A Pinacoteca Municipal está com exposição de parte das obras do seu acervo aberta ao público.
A exposição será até dia 9 de outubro, das 10h às 18h, e conta com pinturas em tela e esculturas de Rosa Iwasa, Carlos Haraldo Sorensen, Vera Ferro, João Ponce, Ivonildo Novais, Hélio Castro, Adriana Rocha, Rafael Bruschi, Emiliano, Rosa Comin, Frei Pedro, Lélio Colocini e Luís Morrone.
Tradicionalmente, a pintura de paisagem constituía-se numa questão de segundo plano, era apenas o pano de fundo do tema principal da pintura. Isso mudou no final do século XVII, quando a paisagem passou a ser o objeto central do quadro. Pintores como Claude Lorrain e Nicolas Poussin são nomes percussores do estilo, que atingiu o seu auge no Barroco holandês. Outras transformações vieram a ocorrer do século XIX até os dias atuais, quando a pintura de paisagem foi para o ar livre: os artistas saiam de seu ateliê para pintar nas ruas das cidades ou no campo.
Nas obras desta exposição, a pintura de paisagem vincula-se com o Impressionismo, o Expressionismo, o Cubismo, o Fauvismo, o Romantismo e a pintura dos chamados Pintores Viajantes.
Na obra de Rosa Iwasa, ”Idas e Vindas”, a paisagem urbana é desconstruída. As formas são melhores visualizadas de longe; de perto, são apenas cores marcantes. O quadro lembra menos uma pintura e mais uma fotografia de longo tempo de exposição. Os carros que passam pela longa avenida são apenas um grande traçado de luz, apenas se deduz que são carros. O mesmo efeito se dá quando uma foto é tirada com baixa velocidade do obturador.
A obra de Carlos Haraldo Sorensen, “Vista do Trem”, aproxima-se do Expressionismo e do Fauvismo. Essas correntes artísticas têm alguns pontos em comum, como o uso de cores expressivas, formas imperfeitas (se comparadas com o real), traçados selvagens e desenfreados. A alcunha Les Fauve, (as feras) foi dada por um renomado crítico de arte Louis Vauxcelles ao ver os traçados agressivos e as cores fortes dos pintores do estilo.
Em “Um Discurso ao Abandono”, de Vera Ferro, a desconstrução também pode ser percebida. As cores marcantes podem se enquadrar no Neo expressionismo.
João Ponce, Ivonildo Novais podem ter suas obras contextualizadas dentro do Impressionismo, corrente artística do século XIX que tinha como característica a importância do uso da luz, e a influência de diferentes luminosidades, além do uso de cores mais suaves.
Hélio Castro faz uma leitura baseada nas obras dos artistas estrangeiros vindos ao Brasil a convite do imperador. Os mesmos se interessavam em compreender esse processo inicial de valorização e criação das nossas imagens, da nossa realidade. Os primeiros artistas franceses como Debret e Taunay dedicaram-se a essa tarefa e uma identificação de um Brasil onde a paisagem atua de modo decisivo, quase idilicamente, onde os costumes passam a ser compreendidos pelo seu lado pitoresco e no qual a corte e o império se firmam como a manifestação da vontade e do desejo de se fazer deste país uma grande nação ocidental, comprometida com os valores europeus.
A artista plástica Adriana Rocha tem o tempo como principal tema de suas obras. Suas escolhas de técnica de pintura e materiais convergem para esse tema. A desconstrução também é sua marca registrada. Suas obras têm tom lírico e tom envelhecido, que, ainda assim, falam do presente.
Adriana Rocha nasceu em São Paulo em 1959, onde vive e trabalha. A pintora e desenhista paulistana Adriana Rocha iniciou sua trajetória na década de 80 e abrange mais de 60 exposições em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e em cidades da Argentina, Portugal e Estados Unidos além de uma série de projetos de arte pública. Cursou artes plásticas na FAAP (SP, 1980) e desenho na Academie de La Grande Chaumiere (Paris,1981). Trabalhou com ilustração editorial, cenários e projetos de peças teatrais. A artista é presidente da ONG AFAGO que desde 1993, através de atividades sócias educativas, recebe cerca de 300 crianças também da comunidade no contraturno da escola. Faz parte, também, do coletivo de artistas “Em branco” desde 2004 com Patrícia Furlong, Celso Orsini, Ana Michaelis, Carlos Camargo e Cris Rocha.
A natureza morta, estilo de pintura que se enquadra nas obras de Rafael Bruschi, tem como principais características a representação de objetos inanimados, frutos e animais mortos. Esse gênero de pintura existe desde a Grécia Antiga, porém foi condenado pelos teólogos da Idade Média e só voltou a ser representado no século XVII, na Holanda, quando ganhou o nome que utilizamos até os dias atuais.
A exposição conta com Instalação de Emiliano, feita em sucata e esculturas de Rosa Comin, Frei Pedro, Lélio Colocini e Luís Morrone. As obras de Rosa são entalhes feitos em madeira; as de Lélio e Luís são em gesso e as de Frei Pedro em fundição em poliéster com pátina.