| Alex Mita |
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| Lucimara de Almeida, 53 anos, teve a sua residência, no Jardim Niceia, destelhada pela chuva |
Mais um “apagão” deixou as regiões do Água do Capim, Distrito Industrial 2 e o Distrito de Tibiriçá, em Bauru, “no escuro” por um dia inteiro. Segundo a CPFL Paulista, o temporal de anteontem danificou parte da rede de distribuição de energia elétrica. Inclusive, algumas indústrias chegaram a interromper a produção até a hora do almoço de ontem. Além disso, a administração municipal já deu início a uma força-tarefa para reparar os estragos da chuva.
Giovana Aires, 18 anos, trabalha na área de vendas de uma empresa instalada na quadra 2 da rua Armando Lambertini, no Distrito Industrial 2, e narra que, por falta de energia elétrica, o expediente se encerrou às 14h50 de anteontem e os funcionários só voltaram a trabalhar por volta das 11h de ontem, ou seja, a empresa ficou por 20 horas “no escuro”. Ela conta que, ao menos, outras duas empresas instaladas na via passaram pela mesma situação.
Outro ponto preocupante, segundo a funcionária, diz respeito aos materiais da indústria, já que existe a possibilidade de perda após o corte repentino de energia elétrica. Desde o ano passado, Giovana trabalha na empresa e afirma que a instituição nunca ficou por tanto tempo “no escuro”, nem mesmo em maio deste ano, quando a CPFL Paulista avaliou que Bauru viveu o pior “apagão” de todo o Estado.
Conforme o JC noticiou no início de maio, uma forte chuva danificou grande parte da rede de distribuição de energia elétrica do município e deixou 20 mil bauruenses “no escuro” por mais de 24 horas.
Outros casos
Outra região que enfrentou a falta de energia elétrica foi a do Água do Capim, na zona rural da cidade. O casal Carlos Inácio da Silva, 74 anos, e Ana Cláudia Rocha, 42, mora em uma chácara situada nas proximidades do quilômetro 351 mais 500 metros da rodovia Bauru-Iacanga (SP-321) e ficou “no escuro”, das 15h de anteontem até as 17h30 de ontem, ou seja, por cerca de 27 horas. “Os vizinhos também estão sem energia elétrica”, critica Ana Cláudia.
No Distrito de Tibiriçá, cerca de 90 propriedades rurais ficaram 26 horas sem energia elétrica. Segundo o produtor agropecuário Luiz Teixeira, mais de 20 criadores se encontravam apreensivos. “Eu produzo aproximadamente 500 quilos de mandioca e, após a colheita, armazeno em uma câmara fria. Sem maquinário, o que eu fazia em um dia, faço em até cinco, mas manualmente”, argumenta.
Em nota, a CPFL reforça que, no pico das ocorrências, às 17h40 de anteontem, 836 mil clientes ficaram sem energia elétrica no Interior do Estado. Ontem, no mesmo horário, 84% dos clientes já tiveram o serviço restabelecido e, em Bauru, ainda havia 3 mil clientes afetados. Contudo, a expectativa era de que a situação se normalizasse até o final do dia de ontem.
Força-tarefa
Não foi apenas o corte de energia elétrica que afetou a cidade após a tempestade. De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, a chuva também causou princípios de erosão no Jardim Tangarás, Parque Santa Cândida, Parque Val de Palmas, Parque Jaraguá, Núcleo 9 de Julho, Vila Industrial, Parque Viaduto, entre outros. Se as condições do tempo permitirem, os serviços de rescaldo deverão ser iniciados hoje.
Segundo a Defesa Civil, o temporal também provocou a queda de, ao menos, 47 árvores. Os estragos mais alarmantes foram registrados na região da Unesp, onde seis árvores desabaram, bem como no Jardim Estoril e no Jardim Solange. No Jardim América e na Vila Universitária, árvores caíram sobre carros e casas e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) já deu início ao corte e remoção de galhos.
Na manhã de ontem, a Emdurb realizou a limpeza das avenidas Nações Unidas e Nuno de Assis, onde havia acúmulo de terra. Além disso, uma equipe da instituição também está trabalhando para retirar os galhos que caíram com os ventos de até 58,9 quilômetros por hora em diversos locais da cidade. O serviço deverá ser finalizado amanhã.
Moradores ficam ‘sem teto’ no Jardim Niceia
Diversos moradores do Jardim Niceia tiveram as casas destelhadas ou cheias de lama após a tempestade de anteontem. Renata Venâncio da Silva, 40 anos, mora com a amiga Lucimara de Almeida, 53 anos, em uma residência de três cômodos, mas dois deles estão “sem teto”. Elas chegaram a perder mantimentos e passar a noite “no escuro” no único cômodo que restava coberto.
Na rua Manoel Hermano da Silva, uma mulher passou por outra situação desconfortável. Maria Aparecida de Oliveira Souza, 51 anos, teve a casa invadida por uma água suja de lama e, por pouco, não perdeu o que tinha. Questionada sobre o assunto, a assessoria de imprensa da prefeitura informa que, devido à solicitação ter ocorrido após o encerramento do expediente da Secretaria Municipal de Obras, a resposta só será fornecida hoje, após a verificação do local.
Será que chove?
Chove. É o que prevê o IPMet, já que uma nova frente fria está se aproximando do Estado de São Paulo entre hoje e amanhã. Em relação às temperaturas, elas deverão ficar entre 22 e 30 graus, mas a expectativa é de que, a partir do próximo sábado, elas variem entre 16 e 25 graus. Já a mínima da umidade relativa do ar deverá ficar na casa dos 50% hoje.
