


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Boa parte da atual juventude brasileira encontra-se estagnada dentro de conceitos arcaicos, envolta por um fino e discreto véu de manipulação que dilacera seu senso de liberdade e a transforma em catedráticos senhores, que nomeia a ditadura militar brasileira (1964-1985) de ‘revolução’ e que atribui todos os problemas da humanidade ao comunismo e aos movimentos ditos de ‘esquerda’ - ao contrário do defendido pelos ‘seus pais’ poucas décadas antes. A extrema direita brasileira encontra-se firme com o apoio de muitos jovens de 18 a 24 anos de idade, que defendem o fim do governo democrático, o retorno golpista dos militares ao poder ou a posse do candidato derrotado na última eleição à Presidência da República.

Todo esse movimento é fruto dos mais de vinte anos de sedentarismo político e desinteresse em temas sociais, desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo (1992) e o movimento denominado de ‘caras pintadas’, que auxiliou no impeachment e renúncia do mesmo. A juventude da extrema direita vem se tornando descrente e distante da política real, criam formulas utópicas e manifestações acomodadas, afim que a presidente eleita seja deposta, muito diferente dos movimentos estudantis dos anos de 1960 e 1970, que sofreram inúmeras perseguições e torturas por defenderem aquilo que esses jovens de hoje possuem até demais – a liberdade de expressarem o que pensam. Os apelidados ‘coxinhas’ manifestam seus dissabores no conforto do lar, com extensos textos (em caixa alta) compartilhados em aplicativos e redes sociais, onde disseminam falsos dados e exigem a mudança do governo atual apenas para deleite de seus gostos infantis - ou para que a empregada deixe a Universidade e volte a dormir no emprego. 

Voltamos ao passado, ao tempo da velha república, dos coronéis, barões aposentados e do medo velado que os ‘mesmos’ têm de perderem a coroa. Por de trás dessa vasta juventude alienada, temos fortes sistemas manipuladores, políticos com poderosos discursos e uma imprensa sensacionalista e prontamente afiada que os acompanham como mordomos.  

      Somos explorados pelos ‘senhores’ desde a chegada dos primeiros portugueses ao Brasil em 1500 e continuamos, dentro dos inúmeros sistemas de governo, sendo sugados por uma pequena minoria, que se tornam os ‘bons samaritanos’ quando repartem suas migalhas com o restante da população. O exército da extrema direita, os defensores da família tradicional, da pena de morte, da maioridade penal, que são contra aos direitos reservados aos LGBTs e que acreditam que o Brasil é um país ‘laico cristão’, estão à espreita para destruir, com muito ódio, qualquer um que pense diferente dessa verdade dita ‘absoluta’ que acreditam. Eles detestam o futuro, detestam todos que queiram contar e partilhar o ‘vil metal’ que estão nos seus bolsos cheios de remendos. 

 Lucas Dias é geógrafo, pesquisador e aluno da 

          Unesp -  geo_lucas@live.com

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