Polícia

Sumiço de aposentado intriga polícia

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Alex Mita
Armando Togashi, de 77 anos, foi visto pela última vez no dia 2 de setembro em um circular

O caso do aposentado Armando Togashi, 77 anos, desaparecido há exatamente dez dias, intriga a Polícia Civil. Isso porque o sumiço de pessoas com idades acima de 50 anos não é comum: representa apenas 9% das ocorrências registradas neste ano em Bauru, que contabilizou, em 2015, mais de 300 desaparecimentos (leia mais abaixo). 

Conforme análise da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), na faixa etária acima de 50 anos, o perfil do desaparecido está vinculado a problemas de saúde e, em alguns casos, se dá em pelo desgaste no relacionamento familiar, fatores que não se encaixam com as informações prestadas pela família sobre a rotina diária de Armando Togashi.

A DIG teve acesso a imagens do circuito interno de um circular que realiza o itinerário Samambaia-Santa Edwirges, do dia 2 de setembro, quando o aposentado desapareceu. O vídeo mostra quando ele embarcou no coletivo, por volta das 17h50, em um ponto localizado na rua Treze de Maio, Centro.

Após 10 minutos, às 18h, Armando aparece descendo na quadra 3 da avenida Pinheiro Machado, Santa Edwirges, a apenas oito quadras de sua casa, localizada na rua Princesa Isabel, Vila Lemos. 

“A gente percebe que ele estava com a saúde em dia, pois, durante o percurso, permaneceu em pé e não demonstrou nenhum problema físico. Ele também não faz nenhum contato pessoal com outros passageiros”, descreve o delegado titular da DIG, Kleber Granja.

O desaparecimento foi antecipado pelo JC na edição do último dia 4. Filho do aposentado, Emerson Togashi, 40 anos, disse que não havia nenhuma desavença entre o pai e a família. “Estava tudo bem entre nós”, confirmou. “Estamos preocupados, mas a busca não cessa. Encontrá-lo é meu objetivo”, acrescenta. 

Granja acredita que o idoso esteja vivo. “Fizemos levantamento em hospitais, albergues. Cruzamos informações no banco de dados da Polícia Civil com encontro de cadáveres. Pode ser que ele esteja em algum lugar e, por algum motivo, não quer ser localizado”, disse. 

O delegado acrescenta que Armando estava com a carteira quando desapareceu, mas rastreamento da conta bancária dele não apresentou nenhuma movimentação. “É um caso confuso, estranho e difícil de entender”, observa o delegado.  

Emblemático

 

Um dos casos mais emblemáticos é do desaparecimento de Eduardo Alves de Oliveira, 30 anos, ocorrido no dia 7 de abril.  Um inquérito policial foi instaurado pela DIG, pois há indícios, segundo Granja, de que o rapaz tenha sido vítima de homicídio. “Continuamos com as investigações”. 


Só em 2015, Bauru teve mais de 300 desaparecimentos de pessoas

Somente neste ano, a DIG registrou 328 desaparecimentos na área do Deinter-4, que abrange outros 18 municípios da região. Deste total, 316 foram em Bauru, ou seja, 95% dos casos. Segundo o delegado da DIG, Kleber Granja, 281 pessoas foram encontradas – média mensal de 41 registros e 35 encontros. “Mais de 85% dos casos são esclarecidos”, afirma Granja. 

O desaparecimento de pessoas na faixa etária dos 18 aos 50 anos está praticamente empatado com o de adolescentes, com, respectivamente, 46% e 45%. Em relação aos adolescentes, a maior parte da “legião dos desaparecidos” é formada por pessoas do sexo feminino. “A maioria sai de casa para manter relacionamento de convivência com o namorado”, explica o delegado. 

No geral, entre os menores de ambos os sexos, muitos não aceitam regras básicas de educação e conduta fixados por seus pais, detalha Granja. “Em decorrência disso, alguns desaparecimentos ocorrem em razão do envolvimento do adolescente com as drogas, na condição de usuário”. 

Não há registros de desaparecimentos de crianças com até 12 anos incompletos. 

 

Serviço

Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro de Armando Togashi, pode entrar em contato pelos telefones (14) 99737-3116 ou (14) 99713-8393.

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