| Alex Mita |
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| Rosirene Moraes Torres testa o simulador que está em Bauru |
Ao deixar de usar o cinto de segurança no banco de trás do veículo, o passageiro não só coloca em risco a própria vida como ainda a do motorista ou do ocupante do assento dianteiro, dependendo do lugar em que estiver sentado. Isso porque, com o impacto da batida, a pessoa é projetada contra a nuca de quem está à frente. Com ferimentos em “dobro”, as chances de sobreviver, neste caso, são mínimas.
Quem faz o alerta é o gerente de trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto, que acompanhou, ontem, o primeiro dia de testes no simulador de impacto, instalado no Anna Premier Auto Posto, Vila Aviação. O equipamento será disponibilizado em mais três pontos da cidade entre hoje e amanhã (veja no quadro ao lado) e faz parte das ações realizadas durante a Semana Nacional de Trânsito em Bauru (confira programação através do link www.emdurb.com.br – Educação no trânsito – Calendário 2015).
“Se o motorista estiver sem o cinto, tem o rosto lançado contra o parabrisa do carro e o tórax sobre o volante. Isso já causa traumatismo ou afundamento do peito, quebra de mandíbula ou nariz. Imagina se esta pessoa ainda tiver a nuca atingida pelo passageiro do banco traseiro? As consequências são maiores, pois ainda ocorre fratura na parte de trás da cabeça”, detalha.
“Para se ter uma ideia, em uma batida, o peso da pessoa triplica, ou seja, alguém com 70 quilos é projetado contra o vidro dianteiro com força de 210 quilos. Os ferimentos são gravíssimos e aumentam mais ainda quando o passageiro do banco traseiro, sem cinto, é lançado contra a nuca de quem está à frente”, reforça Nelson.
O simulador foi disponibilizado justamente para conscientizar a população sobre a importância de usar o cinto de segurança. O equipamento simula uma colisão a uma velocidade de 5 quilômetros por hora. “A velocidade, apesar de baixa, é suficiente para provar que o uso do cinto é fundamental para evitar ferimentos graves ou até a morte”, alerta.
‘Assustador’
Nelson explica que o simulador proporciona uma noção real da colisão, o que foi confirmado pelo funcionário público Diego Rossi, 39 anos. Ele foi um dos que experimentaram o simulador nesta terça. “É assustador. O cinto travou meu ombro e evitou que eu fosse lançado para frente”, relata. A promotora de loja, Rosirene Moraes Torres, 30 anos, também encarou o equipamento. Ela garante que sempre usou o cinto de segurança. “Não imaginava que o impacto seria forte assim. Isso porque estava bem devagar”, observou.
O norte-americano Ron Gihlstrom, 63 anos, fez questão de testar o simulador. Ele, que é de
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Washington (Estados Unidos) e vive com a esposa há poucos anos em Bauru, apontou que, no Brasil, a população precisa ser mais consciente.
“Nos EUA, todos usam o cinto. É cultural”, disse, e revelou que o “tranco” foi forte. “Mesmo esperando a batida, me assustei”.
Preocupa
Uma pesquisa desenvolvida pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), em dezembro de 2014, aponta números preocupantes: 53% dos passageiros no banco traseiro, 15% dos ocupantes de assentos da frente e 13% dos motoristas não usam o cinto. “Todos deram desculpas simplórias como ‘vou ali pertinho, ‘qualquer coisa o banco da frente me protege’ ou ‘dá trabalho colocar o cinto’. Esse pensamento nos preocupa e, por isso, estamos empenhados em levar o simulador para várias cidades do Estado”, aponta o relações institucionais da Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), Athayde Caldas.
Campanha
A Semana Nacional de Trânsito ocorre oficialmente do dia 18 ao 25 e é desenvolvida pelo Grupo de Ações para Redução de Acidentes de Trânsito (Garat), formado pela Emdurb, PM, Bombeiros, Secretaria de Obras e Sindimoto. São parceiros na ação a Cart, Artesp, Grupo Paschoalotto, Posto Anna Premier e Faculdades Anhanguera.
Na pele
Como repórter, fui designado para cobrir os testes no simulador de impacto e, claro, experimentar o equipamento e descrever a sensação. Começo com uma confissão: nunca gostei de usar o cinto no banco traseiro.
E lá fui eu concluir minha missão. Acomodei-me no assento e, antes mesmo de esboçar qualquer reação, o operador do simulador me disse, em tom autoritário: “Coloque o cinto”. Fiquei ansioso, mas imaginei que seria algo tranquilo. Não foi.
O impacto é forte mesmo. Tive a nítida impressão que daria de cara na plataforma de ferro que simula o parabrisa do carro. Senti uma pequena vertigem, um tranco nas costas e nos ombros, e os músculos estremecerem. Imaginei: “Se fosse a uns 80 quilômetros por hora, estaria lascado”.
Meu pensamento mudou? Sim. Por quanto tempo eu não sei, mas uma coisa é certa: entrei no carro da reportagem e, no banco traseiro, puxei o cinto sem que o Betão, motorista do JC, me advertisse, como sempre faz: “bota o cinto, rapaz!”

